A Honda pode ter abrandado os seus planos para veículos elétricos próprios na América do Norte, mas isso não significa que tenha desistido da mobilidade elétrica noutros mercados. A prova disso chama-se Super-N, um novo citadino elétrico que já foi oficialmente revelado e que promete juntar preço competitivo, visual retro e uma condução mais divertida do que o habitual no segmento.
Um elétrico compacto com ambição global
O novo Honda Super-N foi confirmado para “mercados globais selecionados”, com o Reino Unido a ser o primeiro destino. E há um detalhe que o torna imediatamente relevante: o preço de entrada deverá ficar abaixo das 20 mil libras, o equivalente a cerca de 26.900 dólares.
Num mercado cada vez mais carente de elétricos acessíveis, este posicionamento dá ao Super-N um argumento forte logo à partida.

Base de kei car, mas com identidade própria
Em termos técnicos, o Super-N nasce a partir do Honda N-One, um pequeno kei car japonês. A marca transformou essa base num modelo elétrico, alargando também a carroçaria para lhe dar uma presença mais sólida e distinta.
O resultado é um automóvel de dimensões reduzidas, mas com uma imagem muito própria, inspirada em modelos históricos da Honda e claramente orientada para um público que valoriza design e carácter.
Potência modesta, mas com “boost” para animar
O motor elétrico debita 63 cv, um valor modesto, mas o sistema inclui um modo boost que eleva temporariamente a potência para 94 cv. A Honda ainda não revelou números oficiais de aceleração ou velocidade máxima, mas o foco deste modelo parece estar mais na agilidade e na experiência de utilização urbana do que em prestações puras.
Condução com mais emoção do que o habitual
Um dos elementos mais curiosos do Super-N está na tentativa de tornar a experiência de condução mais envolvente. O modelo conta com passagens de caixa simuladas e sons artificiais de motor a combustão, numa solução pensada para dar mais emoção ao volante.
Segundo quem já experimentou protótipos desta tecnologia, o sistema consegue ser surpreendentemente convincente e acrescenta personalidade ao conjunto.

Autonomia curta, mas alinhada com a proposta
A autonomia anunciada é de 128 milhas em ciclo WLTP, o que corresponde a cerca de 206 quilómetros. Embora não seja um valor impressionante, encaixa na proposta de um automóvel citadino, pensado para deslocações curtas e uso diário.
A bateria ainda não foi oficialmente detalhada, mas tudo indica que deverá rondar os 29 kWh.
Visual retro como grande trunfo
Esteticamente, o Super-N assume sem complexos a sua inspiração retro. Apesar de derivar de um modelo existente há vários anos no Japão, o resultado final mantém uma imagem fresca, especialmente graças ao kit de carroçaria alargada, que evoca automóveis icónicos da Honda dos anos 80, como o City Turbo.
É precisamente nesta combinação entre nostalgia, simplicidade e originalidade que o Super-N parece encontrar a sua maior força.
Um elétrico improvável para os EUA, mas com espaço na Europa
A chegada aos Estados Unidos parece altamente improvável. As dimensões reduzidas, a potência limitada e a autonomia curta não encaixam no gosto médio norte-americano, sobretudo num mercado onde até modelos semelhantes têm tido dificuldades.
Na Europa, pelo contrário, o enquadramento é bem mais favorável. O Super-N posiciona-se diretamente contra outros elétricos compactos e acessíveis que estão a ganhar espaço, beneficiando de um formato mais ajustado às cidades e de um preço potencialmente competitivo.
Honda encontra uma nova forma de estar no elétrico
Mesmo sem uma ofensiva elétrica de grande escala em todos os mercados, a Honda mostra com o Super-N que ainda sabe como criar produtos diferentes e apelativos. Num segmento onde faltam propostas baratas, leves e com personalidade, este pequeno elétrico pode tornar-se uma surpresa relevante.
Se cumprir o que promete, o Super-N poderá ser um dos casos mais interessantes do ano entre os elétricos urbanos.



