Carlos Sainz expressou a sua perplexidade em relação à postura de Max Verstappen e de outros pilotos que já admitiram a possibilidade de abandonar voluntariamente a Fórmula 1, assegurando que pretende lutar para se manter na grelha o máximo de tempo possível. As declarações do piloto da equipa Williams surgem após a assinatura de uma nova extensão de contrato plurianual com a equipa de Grove, contrastando com a atitude do seu antigo companheiro de equipa, Verstappen, que recentemente afirmou estar “mais próximo de reformar-se do que de mudar de equipa”.
Sainz, com quase 32 anos, não apresenta qualquer inclinação para deixar a Fórmula 1. Questionado sobre o seu futuro a longo prazo, especialmente tendo em conta que Lewis Hamilton, aos 41 anos, e Fernando Alonso, aos 45, continuam a competir, Sainz foi claro na sua perspectiva. “Olhando para o que o Fernando e o Lewis ainda são capazes de fazer, e também para o Nico [Hulkenberg], que é uns anos mais velho do que eu, isso confirma-me que se pode manter um nível de condução muito elevado durante muito tempo”, afirmou. O piloto destacou que a sua sorte reside no facto de estar num desporto que permite manter um alto nível de performance durante muitos anos.
Recorrendo a um exemplo familiar, Sainz mencionou que o seu pai, Carlos Sainz sénior, apesar de não competir na Fórmula 1, continua a ser competitivo aos 63 anos, tendo vencido o Dakar há dois anos. O espanhol sublinhou que cuidar da condição física e manter uma forte motivação são fundamentais para prolongar a carreira, assim como estar bem psicologicamente, dado o peso das viagens e dos compromissos de marketing associados à competição. Para Sainz, a eliminação desses fatores poderia permitir a um piloto continuar a competir até aos 45 anos.
Sobre os pilotos que já falaram abertamente em desistir, Sainz deixou poucos espaços para dúvidas: “Neste momento, sim. Penso que vou ficar na Fórmula 1 o máximo de tempo possível. Não compreendo as pessoas que dizem ‘não’”, disse. O piloto também refletiu sobre o significado da idade na sua vida, notando que, aos 40 anos, uma pessoa ainda não atingiu metade da vida, questionando-se sobre o que fará na “segunda metade” da sua vida. Embora goste de jogar golfe, andar de bicicleta e jogar padel, Sainz sublinhou que nenhuma dessas atividades lhe proporciona o mesmo prazer que sente ao estar na Fórmula 1.
“Estou ciente da sorte que tenho por fazer parte deste desporto. É verdade que 24 corridas são muitas e que há muitos outros compromissos a par delas, mas quando me deito à noite, lembro-me de que não trocaria tudo isto por nada neste mundo”, concluiu Sainz.

