Alfa Romeo quer reduzir o excesso de ecrãs nos interiores dos seus automóveis
O essencial
- Alfa Romeo quer reduzir ecrãs nos interiores, recuperando comandos físicos para se diferenciar da indústria.
- O concept Cuorerosso apresenta painel Cannocchiale Vivente com dois mostradores digitais que podem aproximar-se para formar uma unidade.
- O Magma Display está integrado na consola central e mistura-se com o revestimento quando o automóvel está desligado.
- Algumas soluções do Cuorerosso deverão chegar aos futuros modelos de produção, incluindo o futuro Giulietta.
O concept Cuorerosso antecipa uma nova abordagem da marca italiana aos habitáculos, com menos dependência de grandes ecrãs táteis e um regresso aos comandos físicos. Algumas das soluções deverão chegar aos futuros modelos de produção.
A Alfa Romeo quer diferenciar-se da tendência atual da indústria automóvel, marcada pela utilização de ecrãs cada vez maiores e pela redução dos botões físicos. A marca italiana pretende tornar os interiores dos seus futuros modelos mais distintos e intuitivos, recuperando elementos que privilegiam a interação direta com o condutor.
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Daniele Chiari, responsável de produto da Alfa Romeo, criticou a uniformização dos habitáculos modernos. O responsável considera que muitos automóveis apresentam soluções demasiado semelhantes, com grandes ecrãs, consolas planas e poucos comandos tradicionais. «O que queremos fazer é desintoxicar os nossos interiores. Todos têm um ecrã pequeno, um ecrã grande, dois porta-copos e uma consola plana. É tudo», afirmou Chiari.
Cuorerosso antecipa uma nova abordagem ao habitáculo
O Cuorerosso mostra como a Alfa Romeo pretende concretizar esta filosofia. Um dos elementos mais originais é o painel de instrumentos Cannocchiale Vivente, inspirado nos dois mostradores circulares presentes em modelos clássicos da marca.
Os dois mostradores digitais permanecem separados durante a condução normal, mas podem aproximar-se fisicamente para formar uma única unidade, permitindo ao condutor concentrar a informação num campo de visão mais compacto.
Também o ecrã central segue uma abordagem diferente da habitual. Designado Magma Display, está integrado diretamente na consola central, em vez de surgir como um tablet colocado sobre o tablier.

Quando o automóvel está desligado, a superfície digital mistura-se com o revestimento envolvente. Ao ligar o sistema, surgem as informações e os comandos digitais.
A solução combina tecnologia com controlos físicos, incluindo um comando rotativo, um seletor de modos de condução e interruptores tradicionais. O objetivo passa por manter as funcionalidades digitais sem eliminar por completo a interação tátil com os comandos.
Algumas soluções deverão chegar aos modelos de produção
O Cuorerosso não deverá chegar à produção em série, mas a Alfa Romeo confirmou que algumas das tecnologias e soluções de design apresentadas no conceito serão utilizadas em futuros modelos da marca.
Entre os possíveis candidatos está o futuro Giulietta, um compacto cuja chegada é apontada para os próximos anos. Este modelo poderá ser o primeiro a incorporar algumas das ideias do Cuorerosso, tanto ao nível do desenho exterior como na conceção do habitáculo.
A estratégia representa uma tentativa de recuperar a identidade visual e funcional dos interiores da Alfa Romeo, numa altura em que muitos fabricantes apostam numa maior digitalização dos comandos. Em vez de abandonar a tecnologia, a marca italiana procura encontrar um equilíbrio entre ecrãs, controlos físicos e uma apresentação mais característica.
AutoGear · 645 artigos
Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).