A SEAT poderá desaparecer até ao final de 2029. Segundo um documento interno da Volkswagen, a marca espanhola terá sido retirada do planeamento estratégico de longo prazo do grupo, que pretende concentrar cada vez mais recursos na CUPRA.
A informação foi avançada pela imprensa alemã, que teve acesso a um documento preparado para uma reunião do Conselho de Supervisão da Volkswagen. Segundo a WirtschaftsWoche, o plano passa por descontinuar a SEAT de forma gradual, mantendo o apoio aos atuais clientes e cumprindo as obrigações existentes.

O documento refere ainda que os produtos, operações comerciais e infraestrutura de produção da SEAT deverão ser transferidos para a CUPRA sempre que possível. Manter a SEAT na sua forma atual implicaria, segundo a Volkswagen, a utilização de recursos adicionais.
CUPRA cresce, SEAT perde força
A confirmar-se, será um final surpreendente para uma marca com 76 anos de história. Fundada em 1950 e integrada no Grupo Volkswagen desde os anos 80, a SEAT tornou-se uma das marcas mais importantes do grupo na Europa, graças a modelos como o Ibiza, Leon e Arona.
No entanto, a situação mudou significativamente desde que a CUPRA, inicialmente uma divisão desportiva da SEAT, se tornou uma marca independente em 2018.
Os números ajudam a explicar a mudança de estratégia. Em 2025, SEAT e CUPRA venderam juntas 586.300 veículos, mas enquanto as vendas da CUPRA cresceram 33%, as da SEAT caíram 17%. A Volkswagen pretende agora que a CUPRA consiga atingir, sozinha, entre 500.000 e 600.000 unidades vendidas por ano.
Outro sinal evidente está na eletrificação. A CUPRA tem recebido novos modelos e investimentos, incluindo o futuro Raval, enquanto a SEAT continua sem um modelo elétrico de produção. Numa altura em que a Volkswagen acelera a transição para os veículos elétricos, esta diferença de tratamento torna-se cada vez mais evidente.

Volkswagen enfrenta uma enorme reestruturação
O possível desaparecimento da SEAT acontece num momento particularmente difícil para a Volkswagen. O grupo está a preparar uma profunda redução de custos, que poderá incluir o encerramento de fábricas na Alemanha e uma redução significativa da capacidade de produção.
A Volkswagen pretende passar de uma capacidade anual de cerca de 12 milhões para nove milhões de veículos, enquanto enfrenta vendas mais fracas na China, maior concorrência, tarifas e os elevados custos associados à eletrificação.
Neste contexto, a SEAT parece estar a perder espaço para a CUPRA. Curiosamente, ainda em janeiro, a Volkswagen falava de forma positiva sobre o futuro da marca, na sequência da atualização do Ibiza e do Arona. Agora, poucos meses depois, surge um cenário bastante diferente.
Ainda não há confirmação oficial
Apesar da informação divulgada, a Volkswagen não confirmou oficialmente o fim da SEAT. A SEAT/CUPRA afirmou que o Grupo Volkswagen está atualmente a trabalhar num plano de transformação para melhorar a competitividade e eficiência das suas operações, acrescentando que não foram tomadas quaisquer decisões estratégicas definitivas relativamente à SEAT.
Por isso, oficialmente, a marca continua de pé. Mas, caso o documento divulgado esteja correto, o futuro parece cada vez mais limitado.
Se o plano avançar, a SEAT não desaparecerá de um dia para o outro. A transição deverá ser gradual ao longo dos próximos três anos, enquanto a CUPRA assume cada vez mais importância dentro do grupo. Depois de 76 anos de história, 2029 poderá ser o ano em que a SEAT deixa definitivamente de existir como marca automóvel.

