Durante décadas, falar de táxis na Alemanha era quase sinónimo de falar de Mercedes. A imagem dos tradicionais Classe E de cor bege ficou profundamente ligada às estradas alemãs, mas essa relação começou a desaparecer nos últimos anos.
Agora, a Mercedes quer recuperar o espaço perdido. O problema é que, entretanto, marcas como a BYD encontraram uma oportunidade e estão a conquistar as empresas de táxis com preços muito mais agressivos.
Da liderança ao quase desaparecimento
A Mercedes chegou a representar cerca de 45% do mercado alemão de táxis em 2022. No entanto, a rentabilidade deste negócio acabou por pesar mais do que a importância histórica do segmento.
A marca decidiu reduzir drasticamente a sua aposta nos táxis, deixando espaço para os concorrentes. O resultado foi impressionante: em 2025, a Mercedes tinha já apenas 8% do mercado, com somente 72 unidades do Classe E matriculadas como táxi.
Entretanto, a Volkswagen aproveitou o espaço deixado pela rival e passou a dominar o setor, com modelos como o Passat, Caddy e Transporter. A sua quota já ultrapassa os 50%.
Mas há um novo adversário a ganhar força.
A BYD percebeu rapidamente que o mercado dos táxis pode ser uma excelente porta de entrada para conquistar clientes profissionais. O fabricante chinês está a apostar sobretudo numa política de preços agressiva, combinada com motorizações híbridas plug-in e elétricas.
Um dos melhores exemplos é o BYD Seal 6, que pode ser adquirido por profissionais do setor na Alemanha por menos de 30.000 euros, quando o preço de venda ao público ronda os 42.990 euros.
Também o Atto 3 e o Sealion 7 deverão beneficiar de condições especiais para empresas.
É uma estratégia que coloca pressão sobre fabricantes tradicionais, sobretudo numa altura em que os táxis alemães começam também a ser obrigados a abandonar progressivamente os motores exclusivamente a combustão.
Perante este cenário, a Mercedes decidiu voltar à ofensiva.
A marca está a oferecer descontos significativos aos profissionais do setor até ao final de 2026, numa tentativa de recuperar a confiança das empresas de táxis e voltar a colocar os seus modelos nas ruas alemãs.

A Classe E diesel passa a poder ser adquirida por menos de 40.000 euros, enquanto a Vito beneficia de um desconto de 18%, ao qual se junta um bónus adicional de 6.000 euros.
Para a Classe V, mais cara e luxuosa, a campanha é um pouco menos agressiva: 3% de desconto e um bónus de 5.000 euros.
E a estratégia parece estar a começar a dar resultados.
Durante os primeiros seis meses de 2026 foram matriculados 126 Mercedes Classe E por empresas de táxis, um crescimento de 75% face ao mesmo período de 2025.
A Mercedes espera chegar às 500 unidades vendidas a empresas de táxis durante todo o ano, considerando todos os modelos.
Há, no entanto, uma questão que poderá tornar-se cada vez mais importante: a eletrificação.
Algumas cidades alemãs estão a apertar as regras para a atribuição de novas licenças de táxi. Em Hamburgo, por exemplo, os novos veículos têm de cumprir requisitos de emissões zero.
É aqui que entra a nova Classe C elétrica, que poderá tornar-se uma alternativa interessante para a Mercedes recuperar terreno sem ficar dependente dos seus modelos diesel. O problema continua a ser o preço.
A Mercedes tem uma tarefa difícil pela frente: convencer os profissionais de que vale a pena pagar mais por um Mercedes numa altura em que fabricantes chineses estão a oferecer alternativas muito mais baratas e cada vez mais eletrificadas.
A marca que durante décadas foi praticamente dona das ruas alemãs terá agora de lutar para recuperar um mercado que, ironicamente, ajudou a construir.
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