Aston Martin prepara-se para estrear um pacote de atualizações radical no Grande Prémio da Hungria, numa tentativa de inverter uma temporada marcada por dificuldades e atrasos. O conjunto de melhorias, que inclui alterações profundas ao chassis, promete ser um verdadeiro “B-spec”, algo raro na Fórmula 1 moderna. A equipa tem estado à espera deste momento com grande expetativa, ansiosa por deixar para trás um período de desempenho aquém do desejado.
O AMR26 sofreu modificações substanciais, obrigando a uma rehomologação do chassis para reduzir peso e adaptar as estruturas de segurança à nova aerodinâmica. Mike Krack, diretor de pista da Aston Martin, revelou que a atualização será implementada em ambas as viaturas já no GP da Hungria, com novos acréscimos previstos para depois do verão. O objetivo é não só melhorar o desempenho imediato, mas também preparar a equipa para a próxima era técnica de 2027, aperfeiçoando processos e ferramentas de simulação.
Krack destacou a importância de regressar à competição efetiva, depois de várias provas em que a equipa mal conseguiu acompanhar o meio do pelotão. “O mais importante é que voltemos a competir, porque nas últimas corridas não o fizemos. Foi muito difícil acompanhar o meio do pelotão,” afirmou após o GP da Bélgica. O responsável reconheceu ainda que a ausência prolongada de atualizações atrasou o progresso, mas que o pacote para Budapeste traz “tudo o que precisamos” para dar um salto qualitativo.
As dificuldades da Aston Martin têm sido evidentes durante a temporada, com problemas desde falhas na bateria e vibrações, até à perda de sincronização da caixa de velocidades e má condução do carro. A unidade de potência Honda tem sido alvo de críticas quanto à sua potência, e espera-se uma nova versão para o GP de Zandvoort em agosto, na esperança de alguma melhoria nesse aspeto. Contudo, o foco inicial foi resolver questões básicas antes de apostar em desenvolvimentos aerodinâmicos.
Krack também abordou o impacto psicológico da temporada difícil na equipa: “O peso da situação sente-se em todos, na garagem e nos pilotos. É uma situação muito difícil, mas temos um líder forte e a decisão foi investir nas melhorias em Budapeste.” O director salientou a resiliência e profissionalismo demonstrados pela equipa, apesar dos resultados desanimadores. “Tem sido muito duro para todos nos últimos seis meses, mas a motivação mantém-se. Estamos a contar os dias para Budapeste.”
O próximo Grande Prémio será, por isso, um momento decisivo para Aston Martin, que precisa de mostrar evolução concreta em pista, medida em segundos e não apenas em alterações estéticas. Os pilotos Fernando Alonso e Lance Stroll terão de corresponder às expectativas para justificar os esforços da equipa, que luta para transformar uma temporada complicada numa recuperação consistente. A chegada do AMR26B poderá marcar um ponto de viragem, mas só o desempenho real em corrida o confirmará.
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