Revolução na Porsche: novos SUV e superdesportivo a caminho
O essencial
- A Porsche vai reduzir em 20% o número de variantes e aumentar o volume médio de vendas por variante.
- Os futuros 718 Boxster e Cayman serão exclusivamente elétricos, sem versões com motor boxer de seis cilindros.
- Novo SUV compacto abaixo do Macan chegará em 2028 com motores de combustão e sistemas híbridos plug-in.
- A Porsche desenvolve um superdesportivo de motor central posicionado acima do 911 com produção limitada.
A Porsche vai reduzir a complexidade da sua gama, apostar em modelos de maior valor e preparar uma nova geração de produtos. Entre as novidades estão um SUV compacto, outro acima do Cayenne e um superdesportivo de motor central.
A Porsche prepara uma profunda transformação da sua gama até 2035. A estratégia, apresentada durante o Capital Markets Day 2026 sob a designação Sportwagenschmiede ’35, prevê menos variantes, maior concentração em modelos de preço elevado e uma reorganização dos processos de desenvolvimento e produção.
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O plano poderá ter também um impacto significativo no emprego. No total, até 9.000 postos de trabalho poderão ser afetados por medidas de redução de custos, reformas, saídas negociadas e não renovação de contratos.
Ao mesmo tempo, a Porsche pretende reduzir o ponto de equilíbrio para menos de 200.000 unidades vendidas, através de uma estrutura mais eficiente e de um posicionamento de preços mais elevado.

Menos versões, modelos mais exclusivos
Uma das principais mudanças será a redução em 20% do número de variantes disponíveis na gama. A Porsche estima que esta medida permita aumentar em cerca de 30% o volume médio de vendas por variante a médio prazo.
A estratégia passa assim por concentrar recursos em modelos mais lucrativos e numa maior proporção de versões de topo.
No capítulo dos desportivos, uma das decisões mais relevantes já está tomada: os futuros 718 Boxster e Cayman serão exclusivamente elétricos. Cai, desta forma, a possibilidade de existirem versões topo de gama equipadas com o tradicional motor boxer de seis cilindros.

Novo SUV abaixo do Macan
A Porsche prepara também um novo SUV compacto, que ficará abaixo do Macan e deverá chegar em 2028.
Ao contrário do futuro 718, este novo modelo deverá manter uma abordagem multimotorização, com motores de combustão e sistemas híbridos plug-in.
A estratégia da marca não passa, portanto, por uma eletrificação total da gama. A Porsche continuará a investir em diferentes tecnologias de propulsão, adaptando-as aos vários segmentos.
Mas a ofensiva SUV não termina aqui. A marca está também a desenvolver um SUV de grandes dimensões, posicionado acima do Cayenne, que deverá ocupar um novo espaço na gama.
Superdesportivo acima do 911
Outra das grandes novidades será o desenvolvimento de uma nova plataforma para um superdesportivo de motor central, colocado acima do 911.
O projeto deverá dar origem a um modelo de elevado desempenho e produção limitada, reforçando a posição da Porsche no segmento dos superdesportivos.

Paralelamente, a marca prevê novas derivações do próprio 911, mantendo o modelo como uma das peças centrais da estratégia para os próximos anos.
A Porsche pretende ainda expandir significativamente o programa de personalização Sonderwunsch, com o objetivo de multiplicar por seis as vendas a médio prazo. As configurações especiais e séries limitadas deverão contribuir para aumentar o valor médio de cada automóvel.
Até 30% menos custos de produção
A redução de custos é outro dos pilares do plano Sportwagenschmiede ’35. A Porsche pretende reduzir em 20% os custos de desenvolvimento das futuras gerações de modelos e em 30% os custos de pessoal na produção.
A empresa vai também integrar a Porsche Engineering e a Porsche Digital numa única entidade, denominada Porsche Technologies. A intenção é concentrar competências e eliminar sobreposições nas áreas de investigação, software e serviços digitais.
Até 9.000 empregos afetados
As medidas de eficiência terão consequências na estrutura laboral da Porsche. O acordo estabelecido com os representantes dos trabalhadores prevê uma redução de até 5.000 postos de trabalho adicionais até 2035, através de reformas, rotatividade natural e não renovação de contratos temporários.
Somando medidas já anunciadas — incluindo a redução de cerca de 1.900 postos até 2029 e a saída de aproximadamente 2.000 trabalhadores com contratos temporários — a Porsche estima que até 9.000 pessoas possam ser afetadas pelas diferentes medidas.
Em paralelo, a empresa prolongará até 2035 as garantias relativas às suas fábricas na Alemanha.
Nos últimos tempos, a Porsche já vendeu as suas participações na Rimac e na Bugatti Rimac, acordou a venda da consultora MHP e encerrou as atividades da Cellforce Group, Porsche eBike Performance e Cetitec.
Combustão, híbridos e elétricos
Apesar da forte aposta nos modelos elétricos, a Porsche continuará a seguir uma estratégia de três vias de propulsão.
A empresa manterá investimentos em motores de combustão, híbridos plug-in e novas gerações de baterias, procurando adaptar a tecnologia ao tipo de veículo e ao mercado.
Financeiramente, a Porsche mantém como objetivo alcançar, a médio prazo, uma margem operacional sobre as vendas entre 10% e 15%, acompanhada por uma margem de fluxo de caixa líquido do negócio automóvel entre 9% e 12%.
A estratégia até 2035 fica assim marcada por uma fórmula clara: menos versões, maior exclusividade, novos SUV, um superdesportivo acima do 911 e uma gama 718 totalmente elétrica, sem abandonar os motores de combustão e os híbridos noutras áreas da família Porsche.
Ficha técnica
- Redução de variantes
- 20%
- Redução custos de desenvolvimento
- 20%
- Redução custos de pessoal
- 30%
- Postos de trabalho afetados
- Até 9.000
- Novo SUV compacto
- 2028
- 718 Boxster e Cayman
- Exclusivamente elétricos
- Margem operacional objetivo
- 10% a 15%
AutoGear · 573 artigos
Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.