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China prepara novas regras para os ecrãs gigantes e os interiores dos carros

Publicado a 27 de Outubro de 2026, 07h00  ·  Atualizado a 27 de Outubro de 2026, 08h21  ·  5 min de leitura

O essencial

  • A China prepara novas regras de segurança para ecrãs de grandes dimensões, bancos de gravidade zero e comandos por voz nos automóveis.
  • O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) analisa equipamentos de infoentretenimento e sistemas de visualização no para-brisas.
  • As novas regras poderão aplicar-se aos veículos fabricados a partir de 1 de janeiro de 2027, caso sejam aprovadas.

Depois de avançar com a proibição das maçanetas retráteis eletrónicas, a China prepara novas regras de segurança para os automóveis. Os ecrãs de grandes dimensões, os bancos de gravidade zero e alguns comandos por voz estão agora sob escrutínio, numa iniciativa que poderá obrigar os fabricantes a rever os interiores dos seus modelos.

A China poderá impor novas restrições à tecnologia utilizada no interior dos automóveis, numa altura em que os fabricantes apostam cada vez mais em ecrãs de grandes dimensões, comandos digitais e soluções que procuram tornar os habitáculos mais modernos.

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Depois de avançar com regras para eliminar as maçanetas retráteis eletrónicas, as autoridades chinesas estão agora a analisar outras funcionalidades que poderão comprometer a segurança dos condutores e passageiros.

A iniciativa está a ser conduzida pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT), que divulgou uma proposta com novas exigências para diferentes equipamentos utilizados nos automóveis. Entre os elementos sob análise encontram-se os ecrãs de infoentretenimento, os sistemas de visualização no para-brisas, os bancos reclináveis e os comandos por voz.

Caso as medidas avancem, os fabricantes poderão ser obrigados a alterar algumas das soluções tecnológicas que se tornaram comuns nos novos automóveis elétricos.

Ecrãs gigantes podem enfrentar novas restrições

Um dos principais alvos da proposta são os ecrãs de grandes dimensões, cada vez mais comuns nos automóveis chineses.

Nos últimos anos, vários fabricantes passaram a concentrar grande parte das funções do veículo em superfícies táteis, reduzindo o número de botões e comandos físicos. Alguns modelos incluem mesmo ecrãs destinados ao passageiro dianteiro, enquanto outros recorrem a sistemas de visualização avançados para apresentar informações de condução.

A proposta chinesa pretende sujeitar estes equipamentos a avaliações de segurança, incluindo testes relacionados com a distração do condutor, a resistência em caso de colisão e a fiabilidade em condições extremas.

Os ecrãs flexíveis e dobráveis também estão sob análise. Embora esta tecnologia ainda não esteja generalizada nos automóveis de produção, o seu desenvolvimento poderá levar à introdução de soluções cada vez mais complexas nos habitáculos.

A fabricante chinesa BOE, especializada em tecnologia de visualização, já apresentou propostas de ecrãs curvos, demonstrando o potencial de evolução deste tipo de equipamento.

Para já, não está em causa uma proibição generalizada de todos os ecrãs de grandes dimensões. O objetivo será avaliar se estes sistemas cumprem os requisitos de segurança, podendo determinadas soluções ser restringidas caso não satisfaçam os critérios definidos pelas autoridades.

Botões físicos podem voltar a ganhar protagonismo

A iniciativa surge também numa altura em que cresce a preocupação com a utilização de comandos táteis durante a condução.

Em muitos automóveis modernos, funções como a climatização, a regulação de diferentes sistemas e o acesso a determinadas configurações dependem de menus digitais. Esta abordagem permite simplificar o design do habitáculo, mas pode obrigar o condutor a desviar o olhar da estrada para executar operações relativamente simples.

As novas regras poderão reforçar a necessidade de manter comandos físicos para determinadas funções essenciais.

A proposta prevê ainda restrições à utilização de comandos de voz para operações consideradas críticas para a segurança, incluindo o acionamento dos faróis, a abertura das portas e a abertura do capô.

A intenção será garantir que as funções fundamentais do veículo continuam a poder ser controladas de forma segura e previsível, sem depender exclusivamente de sistemas digitais ou de reconhecimento de voz.

Bancos de gravidade zero também estão sob investigação

Os ecrãs não são a única tecnologia que poderá enfrentar novas limitações na China. As autoridades estão igualmente a analisar os chamados bancos de gravidade zero, uma solução cada vez mais utilizada em veículos elétricos de gama alta, sobretudo nos modelos destinados ao mercado chinês.

Estes bancos permitem adotar posições de repouso mais reclinadas e incluem, frequentemente, apoios para as pernas extensíveis, procurando proporcionar maior conforto aos ocupantes.

A proposta poderá impedir a utilização destas configurações com o automóvel em movimento.

Embora o aviso divulgado não detalhe todas as razões para esta análise, as preocupações estarão relacionadas com a segurança dos ocupantes em andamento. Uma posição excessivamente reclinada poderá comprometer a eficácia dos sistemas de retenção e a proteção proporcionada pelo cinto de segurança em determinadas situações de acidente.

A medida poderá afetar sobretudo os modelos que dão prioridade ao conforto dos passageiros traseiros e dianteiros, com soluções concebidas para proporcionar uma experiência semelhante à de uma sala de estar.

Iluminação personalizada também está na mira

Outro dos elementos analisados pelas autoridades são os sistemas de iluminação diurna LED que permitem personalizar os padrões luminosos.

Alguns fabricantes têm desenvolvido soluções que possibilitam aos utilizadores escolher diferentes animações ou assinaturas luminosas, tornando o automóvel mais personalizável.

No entanto, estas funcionalidades poderão ser sujeitas a novas restrições caso as autoridades considerem que podem comprometer a segurança rodoviária ou dificultar a identificação do veículo por outros condutores.

A proposta procura, assim, abranger não apenas os sistemas de informação e entretenimento, mas também equipamentos que influenciam a interação entre o automóvel e os restantes utilizadores da estrada.

Novas regras poderão entrar em vigor em 2027

De acordo com a informação divulgada pelo portal especializado CNEVPost, as regras propostas poderão aplicar-se aos veículos fabricados a partir de 1 de janeiro de 2027, caso sejam aprovadas nos termos apresentados.

Os automóveis já comercializados teriam de cumprir as novas exigências até 1 de julho de 2027, segundo o calendário referido na proposta.

Os modelos que não cumpram os requisitos poderão enfrentar medidas como a retirada de produção ou campanhas de recolha para corrigir os problemas identificados.

Estes prazos dependem, contudo, da aprovação e da implementação definitiva das regras pelas autoridades chinesas.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  714 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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