Fernando Alonso alertou para um problema potencial no Grande Prémio da Bélgica, onde os carros de Fórmula 1 podem ser mais lentos que os de Fórmula 2 em certas zonas do circuito de Spa-Francorchamps. O piloto espanhol destacou as dificuldades em gerir e utilizar a energia da bateria, especialmente em circuitos que exigem muita potência, como é o caso do traçado belga.
No decorrer de 2026, tem-se verificado que a volta mais rápida não é conseguida simplesmente com aceleração máxima, mas sim através de uma gestão cuidadosa da energia elétrica disponível. Alonso explicou que, em Spa, a longa reta do Kemmel, após a famosa curva Eau Rouge, é particularmente exigente para o sistema de recuperação e entrega de potência. “Silverstone e Spa são muito exigentes em termos de energia, e não se pode utilizar o modo de implantação ao longo de todas as retas”, afirmou Alonso em declarações à imprensa, incluindo à Motorsport Week. “Se utilizar a implantação de energia entre a Curva 1 e a 5, acaba por não ter energia para o resto da volta.”
O piloto da Aston Martin alertou para o impacto negativo que isso pode ter na velocidade dos carros, apontando que podem existir sectores onde os monolugares de Fórmula 1 passem mais de um minuto sem qualquer ajuda elétrica, o que reduz significativamente a potência disponível. “É preciso guardar energia para poder usar a implantação entre a Curva 14 e a Bus Stop. Mas se usar a implantação nas duas retas, que é o ideal, depois há um sector inteiro sem qualquer implantação”, explicou Alonso.
Este cenário coloca os carros de Fórmula 1 numa situação curiosa, em que a potência disponível nalgumas zonas pode ser inferior à dos carros de Fórmula 2, que utilizam motores Mecachrome V634 de 3,4 litros turbo V6, com 620 cavalos e sem qualquer sistema híbrido. Em contraste, as unidades de potência de Fórmula 1 em 2026 possuem uma divisão quase igual entre motor de combustão interna e energia elétrica, com o motor a combustão limitado a cerca de 536 cavalos. Quando a bateria está esgotada num dado sector, o carro de Fórmula 1 pode mesmo estar a desenvolver menos potência pura que um Fórmula 2, apesar de a potência combinada ao longo da volta ultrapassar os 1.000 cavalos.
Esta discrepância entre a potência máxima teórica e a potência realmente disponível, especialmente em sectores exigentes como o segundo sector de Spa, tornou-se o grande desafio da era dos novos motores em 2026. A longa sequência entre Eau Rouge, Kemmel Straight e Les Combes impõe uma gestão energética complexa, que pode afetar significativamente o ritmo de corrida.
Aston Martin tem enfrentado dificuldades nesta temporada, e a preocupação de Alonso reflete uma inquietação partilhada por outros pilotos, como Max Verstappen e Lando Norris, que criticam a necessidade frequente de levantar o pé e gerir a energia em zonas onde tradicionalmente se conduzia a fundo. Este desafio energético está a marcar o início da nova era da Fórmula 1, com impactos diretos na velocidade e no espectáculo das corridas.
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