A Fórmula 1 registou um aumento significativo na sua audiência, com 830 milhões de pessoas a seguirem as corridas, representando um aumento de 64% desde 2018. Este crescimento notável coincide com a era pós-Ecclestone sob a liderança da Liberty Media, que conseguiu atrair um público mais jovem, com 43% dos seguidores agora abaixo dos 35 anos e 42% do público a ser feminino, sendo que três quartos dos novos fãs são mulheres.
Esses números, embora sejam um triunfo para a Liberty, também geraram um debate sobre a forma como a Fórmula 1 deve equilibrar as expectativas do novo público com as necessidades dos fãs mais antigos. A preocupação é que ao focar demasiado na nova audiência, se possa alienar os fãs de longa data que são a base sólida do desporto. Durante a era de Bernie Ecclestone, a abordagem era diferente, centrando-se na maximização das audiências nas transmissões. Ecclestone chegou a afirmar que os jovens não teriam interesse em marcas como a Rolex, pois não poderiam pagar por elas, mas esta visão mudou radicalmente.
Liam Parker, responsável pela comunicação da Fórmula 1, esclareceu que a estratégia da Liberty não é uma americanização, mas sim uma modernização. A gestão anterior focava em restringir o acesso ao conteúdo, enquanto a nova liderança abraçou as redes sociais como uma oportunidade para expandir a audiência. Parker afirmou que a abertura das plataformas sociais e o sucesso do programa “Drive to Survive” da Netflix foram fundamentais para a transformação do público, embora não sejam a única solução.
A Fórmula 1 tem conseguido satisfazer diferentes segmentos de fãs, oferecendo uma variedade de conteúdos que vão desde vídeos curtos no TikTok até análises técnicas detalhadas. Esta diversidade permite que todos os tipos de fãs encontrem algo que os cative, sem que um tipo de conteúdo exclua o outro.
Contudo, a F1 enfrenta o desafio de decidir quais mudanças implementar, especialmente no que diz respeito às novas regras para 2026, que dividem opiniões entre os fãs. Enquanto alguns apreciam a ação das ultrapassagens, outros criticam a artificialidade das mesmas. Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, enfrentou críticas ao tentar abordar as preocupações dos fãs mais antigos, mas Parker defendeu que a sua intenção não era desmerecer os apaixonados pelo desporto, mas sim reconhecer que há uma audiência diversa com interesses diferentes.
Parker salientou que a essência da Fórmula 1 deve permanecer intacta, onde os melhores pilotos e carros prevalecem. A evolução da experiência dos fãs em corridas não deve comprometer a integridade do desporto. Com o aumento da concorrência de outros desportos, a Fórmula 1 precisa de continuar a evoluir para garantir que não é deixada para trás, preservando ao mesmo tempo a sua base de fãs tradicional. O futuro da Fórmula 1 pode depender da capacidade de atrair e manter esta audiência diversificada, sem perder de vista as suas raízes.

