Range Rover prepara uma revolução na gama: dois modelos históricos vão desaparecer
O essencial
- A Jaguar Land Rover vai descontinuar a produção dos Range Rover Evoque e Velar após 2027, sem substitutos diretos previstos.
- O novo Range Rover GT assumirá o papel de modelo de entrada, com preço estimado próximo das 90.000 libras (aproximadamente 107.000 euros).
- A gama Range Rover ficará reduzida a três modelos: Range Rover GT, Range Rover Sport e Range Rover de grandes dimensões.
- O Range Rover GT será desenvolvido sobre a arquitetura EMA e chegará inicialmente ao mercado em configuração totalmente elétrica.
Range Rover abandona segmento de entrada
A Jaguar Land Rover vai acabar com a produção dos Range Rover Evoque e Velar depois de 2027. Sem substitutos diretos previstos, a marca britânica pretende concentrar-se nos modelos de luxo e aumentar a rentabilidade, mesmo que isso implique perder uma importante fatia de clientes.
A gama Range Rover está prestes a ficar consideravelmente mais exclusiva. A Jaguar Land Rover (JLR) confirmou que os Range Rover Evoque e Velar têm os dias contados e deixarão de ser produzidos depois de 2027. Uma decisão que representa uma mudança significativa na estratégia da marca britânica, sobretudo porque nenhum dos dois SUV terá um sucessor direto.
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Durante anos, o Evoque e o Velar foram fundamentais para aproximar a Range Rover de um público mais abrangente. Embora posicionados abaixo do Range Rover e do Range Rover Sport, permitiam aceder ao universo da marca com um investimento relativamente mais baixo. Essa porta de entrada está agora prestes a fechar-se.
Em declarações citadas pela Autocar, Martin Limpert, diretor-geral da Range Rover, explicou que a decisão está relacionada com o fim do ciclo de vida natural dos dois modelos, e não com a chegada de um novo automóvel destinado a ocupar o seu lugar.
Range Rover não quer substituir os modelos mais pequenos
A decisão mais reveladora não é propriamente o fim do Evoque e do Velar, mas a ausência de planos para desenvolver novos SUV de dimensões mais reduzidas e preços mais acessíveis.
A JLR parece determinada a reforçar o posicionamento da Range Rover como uma marca exclusivamente orientada para o segmento de luxo. Em vez de procurar compensar a saída dos dois modelos com novas propostas de entrada, pretende concentrar os recursos numa gama mais pequena, mas com maior potencial de rentabilidade.
Esta estratégia também ajuda a explicar a divisão cada vez mais evidente entre as diferentes marcas do grupo. Os clientes que procuram modelos mais pequenos ou acessíveis deverão encontrar alternativas nas famílias Defender e Discovery, enquanto a Range Rover fica reservada para uma clientela com maior poder de compra.
Apenas três modelos na gama Range Rover
Novo GT como modelo acessível de luxo
Depois da saída do Evoque e do Velar, a gama ficará reduzida a três propostas: o futuro Range Rover GT, o Range Rover Sport e o Range Rover de grandes dimensões.
O protagonismo passará para o novo Range Rover GT, que deverá assumir o papel de modelo de acesso à marca. Mas não será propriamente uma alternativa económica. As estimativas apontam para um preço de entrada próximo das 90.000 libras no Reino Unido, o equivalente a aproximadamente 107.000 euros.
O GT representa também uma mudança tecnológica importante. Será desenvolvido sobre a nova Arquitetura Modular Eletrificada (EMA) da Jaguar Land Rover e chegará inicialmente ao mercado numa configuração totalmente elétrica. Mais tarde, deverão surgir versões híbridas convencionais.
A aposta num modelo elétrico de posicionamento elevado mostra que a Range Rover pretende associar a sua próxima fase de crescimento à eletrificação, sem abdicar do posicionamento premium que caracteriza a marca.
Menos vendas, mas maior rentabilidade
Estratégia de volume baixo e rentabilidade alta
O desaparecimento do Evoque e do Velar poderá representar uma perda significativa de volume de vendas. Afinal, ambos desempenharam um papel importante na expansão comercial da Range Rover ao longo da última década, conquistando clientes que dificilmente começariam a sua experiência com a marca através de um modelo consideravelmente mais caro.
Ainda assim, a JLR parece disposta a aceitar essa redução. O objetivo passa por privilegiar modelos com preços mais elevados, margens de lucro superiores e uma imagem mais exclusiva.
É uma aposta que comporta riscos, sobretudo num mercado onde vários fabricantes continuam a alargar as suas gamas para chegar a novos segmentos de clientes. Mas a mensagem da Range Rover é clara: a marca não quer competir pelo maior número possível de compradores.
Quer vender menos automóveis, mas posicioná-los num patamar superior.
A saída do Evoque e do Velar marca, assim, o fim de uma fase importante na história recente da marca britânica. E deixa uma questão inevitável: até que ponto estará a Range Rover disposta a afastar-se dos clientes que ajudaram a construir o seu sucesso comercial nos últimos anos?
Ficha técnica
- Preço estimado
- Próximo das 90.000 libras (aproximadamente 107.000 euros)
- Arquitetura
- Arquitetura Modular Eletrificada (EMA)
- Configuração inicial
- Totalmente elétrica
- Versões futuras
- Híbridas convencionais
AutoGear · 804 artigos
Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).