Patente da Stellantis larga a bateria do elétrico em perigo
Na imagem, a bateria de alta tensão da plataforma elétrica STLA Large, numa imagem oficial da Stellantis de 2024. Não mostra o sistema descrito na patente. Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.stellantis.com/en/news/press-releases/2024/january/stellantis-unveils-bev-native-stla-large-platform-with-800-km-500-mile-range-and-the-ultimate-flexibility-to-cover-a-wide-spectrum-of-vehicles
Um pedido de patente da Stellantis descreve um elétrico que solta a bateria de alta tensão em caso de perigo e se afasta com a bateria de 12 V. Foi entregue pela divisão norte-americana FCA US e nada garante, para já, que chegue à produção em série.
O essencial
- A FCA US, divisão norte-americana da Stellantis, pediu a patente de um sistema que separa a bateria de alta tensão do veículo em caso de perigo.
- A bateria cai de uma estrutura própria ou é solta por fixações pirotécnicas, e a bateria de 12 V alimenta um motor elétrico que afasta o veículo.
- A Auto Motor und Sport escreve que ainda não é certo que a Stellantis leve a técnica à produção em série.
O sistema foi descrito esta terça-feira, 6 de outubro, pela revista alemã Auto Motor und Sport, que leu o pedido de patente. A ideia é afastar a bateria do veículo e dos ocupantes quando há risco de incêndio da bateria ou depois de um acidente.
Como funciona a patente da Stellantis

Segundo a publicação alemã, o sistema tem cinco componentes. São um interruptor de libertação rápida, uma unidade de controlo, um dispositivo que corta a ligação elétrica, um desacoplamento mecânico e um módulo que troca a fonte de tensão.
Quem aciona o sistema é uma pessoa. Um interruptor pode ficar no habitáculo, ao alcance de um ocupante, e outra versão prevê um segundo interruptor na mala, para quem está fora do veículo, como as equipas de socorro.
Acionado o interruptor, a unidade de controlo começa por cortar a ligação elétrica entre a bateria de alta tensão e o resto do sistema. A seguir, ou ao mesmo tempo, solta-se a ligação mecânica entre a bateria e o veículo.
Rebentam as fixações, a bateria cai

O pedido de patente descreve mais de uma forma de soltar a bateria. Numa delas a separação é só mecânica, com a bateria suspensa numa estrutura própria. Cai para o chão e o veículo passa por cima dela.
A outra usa elementos de fixação pirotécnicos, que prendem a bateria de alta tensão à estrutura do veículo e têm uma carga propulsora. Quando o sistema é acionado, são essas fixações que rebentam. A escolha entre as duas depende do desenho de cada veículo e de cada bateria, escreve a Auto Motor und Sport.
O AutoGear cruzou esta descrição com a do site norte-americano The Autopian, que escreveu sobre a mesma patente a 25 de setembro. O ponto que mais confusão pode causar é o que rebenta. Na descrição da Auto Motor und Sport, são os elementos de fixação. E The Autopian escreve que o plano é deixar cair a bateria onde o veículo está parado, em vez de a projetar.
A fuga com 12 V

Sem a bateria de alta tensão, o elétrico perde a energia que o faz andar. A patente responde com a bateria de 12 V de bordo, ligada a um motor elétrico através de um módulo conversor de tensão. Esse motor move o veículo ao longo de uma distância definida à partida, para longe da bateria que ficou no chão.
Consoante a versão, a bateria pode ser mais larga do que a via das rodas traseiras. Por isso, o veículo tem de se mover de modo a que as rodas passem por cima ou ao lado da zona que a bateria ocupava.
O que ainda não se sabe
As reivindicações da patente cobrem o sistema e também o método para separar uma bateria de alta tensão de um veículo eletrificado, segundo a revista alemã. O artigo não associa a ideia a nenhum modelo nem a nenhuma marca do grupo.
Outros construtores têm trabalhado na própria bateria. O AutoGear já contou quando a Hyundai espera ter elétricos com bateria de estado sólido e como a Porsche fabricou a primeira bateria feita com materiais 100% reciclados.
A Auto Motor und Sport escreve que ainda não é certo que a Stellantis leve esta técnica à produção em série. Nenhum dos dois artigos traz uma posição da Stellantis sobre o tema.
Leia também
- Quando chegam os elétricos com bateria de estado sólido, segundo a Hyundai?
- Porsche fabrica a primeira bateria feita 100% com materiais reciclados
Perguntas e respostas
Como funciona a patente da Stellantis que larga a bateria do elétrico?
Um interruptor, no habitáculo ou na mala, aciona uma unidade de controlo que corta a ligação elétrica da bateria de alta tensão e, a seguir ou ao mesmo tempo, a ligação mecânica ao veículo. A bateria de 12 V passa então a alimentar um motor elétrico, através de um módulo conversor de tensão, para afastar o veículo. A descrição é da revista alemã Auto Motor und Sport, que leu o pedido de patente da FCA US.
A bateria do elétrico explode neste sistema?
Não. Numa das variantes a bateria cai de uma estrutura própria por meios mecânicos. Na outra, rebentam os elementos de fixação pirotécnicos que a prendem ao veículo, e a bateria é apenas largada.
A Stellantis vai usar este sistema nos seus elétricos?
Não se sabe. A Auto Motor und Sport escreve que ainda não é certo que a Stellantis leve esta técnica à produção em série, e o artigo não associa a patente a nenhum modelo.
Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.stellantis.com/en/news/press-releases/2024/january/stellantis-unveils-bev-native-stla-large-platform-with-800-km-500-mile-range-and-the-ultimate-flexibility-to-cover-a-wide-spectrum-of-vehicles
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Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.