BMW acaba com o Série 2 Active Tourer e prepara novo eléctrico
O essencial
- A BMW vai descontinuar o Série 2 Active Tourer, sem sucessor definido, como parte de uma estratégia de simplificação da gama.
- A marca prepara um novo modelo 100% eléctrico para 2028, baseado na arquitectura Neue Klasse, posicionado como entrada na gama.
- A BMW planeia reduzir 20% das divisões e cargos de gestão até meados de 2027 e aumentar o uso de Inteligência Artificial.
A BMW vai deixar cair o Série 2 Active Tourer. O monovolume compacto não terá sucessor, numa das decisões mais visíveis de uma nova estratégia da marca alemã, que pretende simplificar a gama, reduzir custos e concentrar investimento nos modelos considerados mais rentáveis.
A confirmação surgiu no Capital Market Day 2026, onde a BMW apresentou um plano de reorganização destinado a recuperar a rentabilidade. A marca pretende reduzir o número de modelos e versões disponíveis, embora ainda não tenha revelado que outros automóveis poderão desaparecer da gama.
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Novo eléctrico para 2028
Se o Série 2 Active Tourer sai, outro compacto está a caminho. A BMW prepara um novo modelo 100% eléctrico para a Europa, previsto para 2028 e desenvolvido com tecnologia da Neue Klasse.
Ainda não há nome, nem detalhes técnicos, mas a BMW confirma que será um modelo de entrada na gama eléctrica e que terá a Europa como principal mercado. Será mais uma aplicação da arquitectura Neue Klasse depois do iX3 e dos futuros modelos que vão adoptar progressivamente esta tecnologia.
BMW quer subir na gama
Estratégia diferente nos EUA e China
A estratégia será diferente nos Estados Unidos, onde a BMW estuda um novo SAV para ficar acima do X7. A forte procura pelos modelos da família X está já a pressionar a capacidade da fábrica de Spartanburg, levando a marca a ponderar uma maior produção regional.

No extremo oposto da gama, há também novidades. Em 2027 chega o primeiro BMW ALPINA desenvolvido já sob a responsabilidade integral do Grupo BMW. Inspirado no Série 7, deverá posicionar-se entre a BMW convencional e a Rolls-Royce.
A lógica é evidente: menos modelos de menor margem e mais investimento nos segmentos que dão mais dinheiro.
China ganha peso na estratégia
A BMW quer também produzir mais localmente na China. Até 2030, a marca pretende que pelo menos 95% dos automóveis vendidos naquele mercado sejam produzidos localmente, reduzindo progressivamente as importações aos modelos de maior valor acrescentado.
A produção chinesa poderá ainda servir outros mercados do Sudeste Asiático.
Menos gestores e mais Inteligência Artificial
Reorganização interna e uso de IA
A reorganização chega também à estrutura interna. A BMW pretende reduzir em 20% o número de divisões e cargos de gestão até meados de 2027, ao mesmo tempo que simplifica processos e reduz níveis hierárquicos.
A Inteligência Artificial terá um papel importante neste processo. A BMW quer utilizá-la no desenvolvimento, produção, compras, vendas e pós-venda, com o objectivo de automatizar tarefas e acelerar o desenvolvimento de novos modelos.
Na engenharia, a marca já trabalha com a Mistral AI em aplicações destinadas, entre outras áreas, a simulações de colisão.
A BMW fala ainda numa nova geração de automóveis “AI-defined”, sucessora dos actuais modelos definidos pelo software. A arquitectura electrónica da Neue Klasse será a base desta transformação.
No meio de toda esta revolução, uma coisa já é certa: o Série 2 Active Tourer fica pelo caminho.
AutoGear · 591 artigos
Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.