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Magna quer transformar restos de maçãs em bancos dos automóveis

Publicado a 16 de Outubro de 2026, 18h00  ·  Atualizado a 16 de Outubro de 2026, 20h54  ·  4 min de leitura

O essencial

  • A Magna desenvolve material de origem biológica a partir de resíduos de maçã para revestimentos interiores de automóveis.
  • O novo material imita o couro e procura reduzir o desperdício, substituindo derivados do petróleo e couro animal.
  • A solução oferece resistência ao desgaste e permite personalização de cores, texturas e perfurações conforme o modelo.

Os resíduos da produção de sumo e sidra podem ganhar uma segunda vida no interior dos automóveis. A Magna está a desenvolver um material de origem biológica que imita o couro, numa aposta que procura reduzir o desperdício e diversificar as soluções de revestimento utilizadas pela indústria automóvel.

E se os restos de uma maçã pudessem acabar nos bancos de um automóvel? A ideia pode parecer estranha, mas é precisamente esse o caminho que a Magna está a explorar. A empresa desenvolveu um novo material para revestimentos interiores a partir de subprodutos do processamento da maçã, abrindo novas possibilidades para uma indústria cada vez mais atenta à origem das matérias-primas que utiliza.

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A novidade surge numa altura em que os fabricantes procuram alternativas ao couro de origem animal e aos revestimentos sintéticos convencionais, frequentemente produzidos com recurso a derivados do petróleo. Em vez de recorrer exclusivamente a matérias-primas tradicionais, a proposta passa por aproveitar resíduos que, de outra forma, poderiam ter uma utilização de menor valor.

O resultado é um material concebido para reproduzir o aspeto e o toque do couro, mas com uma composição que integra matérias-primas de origem biológica e recicladas.

Dos resíduos da sidra para o habitáculo

Dos resíduos da sidra para o habitáculo

A produção de sumos e sidra gera subprodutos que podem ser reaproveitados em diferentes aplicações industriais. A Magna decidiu explorar esse potencial para desenvolver uma solução destinada aos bancos dos automóveis.

O material foi concebido para responder às exigências de um habitáculo, onde os revestimentos estão sujeitos a fricção constante, variações de temperatura e utilização intensiva. Segundo a empresa, a solução oferece resistência ao desgaste e às condições ambientais, mantendo uma aparência uniforme ao longo do tempo.

A personalização é outro dos pontos fortes. Os fabricantes poderão adaptar as cores, as texturas e as perfurações ao estilo de cada modelo, permitindo integrar o material em diferentes conceitos de interior sem abdicar de uma imagem sofisticada.

A proposta procura, assim, contrariar a ideia de que os materiais alternativos têm necessariamente de parecer diferentes ou apresentar um acabamento inferior ao dos revestimentos convencionais.

Uma alternativa ao couro, mas também aos plásticos

Uma alternativa ao couro e aos plásticos

O couro sintético é frequentemente apresentado como uma alternativa à pele animal. No entanto, muitos destes revestimentos recorrem a materiais como o poliuretano, o PVC e outros componentes de origem petroquímica.

É precisamente neste ponto que os materiais de base biológica procuram ganhar espaço. Ao incorporar resíduos de origem vegetal, a Magna pretende diversificar as matérias-primas utilizadas no fabrico de interiores automóveis e valorizar recursos que já existem.

Ainda assim, há uma distinção importante: a utilização de resíduos de maçã não significa, por si só, que o revestimento seja totalmente natural, biodegradável ou isento de plástico. A empresa não divulgou a composição completa do novo material nem apresentou dados que permitam quantificar a redução do impacto ambiental face às alternativas convencionais.

Também não foram publicados valores concretos sobre o rendimento adicional obtido durante o corte dos revestimentos, embora a Magna indique que a solução permite aproveitar melhor o material em comparação com o couro tradicional.

A maçã não é a única alternativa em desenvolvimento

A Magna não está sozinha nesta corrida. A indústria automóvel tem vindo a experimentar diferentes matérias-primas para reduzir o desperdício e diversificar os materiais utilizados nos habitáculos.

O catálogo da empresa já inclui soluções que recorrem a plástico PET reciclado, espumas de poliuretano com uma percentagem de conteúdo renovável e revestimentos concebidos para facilitar a separação dos componentes no final da sua vida útil.

A utilização de resíduos agrícolas também não é inteiramente nova. Em 2019, a Covestro e a Beyond Leather Materials apresentaram o Leap, um material alternativo ao couro desenvolvido com recurso a resíduos de maçã resultantes da produção de sumo e sidra. Na altura, os responsáveis pelo projeto destacaram o potencial de valorização dos subprodutos gerados durante a transformação da fruta.

A diferença está na forma como cada solução é desenvolvida, na sua composição e na capacidade de cumprir os requisitos específicos de cada aplicação automóvel.

Quando chegará aos automóveis?

Quando chegará aos automóveis?

Por enquanto, a Magna não revelou qual será o primeiro fabricante a utilizar o novo revestimento, nem anunciou uma data para a sua chegada a um modelo de produção.

Também permanecem por conhecer dados essenciais para avaliar o seu potencial comercial, incluindo a proporção de resíduos de maçã incorporada, os custos de fabrico e o desempenho ambiental ao longo de todo o ciclo de vida.

O desenvolvimento representa, ainda assim, mais um passo na procura de materiais capazes de conciliar durabilidade, liberdade de design e aproveitamento de recursos.

No futuro, os interiores dos automóveis poderão combinar materiais provenientes de resíduos agrícolas, plásticos reciclados e fibras alternativas, reduzindo a dependência de algumas matérias-primas tradicionais.

Afinal, a próxima revolução nos habitáculos não terá necessariamente de passar por mais ecrãs ou por novos sistemas digitais. Poderá começar em algo tão simples como aproveitar melhor aquilo que sobra de uma maçã.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  651 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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