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Mercedes coloca dois CLA frente a frente num teste de colisão brutal

Publicado a 26 de Outubro de 2026, 13h00  ·  Atualizado a 26 de Outubro de 2026, 15h22  ·  4 min de leitura

O essencial

  • Mercedes testou colisão lateral entre dois CLA a 56 km/h com oito manequins para avaliar segurança.
  • Bateria do CLA elétrico resistiu ao impacto lateral sem sofrer danos, desligando automaticamente o circuito.
  • Colisões laterais representam cerca de um quarto dos acidentes com vítimas, segundo dados da marca.

O ensaio de colisão de dois CLA

Dois Mercedes-Benz CLA, oito manequins e um impacto lateral a 56 km/h. A marca alemã realizou um ensaio de colisão pouco habitual para demonstrar a capacidade de proteção da nova geração do modelo. O resultado? Os habitáculos mantiveram-se intactos, os ocupantes simulados ficaram dentro dos limites biomecânicos definidos e a bateria do CLA elétrico não sofreu danos.

A segurança automóvel foi colocada à prova num cenário particularmente exigente. A Mercedes-Benz realizou um ensaio público em que dois exemplares da nova geração do CLA colidiram lateralmente a uma velocidade combinada de impacto correspondente a 56 km/h para cada veículo.

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O teste recriou um acidente num cruzamento, uma situação em que a lateral de um automóvel pode ficar particularmente exposta às forças de uma colisão. Para tornar o cenário mais próximo de um acidente real, a marca utilizou dois veículos em movimento, em vez das barreiras ou estruturas móveis habitualmente empregues nos testes convencionais.

De um lado estava um CLA Shooting Brake com motorização de combustão eletrificada. Do outro, um CLA totalmente elétrico. Ambos circulavam a 56 km/h e não travaram antes do embate.

Segundo a Mercedes-Benz, a velocidade escolhida situa-se no limite superior das velocidades observadas neste tipo de acidentes reais.

O ensaio colocou à prova a estrutura dos dois modelos, mas também os sistemas destinados a proteger os ocupantes.

No interior dos veículos estavam oito manequins de teste, conhecidos como crash test dummies, que representavam quatro adultos e quatro crianças. Cada um dispunha de até 150 pontos de medição, permitindo analisar as forças exercidas sobre diferentes partes do corpo durante a colisão.

De acordo com os dados divulgados pela marca, os valores registados permaneceram abaixo dos limites biomecânicos considerados relevantes para a avaliação do risco de lesões.

A Mercedes-Benz considera que os resultados apontam para um baixo risco de ferimentos graves ou fatais no cenário testado.

As células de sobrevivência dos dois automóveis também resistiram ao impacto sem perder a sua integridade. Os airbags foram acionados, incluindo os sistemas concebidos para reduzir o risco de contacto entre os ocupantes dos bancos dianteiros.
A bateria do CLA elétrico resistiu ao impacto

A bateria do CLA elétrico resistiu

Um dos aspetos mais importantes do ensaio foi o comportamento do CLA elétrico.

Ao contrário de uma colisão frontal, em que existe normalmente mais espaço estrutural para absorver parte da energia do impacto, uma colisão lateral coloca desafios adicionais aos engenheiros. A distância entre a zona atingida e o habitáculo é reduzida, obrigando a estrutura a gerir forças elevadas num espaço limitado.

No caso de um automóvel elétrico, existe ainda uma preocupação adicional: a proteção da bateria de alta tensão, normalmente instalada sob o piso.

Apesar de ter sido atingida lateralmente, a bateria do CLA elétrico não sofreu danos, segundo a Mercedes-Benz. O sistema elétrico desligou automaticamente o circuito de alta tensão após a colisão, reduzindo os riscos associados aos componentes elétricos.

No CLA Shooting Brake, o sistema de combustível também foi desativado automaticamente.

A marca procurou, assim, demonstrar que a proteção dos ocupantes e a segurança dos sistemas de propulsão continuam a ser prioridades, independentemente de o automóvel utilizar uma motorização elétrica ou de combustão eletrificada.
Portas acessíveis para facilitar o socorro

Portas e vidros acessíveis para socorro

A segurança de um automóvel não depende apenas da forma como protege os ocupantes durante o impacto. A facilidade de acesso ao habitáculo após um acidente também pode ser determinante para as equipas de emergência.

Neste ensaio, os puxadores exteriores das portas ficaram disponíveis depois da colisão e os vidros laterais foram abertos, facilitando o acesso ao interior dos dois veículos.

Estes elementos são particularmente importantes quando os ocupantes precisam de ser retirados rapidamente ou quando as equipas de socorro têm de avaliar a situação antes de iniciar uma operação de salvamento.

A Mercedes-Benz aproveitou ainda a demonstração para destacar o sistema Rescue Intelligence, desenvolvido para disponibilizar às equipas de emergência informações relevantes sobre o acidente antes da sua chegada ao local. O objetivo é ajudar os profissionais a preparar a intervenção e a identificar possíveis riscos.
Um teste extremo, mas com relevância para a estrada

A marca alemã sublinha que, numa situação real, os sistemas de assistência à condução dos dois CLA procurariam evitar uma colisão desta natureza ou reduzir a velocidade antes do impacto.

No entanto, estes sistemas não intervieram durante o ensaio. A intenção foi avaliar a resistência dos veículos e a proteção proporcionada aos ocupantes numa situação extrema, sem a influência de eventuais intervenções eletrónicas.

O teste ganha relevância porque as colisões laterais continuam a representar um desafio significativo para a segurança automóvel. Segundo os dados citados pela Mercedes-Benz, cerca de um quarto dos acidentes com vítimas envolve impactos laterais.

Embora os resultados divulgados sejam positivos, importa recordar que um único ensaio não permite prever o desfecho de todos os acidentes reais, cujas consequências dependem de fatores como a velocidade, o ângulo do impacto, a massa dos veículos e as características da colisão.

Ainda assim, o teste demonstra a importância de desenvolver estruturas capazes de proteger os ocupantes e sistemas que reduzam os riscos associados às baterias de alta tensão.

A mensagem da Mercedes-Benz é clara: num acidente lateral grave, não basta manter o habitáculo intacto. É igualmente essencial proteger os ocupantes, preservar os sistemas de propulsão e facilitar o trabalho das equipas de emergência.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  711 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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