VW ponderou lançar um ID. Buzz a gasolina para resolver um dos seus maiores problemas

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A Volkswagen chegou a estudar uma solução inesperada para tornar o ID. Buzz mais apelativo em alguns mercados: equipar a icónica carrinha elétrica com um pequeno motor a gasolina destinado exclusivamente a aumentar a autonomia.

A revelação foi feita por Stefan Mecha, responsável pela Volkswagen Veículos Comerciais, numa entrevista à publicação australiana GoAuto, confirmando que a marca analisou a possibilidade de desenvolver uma versão EREV (Extended Range Electric Vehicle) do ID. Buzz, numa tentativa de responder à persistente “ansiedade de autonomia” que continua a afetar muitos clientes.

Apesar de o modelo estar a registar bons resultados na Europa, a situação nos Estados Unidos é bastante diferente. Em 2025, a Volkswagen entregou cerca de 60.700 unidades do ID. Buzz em todo o mundo, tornando-o no oitavo elétrico mais vendido do Grupo VW. No entanto, apenas 6.140 unidades foram comercializadas no mercado norte-americano, um desempenho abaixo das expectativas.

A situação acabou mesmo por levar a Volkswagen a tomar uma decisão pouco habitual: cancelar o MY de 2026 nos Estados Unidos e prolongar a comercialização das unidades de 2025 até ao regresso do modelo em 2027.

Entre os fatores que poderão ter condicionado a procura estão a autonomia relativamente modesta da versão de tração traseira, que oferece cerca de 377 quilómetros, e um preço de entrada superior 50 mil euros.

Perante este cenário, a marca chegou a analisar a possibilidade de introduzir um pequeno motor a combustão que funcionaria apenas como gerador, carregando a bateria e aumentando significativamente a autonomia total do veículo.

Contudo, a ideia acabou por ser abandonada devido a limitações técnicas. Segundo Stefan Mecha, a arquitetura do ID. Buzz não oferece espaço suficiente para integrar um motor de combustão.

O modelo assenta na plataforma MEB, desenvolvida exclusivamente para veículos elétricos, e a curta secção dianteira do veículo não permite acomodar um sistema deste tipo sem profundas alterações estruturais.

Apesar de o projeto não ter avançado, isso não significa que o Grupo Volkswagen tenha abandonado a ideia dos elétricos com extensor de autonomia.

Recentemente, o construtor apresentou na China o Volkswagen ID. Era 9X, um grande SUV de seis lugares equipado com um motor 1.5 a gasolina utilizado exclusivamente para gerar eletricidade. Além disso, a nova marca Scout também irá lançar nos Estados Unidos versões EREV dos futuros Traveler e Terra.

Segundo informações avançadas no final do ano passado, o Grupo Volkswagen estará igualmente a estudar a introdução desta tecnologia na Europa e nos EUA, especialmente tendo em vista a futura plataforma SSP, que deverá substituir gradualmente todas as atuais arquiteturas elétricas do grupo.

Esta nova plataforma, prevista para estrear em modelos de produção a partir de 2028, foi desde o início concebida para poder integrar motores a combustão utilizados apenas como geradores, abrindo a porta a uma nova geração de veículos elétricos com autonomia alargada.

Embora o ID. Buzz nunca venha a receber esta solução, a verdade é que a Volkswagen reconheceu internamente que um sistema deste tipo poderia ter ajudado a tornar a sua carrinha elétrica mais competitiva, sobretudo em mercados onde a infraestrutura de carregamento continua a ser um obstáculo à adoção dos veículos elétricos.

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