Fundada em 1996, e baseada em Küsnacht, na região de Zurique, na Suíça, a Micro Mobility Systems produz, em Turim, Itália, o quadriciclo elétrico Microlino – modelo que não é mais do que uma reinterpretação moderna do célebre Isetta, da década de 1950. Em comunicado, a empresa helvética diz-se “desconsiderada” pela União Europeia (UE), excluída dos planos de incentivos de Bruxelas para apoio à transição energética na mobilidade, e descontente e preocupada com a proposta de plano de ação da UE para o automóvel. Criticando, nomeadamente, o sistema de créditos de emissões poluentes contemplado numa iniciativa ainda à espera de aprovação, que favorece os automóveis com até 4,2 m de comprimento, e produzidos exclusivamente em fábricas instaladas nos estados-membros (nova categoria M1e).
Este plano, recorda-se, considera a atribuição de “supercréditos” nos cálculos das emissões poluentes, mas não abrange microcarros equipados com motorizações elétricas, caso do Microlino, quadriciclo enquadrado na categoria L7e. “O sistema permite que construtores com emissões de CO2 muito elevadas comprem quotas a fabricantes de automóveis elétricos, facto que já acontece, atualmente, entre grandes consórcios industriais internacionais. É uma ferramenta concebida para acelerar a transição energética, que premeia as empresas que já fazem apenas veículos com emissões zero. Excluindo-se a categoria L, as companhias que fazem microcarros não beneficiam nem dos ‘supercrédito’, nem do sistema em vigor, através do qual os fabricantes de elétricos vendem certificados de CO2 aos fabricantes que ainda dependem dos motores de combustão. Assim, todos os que investem em viaturas com consumos de energia e pesos reduzidos, e materiais sustentáveis, continuam ‘à margem’ dos benefícios”, argumenta-se.

De acordo com a Microlino, os modelos inscritos na categoria M1e também poderão beneficiar de incentivos à compra em diversos países da UE, facto que não sucede com os microcarros L7e. Para a marca, esta estratégia é injusta e está desalinhada com os objetivos de sustentabilidade ambiental perseguidos por Bruxelas. Mais: a marca também diz que este caminho penaliza os quadriciclos “Made in Europe”: “Os microcarros integram a categoria L7e, e, por isso, não beneficiam de quaisquer incentivos. Isto significa que também não recebemos subsídios, benefícios fiscais, e créditos de CO2. Enquanto os condutores de automóveis de luxo e SUV elétricos pesados podem desfrutar de apoios, os compradores do Microlino não têm direito a nada”, afirmou Wim Ouboter, da Micro Mobility System.
A empresa helvética, com este comunicado, pretende proteger a sustentabilidade da produção de quadriciclos na Europa, e, desse modo, pede à Comissão Europeia que mude o texto da proposta, e integre a categoria L7e no novo sistema de créditos de emissões. Ou desencorajam-se, inadvertidamente, as soluções mais racionais de promoção da sustentabilidade, tanto do ambiente, como da mobilidade urbana.








