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O mito GTi entra na era elétrica: Peugeot E-208 custa 42.553 euros

Publicado a 11 de Outubro de 2026, 08h00  ·  4 min de leitura

O essencial

  • O Peugeot E-208 GTi chega a Portugal em janeiro de 2027 com 281 CV e preço a partir de 44.900 euros.
  • Motor elétrico com 281 CV e 345 Nm de binário permite acelerar de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos.
  • Autonomia até 375 quilómetros com pneus Hankook Ventus S1 Evo3, no ciclo WLTP combinado.
  • Chassis rebaixado em 25 mm, vias alargadas e travões de 355 mm com pinças fixas de quatro pistões.

O regresso da sigla GTi faz-se numa nova era: pela primeira vez, a Peugeot transforma o seu emblemático desportivo num modelo 100% elétrico. O novo E-208 GTi chega a Portugal em janeiro de 2027, com 281 CV, um chassis desenvolvido pela Peugeot Sport e um preço a partir de 44.900 euros.

Desenvolvido em França pelas equipas da Peugeot Sport e da Peugeot Design, o E-208 GTi procura recuperar o espírito dos míticos desportivos da marca, em particular do 205 GTi, lançado há cerca de quatro décadas. A proposta mantém-se próxima do concept apresentado em 2025 e combina dimensões compactas com uma imagem mais agressiva e um desempenho pensado para proporcionar maior envolvimento ao volante.

Desempenho desportivo electrificado

O motor elétrico debita 281 CV e 345 Nm de binário, permitindo acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 5,5 segundos. A velocidade máxima está limitada a 180 km/h. Segundo a marca, o modelo apresenta uma relação peso/potência de 5,5 kg por cavalo, enquanto a aceleração dos 80 aos 120 km/h é cumprida em 3,2 segundos.

A Peugeot Sport trabalhou também na gestão eletrónica do motor, recorrendo a conhecimentos adquiridos na competição automóvel. O objetivo foi garantir não apenas prestações elevadas, mas também a sua consistência em condições de condução exigentes.

A bateria mantém a capacidade bruta de 54 kWh do E-208, dos quais 51 kWh são utilizáveis, mas recebeu uma gestão térmica específica. O sistema de arrefecimento foi otimizado para controlar a temperatura e evitar limitações de potência quando o automóvel é sujeito a uma utilização mais intensa.

A autonomia anunciada varia consoante os pneus escolhidos. Com os Michelin Pilot Sport 4S, de série, o E-208 GTi pode percorrer até 352 quilómetros no ciclo combinado WLTP. Em alternativa, os pneus Hankook Ventus S1 Evo3, disponíveis sem custo adicional, permitem alcançar até 375 quilómetros.

Chassis e suspensão revisto

Para acompanhar o aumento de potência, o chassis recebeu várias alterações. A carroçaria foi rebaixada em 25 milímetros e as vias foram alargadas em 56 mm à frente e 28 mm atrás. As jantes de 18 polegadas, equipadas com pneus 215/40 R18, reforçam a postura desportiva, enquanto uma nova barra estabilizadora traseira e um diferencial autoblocante mecânico procuram melhorar a agilidade e a tração à saída das curvas.

A suspensão utiliza molas específicas e amortecedores exclusivos com batentes hidráulicos. A travagem fica a cargo de discos dianteiros de 355 mm, associados a pinças fixas de quatro pistões, concebidos para assegurar um desempenho consistente mesmo sob maior solicitação.

Visualmente, o E-208 GTi distingue-se pela carroçaria mais baixa, pelas vias alargadas e por vários apontamentos vermelhos que evocam a tradição GTi. As jantes perfuradas de 18 polegadas fazem uma referência direta às utilizadas pelo 205 GTi, enquanto os para-choques específicos, o spoiler dianteiro e o difusor traseiro reforçam a imagem desportiva sem comprometer a elegância do conjunto.

A assinatura luminosa de três garras, característica da Peugeot, mantém-se na dianteira e na traseira. A gama de cores inclui sete opções, entre as quais o novo Azul Miramar, além de tons como Vermelho Elixir, Branco Okénite e Amarelo Águeda.

Interior e funcionalidades

No habitáculo, o ambiente combina preto e vermelho, numa homenagem aos GTi do passado. Os bancos dianteiros desportivos, o volante compacto revestido a pele perfurada e Alcantara, os cintos vermelhos e os ecrãs digitais com grafismos específicos reforçam a identidade do modelo. O equipamento inclui ainda navegação conectada, Apple CarPlay e Android Auto sem fios e comandos de voz.

Apesar da orientação desportiva, a Peugeot procurou manter a utilização diária como prioridade. O carregamento numa Wallbox de 7,4 kW demora cerca de 4 horas e 40 minutos, enquanto numa estação rápida de corrente contínua de 100 kW é possível passar dos 20% aos 80% em menos de 30 minutos. O modelo inclui ainda planeamento de percursos com informação sobre carregamento, função V2L para alimentar dispositivos externos e controlo remoto através da aplicação MyPEUGEOT.

O novo Peugeot E-208 GTi já pode ser encomendado, com um preço de tabela a partir de 44.900 euros. Durante a fase de lançamento, os clientes particulares poderão adquiri-lo a partir de 42.553 euros. A marca disponibiliza ainda uma garantia PEUGEOT Care até oito anos ou 160.000 quilómetros, incluindo cobertura para a bateria nas condições previstas.

Com 281 CV, um chassis revisto pela Peugeot Sport e uma autonomia que pode chegar aos 375 quilómetros, o E-208 GTi representa uma nova interpretação de uma das siglas mais emblemáticas da marca francesa. Desta vez, o prazer de condução GTi chega sem motor de combustão, e com a missão de provar que a eletrificação também pode ter carácter desportivo.

Ficha técnica

Motor
Elétrico
Potencia
281 CV
Binario
345 Nm
Aceleracao 0-100 km/h
5,5 segundos
Velocidade maxima
180 km/h
Autonomia
Até 375 quilómetros (pneus Hankook) ou 352 quilómetros (pneus Michelin)
Bateria
54 kWh capacidade bruta, 51 kWh utilizáveis
Travagem
Discos dianteiros de 355 mm com pinças fixas de quatro pistões
Suspensao
Molas específicas e amortecedores com batentes hidráulicos
Preco
A partir de 44.900 euros (42.553 euros na fase de lançamento)

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  594 artigos

Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.

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