A SIVA|PHS, importador para Portugal da Skoda, convidou a imprensa lusa para uma apresentação dos seus resultados relativos a 2025, assim como para dar a conhecer as perspetivas de evolução da marca, quer no nosso país, quer a nível global, e tanto para o ano já em curso, como num prazo mais alargado. Um encontro que, logo à partida, só poderia correr de feição para a casa de Mladá Boleslav, tendo em conta o seu desempenho no ano que há pouco findou, e o que se prevê venha a ser nos próximos tempos.
Começando por 2025, três destaques principais. Por um lado, as vendas globais regressaram a valores “pré-pandemia da COVID-19”, concretamente de 1 430 900 automóveis (aumento de +12,7% face aos 926 600 entregues em 2024). Por outro, a Skoda ficou no terceiro lugar no ranking das marcas mais vendidas na Europa (atrás de Toyota e VW, e na frente de BMW, Renault, Mercedes-Benz, Audi, Peugeot, Dacia e Hyundai).
Ao mesmo tempo, registou-se uma forte aceleração do ritmo rumo à eletrificação: o Elroq, mesmo tendo sido lançado decorria já o primeiro trimestre de 2025, foi o segundo automóvel totalmente elétrico mais vendido na Europa, e o renovado Enyaq o décimo, para um total de 174 900 exemplares vendidos neste domínio, a que corresponde um crescimento de 119,8% relativamente ao ano anterior. Valores que atestam bem da aceitação do novo familiar compacto 100% elétrico checo, sendo ainda importante sublinhar que um em cada quatro automóveis vendidos pela Skoda no Velho Continente, no ano passado, foi totalmente elétrico ou híbrido plug-in.
Por regiões, 836 200 automóveis vendidos na Europa (+9,9% do que em 2024), sendo este o principal destino dos modelos da Skoda – dos quais 599 300 foram matriculados na Europa Ocidental (+11,4%), 205 555 na Europa Central (+7,05%), e 53 800 na Europa de Leste (+5,9%). Na Índia, onde a marca possui produção própria, as vendas atingiram 70 600 unidades (+96,1% do que em 2024); na China 15 000 (-14,5%, o único mercado em que a Skoda regrediu por comparação com o ano passado); e nas restantes regiões do globo no seu conjunto 99 800 exemplares (+8,3%).

No mercado português, e, ainda, em 2025, a Skoda entregou 5526 automóveis (com Elroq e o Enyaq a representarem 10% do total), isto é, mais 1200 (+29%) do que no ano precedente, para uma quota de mercado de 2,5% (mais 0,5 pontos percentuais). A rede de concessionários foi responsável por 70% das vendas, 20% das quais destinadas a clientes particulares. Um resultado para que também contribuiu um aumento de 32% do investimento em marketing, espelhado, igualmente, nos valores recorde alcançados nos índices de satisfação do cliente (sinal claro da respetiva fidelização), e no crescimento consistente registado nos principais indicadores de marketing.
Interessante será, também, conhecer alguns dados que ilustram o percurso da Skoda no período 2020-2025 em Portugal. Não só as vendas aumentaram de 1300 para 5400 unidades (+415%), como o preço de transação médio evoluiu 33%, para €33 000. Indicador (muito) importante para o desempenho financeiro da operação, que Luís Mateus, Diretor Geral da Skoda em Portugal, ajuda a descodificar: representa uma mudança não só no perfil dos clientes, como na quantidade e tipologia dos automóveis lançados, e adquiridos, sendo sinal do processo de transformação e de crescimento da marca, que passou a “entrar em novos territórios e em segmentos cada vez mais elevados”, ou seja, a vender mais automóveis em segmentos mais altos, naturalmente com preços de venda, e margens de lucro, mais elevadas.
Quanto a 2026, e também graças a indicadores macroeconómicos, na sua maioria, previsivelmente favoráveis para o nosso país, os responsáveis da Skoda creem que o mercado automóvel português se mantenha relativamente estável, antevendo-se um ligeiro crescimento, na ordem dos 1,3%, face a 2025, para 225 000-230 000 unidades, valores em linha com os de 2018, antes do surgimento da COVID-19. Como é, há muito, da tradição em Portugal, as empresas e os operadores de rent-a-car continuarão a ser os principais compradores de automóveis novos, mesmo que a ambição da marca checa seja continuar a crescer junto dos clientes particulares.
Por tipo de motorização, os modelos a gasolina deverão assegurar 31,5% das matrículas, os 100% elétricos 22,1% (muito devido dos incentivos fiscais de que beneficiam, sobretudo quando adquiridos por empresas), os híbridos plug-in 15,1%, os híbridos 18%, os capazes de consumir GPL 7,5%, e os Diesel 5,8%. A este propósito, a Skoda afirma que os motores a gasóleo não irão desaparecer enquanto as exigências da clientela o justifiquem, ainda que reservados a gamas específicas, aquelas em que é mais provável existir maior procura pelos mesmos.

No médio prazo, as ambições da Skoda, em linha com o plano estratégico Next Level 2030, também são de monta, desde logo devido ao reforço da vertente da eletrificação, decorrente do seu compromisso de oferecer soluções sustentáveis, mas sem abandonar as opções mais convencionais, como as motorizações térmicas ou mild hybrid. Aliás, com a procura a crescer neste particular, a Skoda (como a maioria das marcas do Grupo VW) prepara já a chegada de novas motorizações híbridas, o que se espera ocorra em 2027.
Não menos importantes serão os novos modelos a lançar nos próximos anos, nomeadamente o Epiq e o Peaq, já em 2026: dois SUV 100% elétricos, mas com posicionamentos diametralmente opostos – um mais compacto e urbano, o outro de dimensões mais generosas, e capaz de transportar até sete ocupantes. Sendo, igualmente, muito aguardada a versão de produção do protótipo Vision O concept, revelado na passada edição do Salão de Munique, uma carrinha 100% elétrica que, de algum modo, antecipa a próxima geração do Octavia.
Em 2030, no mercado luso, a Skoda ambiciona vender cerca de 9000 automóveis (face aos cerca de 1300 em 2020), e conquistar uma quota de mercado superior a 4,0%. Para tal, a par da qualidade do próprio produto (centrado no cliente, e na conquista de novos “territórios”), e do posicionamento da marca em face do que se prevê, e pretende, seja o futuro da mobilidade, serão decisivos outros fatores. Concretamente, um modelo de negócio assente num crescimento sustentado, e totalmente integrado num mais evoluído sistema digital multicanal; uma ainda maior taxa de fidelização, para que será fundamental exceder as expetativas dos compradores; e uma rede comercial sólida, composta por parceiros fiáveis e de grande responsabilidade, ao nível tanto do retalho, como do serviço pós-venda.
Dado interessante, e que espelha a trajetória do construtor checo nos últimos anos, a sua valorização enquanto marca. Segundo um estudo realizado pela Interbrand, que avalia o valor de várias marcas a nível mundial, a Skoda é das que tem registado um maior crescimento: nada menos do que 94% no período 2020-2025, de 1,8 mil milhões de euros para 3,5 mil milhões de euros. O objetivo, agora, é, até 2030, crescer mais 72%, e chegar aos 6,6 mil milhões de euros, o que, a concretizar-se, significará um crescimento de 366% no espaço de não mais do que uma década.








