António Felix da Costa e Pascal Wehrlein chocam no e-prix de tokyo (VIDEO)

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A primeira corrida do E-Prix de Tóquio terminou num caos que gerou uma forte polémica entre os principais candidatos ao título da Fórmula E, António Félix da Costa e Pascal Wehrlein, ambos confrontados com a estratégia da equipa Envision, que consideraram incorreta.

Sebastien Buemi, da Envision, recebeu uma penalização de cinco segundos após um contacto com Nyck de Vries na primeira volta, numa altura em que o pelotão se agrupava na Curva 7. A equipa optou por uma estratégia agressiva, ativando o modo de ataque num momento precoce, na volta 14, o que permitiu a Buemi ascender da 13.ª para a segunda posição na volta 18. Contudo, quando começaram as paragens regulares, Buemi reduziu o ritmo, permitindo que Edoardo Mortara, António Félix da Costa e Pascal Wehrlein, que ocupavam a terceira, quarta e quinta posições, se aproximassem rapidamente, especialmente nas Curvas 6 e 7.

O desfecho foi um choque entre os ex-colegas de equipa Da Costa e Wehrlein na Curva 8, que levou o piloto da Porsche a partir a asa dianteira e a suspensão, enquanto o português da Jaguar acabou embatido na barreira TecPro. Da Costa mostrou-se muito desiludido: “Estivemos a fazer a corrida perfeita, tínhamos mais de dois por cento de vantagem em relação aos líderes. Tínhamos a estratégia perfeita para ganhar. Quando abriu a janela das boxes, Buemi travou de repente e perdeu quatro segundos em três curvas. É muito anti-desportivo.” O piloto português acusou Wehrlein de provocar o embate intencionalmente: “Ele teve danos antes e acho que decidiu que, se ele saía de pista, levava-me também.”

Da Costa esclareceu que o seu problema não era com Buemi diretamente, mas sim com a equipa e a estratégia: “O problema não é o Buemi, é a sua equipa e a equipa de estratégia. Também temos de nos culpar a nós próprios por não termos evitado isto. Tentamos sempre competir com respeito, especialmente contra a outra equipa que usa o mesmo motor Jaguar, mas hoje colocaram a minha corrida fora.”

Por seu lado, Buemi defendeu a sua atitude, explicando que a redução de ritmo fazia parte de uma estratégia para ajudar o seu colega Joel Eriksson a ultrapassar o pelotão. “Foi uma decisão tomada em corrida, e a equipa percebeu que, ao eu abrandar, ajudaria imenso, o que de facto aconteceu,” afirmou. Questionado sobre a justiça desta abordagem, Buemi respondeu: “Se é justo ou não, é outra discussão. Eu só fiz o que a equipa me mandou. Não é proibido.” O piloto suíço não estava informado do impacto que a sua atitude teve nos adversários: “Só soube depois do que aconteceu, estávamos a trabalhar muito com a Jaguar e obviamente não estamos felizes por comprometer as corridas dos outros.”

Wehrlein mostrou-se igualmente descontente, questionando a estratégia de Buemi: “Não sei qual era o plano dele ao tentar travar todo o grupo.” O piloto da Porsche salientou que esperava um aumento de ritmo com a abertura das boxes, mas Buemi fez o oposto, “provavelmente por ordens da equipa,” sugerindo uma possível conivência entre Jaguar e Envision. Wehrlein criticou a utilização da equipa cliente para controlar a corrida: “Se foi isso, foi ir longe demais. Apoiar o melhor piloto do campeonato é uma coisa, mas alterar activamente a corrida é outra.”

Sobre o incidente com Da Costa, que lhe valeu uma penalização de 10 segundos, Wehrlein explicou que tentou ultrapassar lado a lado: “Na sequência das curvas 6 e 7, estava no interior e há uma regra que exige espaço nessa situação. Não me deram esse espaço e fui empurrado para o muro interior, o que destruiu a minha corrida.” A corrida negativa da Porsche ficou ainda pior com Nico Müller, que sofreu danos após um contacto com Da Costa na primeira volta, depois de a equipa ter reconstruído o seu carro após um acidente na qualificação.

Com este desfecho, Wehrlein perdeu a liderança do campeonato para Mitch Evans, que recuperou do 16.º lugar para quarto na corrida, passando a ter uma vantagem de três pontos sobre o piloto da Porsche. A próxima fase do campeonato promete ser ainda mais intensa, com rivalidades a crescer e estratégias sob escrutínio.

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