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Stellantis aposta nas baterias LFP para baixar o preço dos elétricos

Publicado a 1 de Novembro de 2026, 17h00  ·  5 min de leitura

O essencial

  • Stellantis aposta em baterias LFP para reduzir custos dos elétricos na Europa, começando em 2026.
  • Baterias LFP podem ser 40% mais baratas que NMC, mas têm menor densidade energética.
  • FIAT 500e com bateria LFP deverá custar cerca de 20 mil euros em 2027.
  • Gigafábrica Stellantis-CATL em Saragoça, Espanha, com capacidade de 50 GWh a iniciar em 2026/2027.

Baterias LFP para reduzir custos

O preço continua a ser um dos maiores obstáculos à popularização dos automóveis elétricos. E a Stellantis acredita ter encontrado uma forma de reduzir essa barreira: apostar em baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), uma tecnologia significativamente mais económica do que as tradicionais baterias de níquel-manganês-cobalto (NMC).

A mudança foi confirmada por Antonio Filosa, administrador-delegado da Stellantis, durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre. O responsável não revelou quais serão os modelos abrangidos, mas garantiu que a utilização de baterias LFP será alargada a «muitos» dos automóveis elétricos comercializados pelo grupo na Europa, com a implementação a começar já no próximo ano.

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O objetivo é claro: reduzir os custos de produção e, sempre que possível, fazer chegar essa poupança ao consumidor através de preços de venda mais competitivos.

Baterias LFP podem custar menos 40%

A principal vantagem da tecnologia LFP está no custo. De acordo com a Agência Internacional de Energia, as células de fosfato de ferro-lítio podem ser cerca de 40% mais baratas do que as células NMC.

A diferença é particularmente relevante quando falamos de baterias com capacidades elevadas, cujo custo representa uma parcela importante do preço final de um automóvel elétrico. Além disso, as baterias LFP dispensam matérias-primas como o cobalto e o níquel, reduzindo a exposição dos fabricantes à evolução dos preços destes materiais.

Mas há compromissos. As baterias LFP apresentam, em geral, uma densidade energética inferior à das NMC. Isto significa que, para conseguir uma autonomia semelhante, poderá ser necessário instalar uma bateria com maior capacidade e, consequentemente, mais pesada.

Ainda assim, para automóveis urbanos e modelos de acesso, nos quais o preço é especialmente importante e nem sempre são necessárias autonomias muito elevadas, a tecnologia pode representar uma solução particularmente interessante.

FIAT 500e poderá custar cerca de 20 mil euros

FIAT 500e aposta nesta tecnologia

Um dos primeiros modelos a beneficiar desta estratégia deverá ser o FIAT 500e. A marca italiana estará a preparar para 2027 uma nova versão equipada com bateria LFP, com o objetivo de reduzir significativamente o preço de entrada na gama.

A meta passa por aproximar o preço dos 20.000 euros em alguns mercados europeus, um valor que colocaria o pequeno elétrico italiano numa posição mais competitiva.

Atualmente, o 500e mais acessível surge no configurador da marca por 27.850 euros, mediante financiamento. Esta versão hatchback utiliza uma bateria de 42 kWh e um motor elétrico com 118 CV Para quem pretenda comprar o automóvel sem recorrer a financiamento, o preço indicado sobe para 29.353 euros.

A diferença entre os valores atuais e a meta anunciada é expressiva. No entanto, ainda não são conhecidos os detalhes técnicos da futura variante LFP, nomeadamente a capacidade da bateria, a potência do motor ou a autonomia. Também não está confirmado se o preço de 20 mil euros será aplicável em Portugal.

Nova plataforma STLA One também promete reduzir custos

A estratégia de redução de custos da Stellantis não passa apenas pelas baterias. O grupo prepara igualmente a introdução da nova arquitetura STLA One, destinada a automóveis dos segmentos B, C e D.

O primeiro modelo associado a esta plataforma deverá ser a próxima geração do Peugeot 208, um elétrico que poderá beneficiar desde o início das vantagens da tecnologia LFP.

Segundo os dados divulgados, a STLA One permitirá reduzir os custos de produção em cerca de 20%, graças a uma menor complexidade técnica e à reutilização de um maior número de componentes. A combinação de uma plataforma mais económica com baterias de menor custo poderá ser determinante para desenvolver elétricos com preços mais próximos dos automóveis com motores de combustão.

A necessidade de encontrar estas poupanças é evidente. No terceiro trimestre, a Stellantis registou um prejuízo operacional de 311 milhões de euros na Europa, num contexto em que os fabricantes continuam pressionados pela concorrência, pelos custos industriais e pela transformação tecnológica do setor.

Espanha vai produzir parte das novas baterias

Produção local e crescimento europeu

A expansão da tecnologia LFP na gama europeia da Stellantis será acompanhada pelo reforço da produção local de baterias. Para isso, o grupo estabeleceu uma parceria com a chinesa CATL, com quem está a construir uma gigafábrica na região de Saragoça, em Espanha.

O investimento previsto ascende a 4,1 mil milhões de euros, estando a unidade projetada para alcançar uma capacidade de produção anual de 50 GWh. O arranque da produção está previsto para o final de 2026 ou início de 2027, de acordo com o calendário divulgado.

A fábrica será propriedade de uma empresa conjunta entre a Stellantis e a CATL e deverá desempenhar um papel importante no abastecimento de baterias LFP aos modelos produzidos na Europa.

A aposta nesta química não é exclusiva da Stellantis. O Grupo Renault já introduziu baterias LFP no Mégane E-Tech e anunciou a sua utilização em versões de acesso dos Renault 4 e Renault 5. Também a Mercedes-Benz e a Volvo recorrem a esta tecnologia em algumas das suas propostas elétricas mais acessíveis.

A tecnologia LFP está a ganhar terreno na Europa

A evolução da quota de mercado confirma que as baterias LFP estão a conquistar espaço. Segundo os dados apresentados, esta química representava apenas 5% das baterias utilizadas nos automóveis elétricos na Europa no final de 2024, tendo aumentado para 13% em 2025.

Na China, o cenário é bastante diferente: as baterias LFP já representam cerca de 81% do mercado, beneficiando de uma cadeia de produção consolidada e de uma utilização alargada por parte dos fabricantes locais.

A Stellantis quer agora acelerar esta transição na Europa. A intenção não é necessariamente substituir todas as baterias NMC, mas utilizar a tecnologia mais adequada a cada modelo e posicionamento comercial.

A estratégia poderá ser especialmente importante nos elétricos mais pequenos, onde cada redução de custos conta para tornar o preço final mais competitivo. Se a promessa se concretizar, o FIAT 500e poderá ser um dos primeiros exemplos de uma nova geração de automóveis elétricos mais acessíveis.

Afinal, a próxima grande batalha dos elétricos poderá não passar apenas por oferecer mais autonomia ou potência, mas sobretudo por conseguir vender tecnologia elétrica a preços que estejam ao alcance de um número muito maior de condutores.

Ficha técnica

Bateria actual FIAT 500e
42 kWh
Potencia actual FIAT 500e
118 CV
Preco actual FIAT 500e
27.850 € (com financiamento)
Preco actual FIAT 500e sem financiamento
29.353 €
Preco alvo FIAT 500e LFP 2027
cerca de 20.000 €
Reducao de custos STLA One
cerca de 20%
Capacidade gigafábrica Saragoça
50 GWh anuais
Investimento gigafábrica
4,1 mil milhões de euros

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  749 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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