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Tesla no topo, Fiat e Opel no fundo: os donos revelam quais são os elétricos que menos recomendam

Publicado a 24 de Outubro de 2026, 09h00  ·  Atualizado a 24 de Outubro de 2026, 10h10  ·  4 min de leitura

O essencial

  • Um estudo da Uscale analisou a satisfação de proprietários de elétricos na Alemanha, Áustria e Suíça.
  • Tesla, Xpeng e Porsche lideram em recomendações entre donos de carros elétricos.
  • Fiat e Opel são as marcas com mais opiniões negativas entre os proprietários de elétricos.
  • Software, aplicações móveis e navegação são fatores cada vez mais importantes na satisfação.

O software, as aplicações móveis e os sistemas de navegação estão a pesar cada vez mais na satisfação dos condutores de carros elétricos. Um estudo realizado na Alemanha, Áustria e Suíça coloca a Tesla, a Xpeng e a Porsche entre as marcas mais recomendadas, enquanto Fiat, Opel e MG enfrentam dificuldades para conquistar os próprios clientes.

Comprar um carro elétrico já não é apenas uma questão de autonomia, potência ou tempo de carregamento. Hoje, a experiência digital pode fazer toda a diferença entre um proprietário que recomenda o seu automóvel a toda a gente e outro que não voltaria a fazer a mesma escolha. É essa uma das principais conclusões do mais recente estudo do instituto Uscale, que ouviu mais de 4.000 condutores e traçou um retrato das marcas que melhor convencem — e das que deixam mais dúvidas — no universo dos elétricos.

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Os resultados trazem boas notícias para a Tesla, a Xpeng e a Porsche, que se destacam pela capacidade de oferecer uma experiência tecnológica convincente. No extremo oposto, aparecem marcas como a Fiat, a Opel, a MG e a Leapmotor, com dificuldades em transformar a posse de um elétrico numa experiência suficientemente positiva para merecer uma recomendação entusiástica.

Fiat e Opel no fundo da classificação

Fiat e Opel são as que mais desiludem

Entre as marcas analisadas, Fiat e Opel são os casos mais preocupantes: segundo o estudo, são as únicas em que as opiniões negativas ultrapassam as avaliações positivas dos proprietários. A MG, apesar de ter uma presença consolidada no mercado dos elétricos, também surge entre as marcas menos recomendadas.

A lista das marcas que não conseguem convencer tantos clientes como seria desejável inclui ainda a Leapmotor, a BYD e a Genesis. Isto não significa, necessariamente, que todos os seus modelos sejam maus automóveis, mas revela que a experiência global proporcionada aos proprietários está aquém da oferecida por alguns dos principais concorrentes.

No outro lado da classificação, a Tesla continua a beneficiar de uma forte reputação entre os utilizadores, acompanhada pela Xpeng, pela Porsche e pela Skoda. A eficiência dos sistemas digitais, a facilidade de utilização e a capacidade de planear viagens surgem como fatores importantes para explicar estas diferenças.

O software deixou de ser opcional

O problema já não é apenas a autonomia

Durante muito tempo, a conversa sobre carros elétricos girou sobretudo em torno dos quilómetros que conseguiam percorrer com uma carga e da disponibilidade de postos de carregamento. Esses temas continuam a importar, mas as queixas identificadas pela Uscale mostram que as expectativas dos condutores evoluíram.

Agora, as aplicações móveis que falham, os sistemas de infoentretenimento lentos e os erros de software podem comprometer seriamente a satisfação com um automóvel. Num mercado em que os clientes estão habituados à rapidez e à simplicidade dos smartphones, interfaces pouco intuitivas ou serviços digitais pouco fiáveis tornam-se difíceis de aceitar.

O planeamento de viagens longas é outro dos pontos sensíveis. Um bom elétrico não deve limitar-se a indicar o destino: precisa de ajudar a calcular as paragens para carregamento, adaptar o percurso às necessidades da viagem e tornar todo o processo simples. Quando a navegação integrada não inspira confiança, os condutores acabam por recorrer a aplicações externas, complicando uma experiência que deveria ser mais fluida.

Também a ergonomia e a qualidade percebida contam. Mesmo quando o preço é competitivo e os consumos são reduzidos, como pode acontecer nos elétricos mais pequenos da Fiat, os compromissos na utilização diária podem acabar por pesar na avaliação final.

Tesla continua a ganhar pontos fora da estrada

A posição da Tesla é particularmente interessante porque mostra que a satisfação não depende apenas das características físicas do automóvel. A integração entre navegação, gestão de carregamento e funcionalidades digitais pode ajudar a compensar a idade de alguns modelos da marca, mantendo uma experiência de utilização que muitos proprietários valorizam.

É uma lição importante para os fabricantes tradicionais e para os novos concorrentes: lançar um automóvel elétrico competitivo em termos de preço e autonomia já não chega. É necessário garantir que o software funciona bem, que as aplicações são fiáveis e que o condutor consegue utilizar as principais funcionalidades sem complicações.

A tecnologia deixou, assim, de ser apenas um argumento comercial para passar a fazer parte da qualidade essencial do automóvel.

Resultados limitados geograficamente

Há, contudo, um detalhe importante nos resultados

Antes de tirar conclusões definitivas, importa olhar para o âmbito do estudo. A análise da Uscale incide exclusivamente sobre os mercados da Alemanha, Áustria e Suíça, pelo que os resultados não podem ser automaticamente extrapolados para Portugal ou para o conjunto da Europa.

A popularidade histórica de marcas como a Skoda e a sua forte implantação regional podem influenciar a classificação. Da mesma forma, as diferenças na presença comercial e na relação dos consumidores com cada fabricante condicionam a leitura dos resultados.

Ainda assim, a mensagem é clara: num carro elétrico, a experiência digital pode ser tão importante como a autonomia ou o preço. E, se algumas marcas já perceberam que um bom software ajuda a fidelizar clientes, outras continuam a arriscar perder recomendações — e futuras vendas — por causa de aplicações que falham e sistemas que não acompanham as expectativas dos condutores.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  701 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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