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Troçaram do Ferrari Luce nas redes e a Ferrari ficou mais convencida

Publicado a 10 de Outubro de 2026, 10h28  ·  Atualizado a 10 de Outubro de 2026, 13h02  ·  5 min de leitura

Ferrari Luce (2026) em verde, visto do lado esquerdo, numa imagem oficial da Ferrari gerada por computador com cenário de Miami. Não mostra o painel de Turim nem Jony Ive ou John Elkann. Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.ferrari.com/en-PT/media-centre/articles/ferrari-luce-a-new-chapter-for-the-maranello-marque

Jony Ive e John Elkann defenderam o design do Ferrari Luce a 7 de outubro, em Turim, e dizem que a opinião muda quando se vê o modelo ao vivo. O presidente da Ferrari afirma que as críticas ao primeiro elétrico da marca reforçaram a convicção da empresa.

O essencial

  • Jony Ive e John Elkann falaram do Ferrari Luce a 7 de outubro, na conferência Wave, em Turim.
  • A LoveFrom passou a maior parte de um ano a estudar a Ferrari e o desenvolvimento durou cinco anos, segundo a Reuters.
  • Elkann diz que a Ferrari não quis fazer um modelo polémico e que as críticas reforçaram a convicção da empresa.

Jony Ive, antigo responsável de design da Apple, e John Elkann, presidente da Ferrari, falaram do Luce num painel da conferência de tecnologia Wave, em Turim, a 7 de outubro. Segundo a Reuters, os dois responderam ali às críticas que o desenho do primeiro Ferrari elétrico tem recebido desde a revelação, em maio.

A Ferrari desenvolveu o modelo com a LoveFrom, o estúdio de Ive. A agência descreve a reação como um debate aceso, com troça nas redes sociais e reparos a um estilo pouco convencional. O Luce voltou às notícias em agosto, quando o AutoGear contou o leilão do primeiro exemplar, em Monterey, nos Estados Unidos.

Um ano a estudar a Ferrari

Ferrari Luce (2026) com as luzes acesas, fotografia oficial de estúdio da Ferrari. Ângulo não identificado pela fonte.
Ferrari Luce (2026) com as luzes acesas, fotografia oficial de estúdio da Ferrari. Ângulo não identificado pela fonte.

Ive contou que o trabalho começou longe do desenho. “Passámos realmente a maior parte de um ano a pesquisar e a tentar aprender”, disse, sobre o período em que a LoveFrom se dedicou à história e à cultura da marca. Depois, equipas na Califórnia e em Maranello passaram cinco anos a desenvolver o projeto em conjunto, segundo a Reuters.

O objetivo, nas palavras do designer, era “não apenas reciclar a história, mas criar o futuro”. Esse futuro tem números. Como o AutoGear escreveu esta semana, a Ferrari reduziu a aposta nos elétricos, num plano que a marca apresentou em outubro de 2025 e que prevê que sejam 20% da gama em 2030.

Comandos físicos em vez de ecrãs

O volante do Ferrari Luce (2026), na imagem oficial com que a Ferrari revelou o interior em Fevereiro de 2026.
O volante do Ferrari Luce (2026), na imagem oficial com que a Ferrari revelou o interior em Fevereiro de 2026.

O habitáculo foi outro ponto da defesa. “O toque, como interface principal, não devia estar num automóvel”, afirmou Ive, que rejeita o domínio dos ecrãs táteis e dos comandos digitais. Para o designer, essa solução tem um preço, porque quem conduz fica “desligado, enquanto ser físico, do objeto”. Por isso, o Luce assenta em comandos físicos e em resposta tátil, descreve a agência.

Elkann rejeita um Ferrari Luce polémico

Ferrari Luce (2026) em vermelho, a imagem de abertura do comunicado oficial da Ferrari. Não mostra John Elkann nem o painel de Turim.
Ferrari Luce (2026) em vermelho, a imagem de abertura do comunicado oficial da Ferrari. Não mostra John Elkann nem o painel de Turim.

“Não tínhamos, de forma nenhuma, a intenção de fazer um Ferrari polémico”, disse John Elkann. O presidente da marca explicou que o que conta é perceber até que ponto as críticas tocam a convicção de quem fez o automóvel. “O que isso fez foi tornar a nossa convicção muito forte”, afirmou.

Ive e Elkann dizem que a perceção muda quando se passa das imagens para o modelo real. “Nunca conheci uma mudança tão grande como a que parece acontecer quando o vemos”, disse o designer. Havia um Luce exposto na conferência e, segundo a Reuters, formaram-se longas filas de visitantes.

São declarações de quem desenhou o modelo e de quem preside à marca. Não medem a forma como o público o recebe.

A conversa com Jeff Bezos

Elkann recordou ainda de onde veio o impulso para um Ferrari elétrico. Numa conversa em julho de 2016, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, ter-lhe-á dito que não percebia nada de automóveis, mas sabia muito de inovação, e que a Ferrari devia pensar a sério em construir um elétrico. Foi essa conversa, contou, que o fez olhar para os elétricos com outra atenção.

A Wave é organizada pela Vento, o braço de capital de risco da Exor, a holding da família Agnelli que controla a Ferrari. Do painel não saíram novidades comerciais. A Reuters não refere preços, prazos de entrega nem mercados, e de Turim não veio nenhuma indicação sobre Portugal.

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Perguntas e respostas

Como respondem Jony Ive e Elkann às críticas ao Ferrari Luce?

Jony Ive diz que o objetivo foi criar o futuro, e não reciclar a história, e que a opinião muda quando se vê o modelo ao vivo. John Elkann afirma que a Ferrari não quis fazer um modelo polémico e que as críticas reforçaram a convicção da empresa. As declarações foram feitas a 7 de outubro, na conferência Wave, em Turim, segundo a Reuters.

Porque é que o Ferrari Luce dá primazia aos comandos físicos e não aos ecrãs táteis?

Jony Ive defende que o toque, como interface principal, não devia estar num automóvel. Segundo o designer, os ecrãs táteis têm um preço, porque quem conduz fica desligado do objeto enquanto ser físico. Por isso, o Luce assenta em comandos físicos e em resposta tátil, descreve a Reuters.

Quanto tempo demorou o desenvolvimento do Ferrari Luce?

A LoveFrom, o estúdio de Jony Ive, passou a maior parte de um ano a estudar a história e a cultura da Ferrari antes de começar. Depois, equipas na Califórnia e em Maranello trabalharam cinco anos no projeto, segundo a Reuters. O modelo foi revelado em maio.

Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.ferrari.com/en-PT/media-centre/articles/ferrari-luce-a-new-chapter-for-the-maranello-marque

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Duarte Chaves

AutoGear  ·  6 artigos

Recebeu a primeira moto, uma KTM, do avô, quando tinha 19 anos, e ainda a tem. Agora está a descobrir os automóveis. Ainda muito jovem, continua a aperfeiçoar o que sabe sobre este mundo, mas a paixão, essa, já a tem toda. Nos tempos livres gosta de surfar.

Colaborador do AutoGear. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o AutoGear, o Motociclismo e o M Sports.

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