George Russell chega ao Grande Prémio da Hungria com dúvidas sobre a fiabilidade da unidade motriz da Mercedes, que tem condicionado o seu desempenho nas últimas corridas. O principal questionamento é se o problema foi finalmente resolvido para esta prova no circuito do Hungaroring.
Nas últimas rondas, a equipa das Flechas de Prata identificou uma falha no medidor de fluxo de combustível no carro de Russell, detetada em Silverstone, que impediu a unidade motriz de funcionar a todo o potencial. O piloto britânico perdeu tempo significativo nas retas em comparação com o seu colega Kimi Antonelli, prejudicando tanto a qualificação como a corrida. Apesar disso, Russell conseguiu um segundo lugar na prova britânica graças a contratempos de adversários como Max Verstappen, Lewis Hamilton e o próprio Antonelli, ficando aquém do ritmo esperado para a sua posição.
Contudo, os problemas persistiram no Grande Prémio da Bélgica, onde foi detetada uma falha distinta na gestão da energia elétrica. Russell viu-se obrigado a abandonar na primeira volta após um acidente em Les Combes, enquanto Antonelli venceu a prova e aumentou a vantagem no campeonato para 45 pontos sobre Hamilton, deixando Russell em terceiro no campeonato. Durante a corrida em Spa-Francorchamps, Russell relatou uma falha na correcta implementação da potência elétrica, especialmente na famosa reta de Kemmel, onde o turbo e o sistema elétrico deixaram de funcionar após a curva 1. Toto Wolff, diretor da Mercedes, afirmou que o problema teria sido resolvido minutos antes da partida, mas a situação agravou-se durante a prova.
Na preparação para a corrida na Hungria, a Mercedes assegura ter identificado a origem da falha e que esta não deverá afetar o desempenho em Budapeste. Enrico Resta, diretor técnico adjunto da equipa, explicou que a complexidade do novo regulamento da unidade motriz implica um processo de aprendizagem contínuo. “Encontrámos um erro no software, que já existia em Silverstone, mas se manifestou com maior clareza em Spa, onde a sensibilidade ao delta de potência é máxima. Achamos que conseguimos finalmente resolver o problema para Budapeste”, afirmou Resta.
O problema afetou de modo diferente os dois pilotos da Mercedes. Wolff explicou que o carro de Russell sofreu a versão mais grave da falha, reduzindo drasticamente a energia elétrica disponível para as retas longas. Já Antonelli conseguiu gerir melhor a situação, beneficiando de um software calibrado e de uma unidade motriz mais recente, o que lhe permitiu manter a performance necessária para lutar pela vitória. Resta acrescentou que o programa de utilização das unidades motrizes é diferente entre os pilotos, o que também contribui para as diferenças de rendimento.
A Mercedes ainda não revelou a causa técnica precisa da falha na recarga da bateria após a curva 1, que deixou Russell sem assistência elétrica e turbo na reta de Kemmel. Também não foram relatados problemas semelhantes nos clientes que utilizam a mesma unidade motriz da marca alemã, levantando dúvidas sobre as estratégias de mitigação adotadas. Contudo, a equipa agradeceu a determinação de Russell, que tem sido fundamental para identificar e destacar os problemas. “Estamos muito gratos ao George por nos ter desafiado e por ter realçado uma área em que precisávamos de focar-nos. Ele tem sido muito bom a compreender e a apontar os problemas para nós. Finalmente conseguimos identificar a solução e implementar a correção para esta corrida”, declarou Resta.
A expectativa está agora em torno da prestação de Russell no Hungaroring, onde o piloto de 28 anos procura recuperar terreno e mostrar que a Mercedes conseguiu superar as dificuldades técnicas que o têm penalizado. O desfecho desta questão só ficará claro quando se apagarem as luzes na pista húngara, numa prova decisiva para o desenrolar do campeonato de 2026.
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