Está a Europa preparada para ver um fabricante chinês ultrapassar marcas históricas como a Citroën?

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O equilíbrio de forças no mercado automóvel europeu está a mudar mais depressa do que muitos antecipavam. Durante anos vistos como atores secundários fora da China, os fabricantes chineses estão agora a assumir um papel central, e os números mais recentes mostram que essa mudança já deixou de ser uma projeção para se tornar realidade.

Em maio de 2026, a BYD ultrapassou a Citroën em vendas na Europa, um marco simbólico que ilustra a nova dinâmica do setor. Mais do que um episódio isolado, trata-se de um sinal claro da aceleração da presença chinesa no Velho Continente.

Um crescimento que já não pode ser ignorado

No total, os fabricantes chineses registaram mais de 121 000 matrículas na Europa em maio, quase o dobro do mesmo período do ano anterior. A sua quota de mercado atingiu os 10,7%, estabelecendo um novo recorde após o máximo anterior registado em abril.

Dentro deste crescimento, a BYD destaca-se como o principal motor da expansão. A marca de Shenzhen registou 32 380 veículos vendidos em maio, tornando-se o fabricante chinês mais vendido na Europa nesse mês.

O dado mais marcante, no entanto, é simbólico: a BYD superou a Citroën, que registou 31 665 unidades, ultrapassando também outras marcas históricas como Fiat, Jeep, Ford ou Mini no mesmo período.

Mais do que elétricos: uma estratégia pensada para a Europa

A ascensão dos fabricantes chineses não se explica apenas pela vaga da eletrificação. Embora o crescimento dos veículos elétricos tenha aberto uma oportunidade evidente, a estratégia vai muito além disso.

Marcas como a BYD e a MG estão a apostar fortemente em modelos híbridos plug-in desenvolvidos especificamente para o mercado europeu, ajustando produtos, gamas e preços às preferências locais. Ao mesmo tempo, começam a entrar no segmento premium através de submarcas como a Denza, que posiciona modelos diretamente frente a marcas como BMW, Mercedes ou Porsche.

A ofensiva industrial já começou

Outro ponto decisivo desta expansão é a produção local. A BYD já iniciou a construção de uma fábrica em Szeged, na Hungria, cuja produção deverá arrancar nos próximos meses, e continua a estudar novas unidades na Europa, incluindo Espanha.

Outras marcas seguem o mesmo caminho. A MG prepara uma fábrica na Galiza e a Dongfeng irá produzir em França através de uma parceria com a Stellantis. Este movimento não é apenas comercial, é estrutural.

Ao mesmo tempo, várias marcas europeias enfrentam fábricas subutilizadas e excesso de capacidade, o que abre a porta à entrada de novos parceiros industriais. Nesse cenário, os fabricantes chineses surgem como os principais candidatos a ocupar esse espaço.

Um mercado europeu cada vez mais competitivo

Enquanto algumas marcas tradicionais registaram quebras nas vendas, incluindo Volkswagen, Renault, Toyota ou Nissan, o mercado europeu cresceu ligeiramente, mas com uma redistribuição clara de quotas.

A expansão chinesa já não se limita a testar o terreno. Está a consolidar presença, a investir em produção local e a disputar diretamente o espaço das marcas históricas no seu próprio território.

E com esta tendência a ganhar força, a questão já não é se os fabricantes chineses vão crescer na Europa, mas até onde estão dispostos a ir.

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