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GWM vai fabricar automóveis na Europa e prepara dez novidades

Publicado a 29 de Outubro de 2026, 11h00  ·  Atualizado a 29 de Outubro de 2026, 12h00  ·  4 min de leitura

O essencial

  • A GWM vai fabricar o Ora 5 na Bulgária a partir do primeiro trimestre de 2027, com capacidade para 50 mil unidades anuais.
  • O H7 é um SUV de 4,68 metros com sistema híbrido Hi4 que combina motor a gasolina de 1,5 litros com dois motores elétricos.
  • A GWM planeia lançar pelo menos dez novos modelos ou variantes para o mercado europeu, desenvolvidos com requisitos específicos do continente.
  • O centro de I&D em Munique participa desde as fases iniciais, com a empresa a investir anualmente mais de 1,3 mil milhões de euros.

A primeira fábrica europeia da GWM

A GWM (Great Wall Motors) prepara uma nova etapa da sua expansão europeia. A fabricante chinesa assinou um acordo com a Bulgarian Automotive Industry (BAI) para produzir o Ora 5 na Bulgária, tornando este SUV no primeiro modelo da marca a ser fabricado em território europeu. O início da produção está previsto para o primeiro trimestre de 2027, com uma capacidade que poderá atingir as 50 mil unidades por ano.

O anúncio foi feito em Milão, durante a apresentação europeia do GWM H7, e representa uma mudança importante na estratégia da marca. Depois de importar automóveis para a Europa desde 2006, a GWM pretende passar a produzir mais perto dos seus clientes, criando uma base industrial no continente e reduzindo a dependência das importações.

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A decisão surge numa altura em que os fabricantes chineses enfrentam um contexto comercial cada vez mais exigente na Europa, marcado pelas discussões em torno das tarifas aplicáveis aos automóveis importados da China. A produção local poderá ajudar a GWM a reforçar a sua competitividade e a consolidar a presença num mercado onde pretende crescer nos próximos anos.

A marca já está presente em países como Itália, Espanha e Países Baixos, estando também prevista a expansão para França. Mas a estratégia não se limita à abertura de uma unidade de produção: a GWM planeia lançar pelo menos dez novos modelos ou variantes destinados especificamente ao público europeu.

Segundo a fabricante, não se tratará apenas de adaptar automóveis originalmente concebidos para a China. A intenção é integrar desde as fases iniciais de desenvolvimento as preferências dos condutores europeus, as condições de utilização e os requisitos regulamentares do continente.

Um papel importante neste processo cabe ao centro de investigação e desenvolvimento da GWM em Munique, que está em funcionamento desde 2021. A estrutura participa nos projetos desde as primeiras fases, contribuindo para as decisões relacionadas com o comportamento dinâmico, a direção, as motorizações, o conforto e a validação dos veículos.

A empresa refere dispor de uma rede com mais de 28 mil profissionais ligados à investigação e desenvolvimento, apoiada por um investimento anual superior a 1,3 mil milhões de euros. No caso do Ora 5 e do H7, as equipas europeias realizaram mais de 100 mil quilómetros de testes em estrada e milhares de horas de investigação junto de potenciais clientes.

Os ensaios incluíram diferentes cenários de utilização, desde os percursos entre Milão e as Dolomitas, em Itália, até às estradas de montanha da região de Madrid. O objetivo foi ajustar os automóveis às condições reais de condução na Europa, incluindo a resposta do chassis, a direção, as motorizações e o conforto dos bancos.

«Não queremos apenas vender carros na Europa: queremos fazer parte dela», afirmou Nicole Wu, diretora de tecnologia da GWM, defendendo uma abordagem que integra as necessidades do mercado europeu no desenvolvimento dos produtos, em vez de se limitar a adaptar modelos já existentes.

O H7 abre caminho à nova gama europeia

O H7 abre caminho à nova gama europeia

Além do Ora 5, o GWM H7 assume um papel central na ofensiva europeia da marca. Com 4,68 metros de comprimento, este SUV foi desenvolvido e aperfeiçoado tendo em conta as exigências de condução europeias, com testes realizados, entre outros locais, nas autoestradas alemãs e em estradas de montanha como o Stelvio, em Itália, e o Grossglockner, na Áustria.

O modelo introduz também na Europa o sistema híbrido Hi4, uma solução híbrida plug-in que combina um motor a gasolina de 1,5 litros, desenvolvido internamente, com dois motores elétricos, um em cada eixo. Esta configuração permite disponibilizar tração integral sem recorrer a um eixo de transmissão mecânico entre os eixos dianteiro e traseiro, ajustando continuamente a distribuição do binário em função das condições de condução.

A gama do H7 inclui cinco opções de motorização: um motor 2.0 turbo a gasolina com tração integral, as variantes híbridas Hi2 e Hi4 e as versões híbridas plug-in Hi2 e Hi4. Segundo a informação divulgada, os preços começam nos 28 mil euros.

Thomas Schemera, diretor-geral de produto da GWM para a União Europeia, sublinhou a importância de desenvolver automóveis adaptados às características do continente. Na sua perspetiva, um modelo que funciona bem na China não corresponde necessariamente às expectativas dos clientes europeus, pelo que é essencial compreender as diferenças entre os hábitos de condução e as condições das estradas.

Ora 5, Tank 300 e novos modelos a caminho

Ora 5, Tank 300 e novos modelos

A futura gama europeia da GWM deverá abranger diferentes segmentos e tipos de utilização. A família Ora 5 será alargada com carroçarias SUV, hatchback e familiar, enquanto a pick-up P500, o todo-o-terreno Tank 300 e a monovolume WEY G9 deverão responder às necessidades de clientes que procuram, respetivamente, veículos de trabalho, capacidade fora de estrada e espaço para famílias numerosas.

Ficha técnica

Motor
1,5 litros a gasolina com dois motores elétricos (Hi4)
Motorização
2.0 turbo a gasolina, Hi2, Hi4, híbrida plug-in Hi2 e Hi4
Comprimento
4,68 metros
Preco
A partir de 28 mil euros
Producao
Primeiro trimestre de 2027
Capacidade
Até 50 mil unidades por ano

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  730 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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