Renault entra no mundo dos drones terrestres com o Forefront Concept
O essencial
- A Renault apresentou o Forefront Concept, o seu primeiro drone terrestre, desenvolvido em colaboração com a empresa belga John Cockerill.
- O veículo elétrico não tripulado apresenta autonomia de até 400 quilómetros e capacidade de carga útil de uma tonelada.
- Cerca de 70% dos componentes do Forefront Concept têm origem no setor automóvel, reduzindo potencialmente custos.
A Renault está a alargar a sua atividade para lá do automóvel e apresentou o Forefront Concept, o seu primeiro drone terrestre. Desenvolvido em colaboração com a empresa belga John Cockerill, especializada em tecnologia de defesa, este veículo elétrico não tripulado foi concebido para transportar equipamento e realizar missões em ambientes onde a presença de uma tripulação representaria riscos elevados.
Com dimensões próximas das de um automóvel pequeno, o Forefront Concept anuncia uma autonomia de até 400 quilómetros e uma capacidade de carga útil de uma tonelada. A arquitetura inclui dois motores elétricos, tração às quatro rodas e um sistema de direção também às quatro rodas, pensado para facilitar as manobras em espaços reduzidos e em terrenos difíceis.
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A plataforma não é blindada, uma vez que não se destina a transportar pessoas. Entre as aplicações militares previstas estão o transporte de abastecimentos, o reconhecimento, a evacuação e o apoio a operações com equipamento especializado. Os parceiros admitem também utilizações civis, nomeadamente em logística, segurança e intervenções em instalações industriais perigosas.
Tecnologia automóvel ao serviço da defesa
Tecnologia automóvel ao serviço da defesa
Um dos aspetos mais relevantes do projeto está na sua conceção industrial. Segundo as empresas envolvidas, cerca de 70% dos componentes utilizados no Forefront Concept têm origem no setor automóvel. A Renault é responsável pelo desenvolvimento da plataforma e pela integração das tecnologias de propulsão elétrica, enquanto a John Cockerill assegura os sistemas de teleoperação e as funcionalidades necessárias à utilização em contexto militar.

Esta partilha de competências permite aproveitar componentes e processos de fabrico já existentes, reduzindo potencialmente os custos e facilitando uma futura produção em maior escala. A Renault beneficia da experiência industrial do setor automóvel, enquanto a parceira belga contribui com o conhecimento específico de sistemas de defesa e controlo remoto.
Apesar de estar preparado para evoluir para níveis superiores de autonomia, o Forefront continua, nesta fase, a ser um veículo teleoperado. Ou seja, é comandado à distância e não executa autonomamente todas as suas missões.
Em avaliação pelas forças armadas francesas
Em avaliação pelas forças armadas francesas
O projeto está a ser testado com a colaboração das forças armadas francesas, nomeadamente para avaliar a mobilidade, a capacidade de ultrapassar obstáculos e o transporte de cargas. O desenvolvimento enquadra-se nas iniciativas do exército francês para integrar sistemas robotizados nas operações terrestres.
Estão previstos novos exercícios para testar o comportamento do veículo em condições mais próximas das exigências operacionais. Os resultados poderão servir de base a futuras alterações técnicas e à eventual industrialização.
Para já, a Renault e a John Cockerill não anunciaram contratos de produção, encomendas ou datas para o início do fabrico em série. O Forefront Concept permanece, por isso, um protótipo em fase de avaliação.
Mais do que uma incursão inesperada no setor militar, o projeto demonstra como as competências e a capacidade industrial dos fabricantes automóveis podem ser aproveitadas para desenvolver plataformas destinadas a outras áreas. E, neste caso, a Renault troca os passageiros por uma tonelada de carga e o volante por um comando à distância.
Ficha técnica
- Autonomia
- Até 400 quilómetros
- Capacidade de carga
- Uma tonelada
- Motores
- Dois motores elétricos
- Tração
- Quatro rodas
- Direção
- Quatro rodas
- Teleoperação
- Comandado à distância
AutoGear · 773 artigos
Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).