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ANAREC estima em mais de 10 milhões por ano o aviso Redução ISP+IVA

Publicado a 9 de Outubro de 2026, 17h36  ·  Atualizado a 10 de Outubro de 2026, 11h10  ·  4 min de leitura

Imagem que acompanha a nota da ENSE sobre o Decreto-Lei n.º 199/2026. Conteúdo não identificado pela fonte, correspondência não confirmada.

O aviso «Redução ISP+IVA», obrigatório nos postos a partir de 17 de outubro, pode custar à rede mais de 10 milhões de euros por ano, estima a ANAREC. O preço dos combustíveis não muda com a medida, e quem não cumprir arrisca coima de 1000 a 3000 euros.

O essencial

  • A partir de 17 de outubro, os postos têm de afixar junto das bombas o valor por litro da redução do ISP e do efeito no IVA, com a menção «Redução ISP+IVA».
  • Quem não afixar, ou mostrar valores falsos, incorretos ou desatualizados, fica sujeito a coima de 1000 a 3000 euros, e a fiscalização cabe à ENSE.
  • A ANAREC estima um custo superior a 10 milhões de euros por ano para a rede nacional, se os valores mudarem todas as semanas.

A partir de 17 de outubro, cada posto de abastecimento tem de mostrar, junto das bombas, quanto vale por litro a redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) e o respetivo efeito no IVA. A obrigação está no artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 199/2026, de 7 de outubro, segundo a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE).

O que muda com a Redução ISP+IVA

Posto de abastecimento da Galp em Portugal, fotografia de arquivo da Galp. Imagem apenas representativa, não mostra o aviso «Redução ISP+IVA».
Posto de abastecimento da Galp em Portugal, fotografia de arquivo da Galp. Imagem apenas representativa, não mostra o aviso «Redução ISP+IVA».

O valor a afixar é uma diferença por litro. De um lado está o ISP calculado à taxa de referência da Portaria n.º 301-A/2018, do outro o ISP à taxa que está de facto em vigor, com o IVA somado nos dois casos. A explicação é da ENSE.

A informação tem de aparecer para cada combustível vendido no posto, junto dos equipamentos de abastecimento ou nos próprios equipamentos, em local bem visível. Leva a menção «Redução ISP+IVA».

Para quem abastece, a conta no fim não muda. O aviso mostra uma redução de imposto que já está no preço por litro, e não acrescenta desconto nenhum.

Na nota que publicou a 8 de outubro, e que o AutoGear leu, a ENSE exige que os valores afixados estejam sempre corretos e atualizados. É a partir dessa exigência que os revendedores fazem as contas.

Coima de 1000 a 3000 euros

O posto que não afixar a informação fica sujeito a uma coima de 1000 a 3000 euros, de acordo com a ENSE. A mesma coima aplica-se a quem mostrar informação falsa, incorreta ou desatualizada. É a própria ENSE que fiscaliza, nas ações que faz aos postos de abastecimento.

As contas da ANAREC

Posto de abastecimento da Galp em Portugal, fotografia de arquivo da Galp. Imagem apenas representativa, não é um posto associado da ANAREC identificado pela fonte.
Posto de abastecimento da Galp em Portugal, fotografia de arquivo da Galp. Imagem apenas representativa, não é um posto associado da ANAREC identificado pela fonte.

A ANAREC, a associação que representa os revendedores de combustíveis, reagiu em comunicado a 8 de outubro. Estima que, se os valores mudarem com frequência, nomeadamente todas as semanas, cumprir a obrigação em toda a rede nacional custe mais de 10 milhões de euros por ano.

O número é uma estimativa da associação, sem carácter oficial, e depende dessa hipótese de atualização semanal. No site da ANAREC, a informação sobre a nova obrigação tem data de 8 de outubro e está reservada a associados, como o AutoGear verificou.

Quem paga o aviso

A associação considera positiva qualquer medida que aumente a transparência. Contesta, porém, que seja o revendedor a pagar a divulgação de uma medida fiscal do Estado, que descreve como “um encargo que acaba por recair diretamente sobre os revendedores”.

Há uma segunda crítica. Para a ANAREC, mostrar só a redução, sem o peso total dos impostos no preço de cada litro, dá ao aviso “uma dimensão mais política do que propriamente informativa”. No mesmo comunicado, a associação chama ao setor “um verdadeiro Cristiano Ronaldo da receita fiscal do Estado”.

A obrigação produz efeitos a 17 de outubro. A partir desse dia, o posto sem o aviso, ou com valores desatualizados, arrisca a coima.

Perguntas e respostas

Quanto pode custar aos postos o aviso «Redução ISP+IVA»?

A ANAREC estima que cumprir a obrigação em toda a rede nacional custe mais de 10 milhões de euros por ano, se os valores a afixar mudarem todas as semanas. É uma estimativa da associação dos revendedores, sem carácter oficial.

O aviso «Redução ISP+IVA» baixa o preço dos combustíveis?

Não. Segundo a ENSE, o aviso mostra a diferença por litro entre o ISP à taxa de referência e o ISP à taxa em vigor, com IVA nos dois casos. É uma redução de imposto que já está no preço por litro, e a medida não cria nenhum desconto novo.

Qual é a coima para os postos que não afixarem a redução do ISP?

A coima vai de 1000 a 3000 euros, segundo a ENSE. Aplica-se a quem não afixar a informação e a quem mostrar informação falsa, incorreta ou desatualizada. A obrigação produz efeitos a 17 de outubro de 2026 e é fiscalizada pela ENSE.

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Helena Assis

AutoGear  ·  59 artigos

Gosta de motos e de automóveis, e gosta ainda mais de perceber o negócio que os põe na estrada. Vai atrás da notícia que está por trás da notícia: a estratégia das marcas, os patrocínios, as decisões que raramente chegam aos títulos. Nos tempos livres não dispensa uma boa caminhada, para largar o stress dos estudos.

Colaboradora do AutoGear. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o AutoGear, o Motociclismo e o M Sports.

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