V8, caixa manual e fibra de carbono: a McLaren recupera o sonho proibido de Bruce McLaren

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A McLaren decidiu viajar quase 60 anos para recuperar um dos projetos mais especiais da sua história. Chama-se McL 6GT e é um protótipo que presta homenagem ao M6GT criado por Bruce McLaren em 1969. Mas há aqui algo muito mais interessante do que uma simples homenagem: a marca já confirmou que esta ideia vai dar origem a um novo superdesportivo de produção limitada em 2028.

Apresentado durante a Monterey Car Week, na Califórnia, o McL 6GT recupera a filosofia do projeto original, mas transporta-a para os tempos modernos. A receita é simples e, nos dias que correm, quase parece uma provocação: construção integral em fibra de carbono, motor V8, tração traseira e uma caixa de velocidades manual.

A McLaren não utiliza uma transmissão deste género num dos seus automóveis de estrada desde o lendário F1, apresentado em 1992. Num mundo onde os superdesportivos estão cada vez mais dependentes de caixas automáticas, sistemas híbridos e eletrónica, a marca britânica decidiu voltar ao básico: o condutor, a máquina e uma ligação mecânica direta entre os dois. E a inspiração vem de Bruce McLaren.

Em 1969, o fundador da marca queria transformar a experiência adquirida nas pistas com o M6A Can-Am num automóvel que pudesse ser conduzido todos os dias. O resultado foi o M6GT, um supercarro extremamente baixo, leve e rápido que Bruce chegou mesmo a utilizar nas suas deslocações para a fábrica e para as corridas.

O plano era ainda mais ambicioso. McLaren pretendia criar uma versão de competição para o Grupo 4 e chegar às 24 Horas de Le Mans. Para isso seriam necessários 50 exemplares, mas o projeto acabou abruptamente quando Bruce McLaren morreu, em 1970, num acidente durante os testes de um M8D Can-Am em Goodwood. Tinha apenas 32 anos.

O M6GT acabou por nunca chegar a cumprir o sonho do seu criador. Foram construídos apenas alguns exemplares, incluindo um para o próprio Bruce McLaren e outros dois chassis produzidos pela Trojan.

Quase seis décadas depois, a McLaren decidiu pegar nessa história e tentar finalmente terminá-la.

O McL 6GT mantém a filosofia do original, mas com tecnologia que Bruce McLaren dificilmente poderia imaginar. O monocoque e a carroçaria são construídos em fibra de carbono, o motor é um V8 e a potência é enviada exclusivamente para as rodas traseiras através de uma caixa manual.

Até o interior segue esta filosofia. Em vez de transformar tudo num enorme ecrã, a McLaren aposta em comandos físicos, materiais como fibra de carbono e alumínio maquinado e numa abordagem muito mais mecânica. O seletor da caixa manual é particularmente especial, incorporando uma representação tridimensional do Speedy Kiwi, símbolo histórico da marca.

Por fora, a ligação ao M6GT também é evidente. A silhueta baixa e alongada foi reinterpretada com recurso à moderna engenharia aerodinâmica da McLaren, enquanto o tejadilho se prolonga até à cobertura do motor, criando uma linha contínua.

O chamado Racing Loop, inspirado nos grupos óticos do M6GT original, também regressa, agora integrado numa carroçaria completamente moderna. Há ainda referências diretas a Bruce McLaren espalhadas pelo automóvel, incluindo a sua assinatura no compartimento do motor. E esta história não começou agora.

Recentemente, a McLaren Special Operations apresentou em Goodwood uma reconstrução extremamente fiel do M6GT original, utilizando um chassis de M6A, moldes da carroçaria encontrados no Reino Unido e uma mistura de componentes restaurados e peças novamente fabricadas. O carro mantém o V8 Chevrolet small-block e a caixa manual de cinco velocidades, com cerca de 370 cv.

O novo McL 6GT é, portanto, muito mais do que um exercício de estilo. É a tentativa da McLaren de concretizar, finalmente, um sonho que Bruce McLaren deixou por cumprir.

A marca ainda não revelou todos os detalhes técnicos do futuro modelo, mas já sabemos o mais importante: será produzido em número limitado e deverá chegar em 2028.

Quase 60 anos depois do M6GT original, a McLaren parece finalmente preparada para acabar aquilo que Bruce começou.

E se há uma coisa que torna este McL 6GT especialmente interessante, é saber que, num mundo dominado por supercarros automáticos e eletrificados, a McLaren decidiu olhar para trás para avançar.

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