A Ford e o Grupo Geely deram um passo decisivo para garantir o futuro da fábrica de Almussafes, em Valência, ao anunciarem a criação de uma joint venture que permitirá transformar a unidade espanhola num importante centro de produção automóvel na Europa.
O acordo prevê a produção de cinco modelos nas linhas de montagem da fábrica, elevando a capacidade anual para cerca de 500 mil veículos, um número que representa um aumento de cinco vezes face ao volume atual e que poderá estabelecer um novo recorde para a unidade.
Nos últimos anos, a fábrica de Almussafes atravessou um período de grande incerteza. A saída de vários modelos do portefólio da Ford deixou o Kuga como o único veículo produzido nas instalações, com uma produção anual próxima das 100 mil unidades. Agora, o cenário muda por completo.
A parceria entre a Ford e a Geely prevê a criação de uma nova empresa que ficará responsável pela gestão da fábrica e dos seus ativos, incluindo os trabalhadores. A Ford manterá uma posição maioritária, com 66% da nova sociedade, enquanto a Geely ficará com os restantes 34%. A formalização do acordo deverá acontecer no final de 2027, após a conclusão de todos os processos legais e regulamentares.
Os primeiros frutos desta colaboração começarão a chegar em 2028. A partir do final desse ano, a fábrica espanhola deverá iniciar a produção de dois SUV 100% elétricos da Geely, aos quais se juntará um crossover multienergia da Ford, desenvolvido sobre uma plataforma fornecida pelo grupo chinês.
O atual Ford Kuga continuará igualmente em produção, embora a marca não tenha revelado até quando. Tudo indica, porém, que o SUV poderá manter-se na linha de montagem até ao final da década.
Outro dos modelos previstos para Almussafes é a futura geração do Ford Bronco, cuja produção deverá arrancar em fevereiro de 2028. As previsões apontam para um volume anual de cerca de 183 mil unidades, tornando-se num dos pilares da fábrica.
Caso todos os planos avancem como previsto, Almussafes passará a produzir cinco modelos em simultâneo, recuperando a importância industrial que teve no passado. A produção anual poderá atingir as 500 mil unidades, superando o recorde histórico de 449.101 veículos, registado em 2004.
O aumento da atividade deverá também traduzir-se na criação de novos postos de trabalho. Atualmente, a fábrica emprega cerca de 4.000 trabalhadores, mas a expansão da produção deverá obrigar ao reforço da equipa e ao regresso do regime de três turnos, embora ainda não tenham sido divulgados números oficiais sobre futuras contratações.

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