George Russell frustrado com perda de velocidade nas retas em Mercedes

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George Russell classificou como “frustrante” a perda misteriosa de velocidade em reta em comparação com o seu companheiro de equipa, Kimi Antonelli, no Grande Prémio da Bélgica, no circuito de Spa-Francorchamps. Apesar de ter garantido o terceiro lugar na grelha de partida, a 0,508 segundos de Antonelli, Russell continua sem perceber a origem desta discrepância.

No decorrer do fim-de-semana, Russell tem estado atrás de Antonelli, especialmente notório nas partes rápidas do traçado. Já na sexta-feira, durante os treinos livres, o britânico perdeu impressionantes 1,285 segundos face ao colega. A principal preocupação de Russell é que grande parte dessa diferença acontece nas rectas, onde sente que não tem controlo. “O meu foco nas últimas 36 horas tem sido na velocidade em linha reta. Não estamos a concentrar-nos no set-up ou pneus, porque estamos todos a tentar perceber o que se está a passar”, confessou o piloto da Mercedes.

A análise dos dados telemétricos da qualificação revela um fenómeno curioso: a velocidade máxima de Russell é praticamente idêntica à de Antonelli na aproximação à reta de Kemmel, e até superior em alguns setores, como Eau Rouge. No entanto, a perda de tempo começa logo após a saída da Curva 8, numa secção fundamentalmente a fundo, onde Russell já perde mais de duas décimas. A diferença estende-se ao longo da reta até Pouhon e nas zonas seguintes, chegando a uma discrepância de até 10 km/h na velocidade máxima numa parte do circuito.

Toto Wolff, diretor da equipa Mercedes, atribui a diferença à gestão da energia, afirmando que “os carros estão a ser conduzidos no limite em termos de como se gere a energia e os pneus”. Wolff explicou ainda que “quem conseguir gerir a energia de forma mais inteligente será quem estará à frente”. Esta teoria ganha força pelo facto de a velocidade máxima de Russell na reta de Kemmel ser forte, indicando que o problema não é generalizado em toda a volta.

Russell revelou que as suspeitas iniciais de problemas nos travões ou no seu estilo de condução foram descartadas. O diretor de engenharia da Mercedes, Andrew Shovlin, confirmou que estão a investigar a origem da perda, que não pode ser explicada pela forma de condução do piloto. “Estamos a investigar o que está a causar isto como prioridade, pois existe uma perda clara que não conseguimos justificar pelo estilo de condução”, declarou Shovlin.

O piloto britânico disse ainda: “Achávamos que o problema estava relacionado com os travões, mas não era. Depois pensámos que era o meu estilo de condução, mas agora estamos confiantes que não é isso. Há um problema sério em jogo e a equipa está a trabalhar arduamente para o resolver. Em cada volta perco entre duas a seis décimas nas retas, o que é bastante frustrante.”

Andrea Stella, diretor da McLaren, ofereceu uma possível explicação, realçando a complexidade dos sistemas de gestão de energia dos motores híbridos. Segundo ele, estes sistemas fazem cálculos em tempo real para ajustar o desempenho, influenciando não só as velocidades nas retas, mas também os pontos de travagem, o que pode afetar o ritmo do piloto. “Há uma grande componente do controlador que opera a unidade de potência com cálculos em direto, o que torna difícil entender exatamente o que está a acontecer durante a corrida”, explicou Stella.

Apesar de a variação na gestão da energia ser menor durante a corrida, Russell admite estar a “rezar” para que a equipa encontre uma solução a tempo do próximo Grande Prémio da Hungria. O piloto mantém a confiança no seu potencial para competir de igual para igual com Antonelli, mas reconhece que “é um desafio quando parece que se está a lutar com uma mão às costas”. “No entanto, em Silverstone tivemos um problema parecido e acabámos no segundo lugar do pódio, por isso espero aguentar amanhã e conseguir um bom resultado, enquanto procuram uma solução para o próximo fim-de-semana”, concluiu.

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