A gestão dos pneus promete ser um dos grandes desafios para as equipas na prova do Grande Prémio da Bélgica, em Spa-Francorchamps, onde a Pirelli antevê condições meteorológicas variáveis e temperaturas elevadas a condicionarem as estratégias para a corrida. O fabricante italiano escolheu os compostos C2, C3 e C4 para o circuito mais longo do calendário de Fórmula 1, prevendo que os dois pneus mais duros desempenhem um papel fundamental na prova de domingo.
O traçado de 7,004 km combina longas retas, curvas rápidas e a maior variação de altitude da temporada, impondo cargas significativas aos pneus. Apesar disso, a Pirelli indica que as exigências continuam aquém das sentidas em Suzuka e Silverstone. O setor mais exigente é a zona de Eau Rouge e Raidillon, onde os pilotos enfrentam rápidas mudanças de direção enquanto sobem em forte inclinação para a reta do Kemmel. Recentemente, foram adicionadas ranhuras no alcatrão desse local para melhorar o escoamento da água e a visibilidade em condições de piso molhado.
Outro factor que complica as decisões das equipas é o clima instável de Spa, situado na floresta das Ardenas, que provoca microclimas característicos. É comum a existência simultânea de zonas molhadas e secas no circuito, dificultando a escolha entre pneus slick ou intermédios, numa volta que ultrapassa os sete quilómetros. A pista foi totalmente requalificada há dois anos, apresentando habitualmente pouco aderência no início do fim de semana, embora o pneu depositado durante as recentes 24 Horas de Spa GT possa ter melhorado ligeiramente os níveis de grip.
Cada um dos três setores de Spa apresenta desafios técnicos distintos. O primeiro privilegia a velocidade em linha recta, o segundo é composto por várias curvas técnicas de média velocidade, muitas delas a descer, enquanto o último é mais fluído e sobe de forma gradual até à chicane Bus Stop e à meta. Tradicionalmente, as equipas enfrentam o compromisso entre reduzir o arrasto para as retas e gerar downforce suficiente para as zonas técnicas. A Pirelli acredita que os novos regulamentos aerodinâmicos da Fórmula 1 facilitarão esse equilíbrio, permitindo configurações de maior downforce nas curvas e menor resistência aerodinâmica nas retas.
A gestão da energia será igualmente crucial para o desempenho, com os pilotos a terem de controlar a utilização do sistema elétrico de potência e garantir recuperação suficiente num circuito com poucas oportunidades para travagens fortes. As temperaturas podem ainda influenciar o comportamento dos pneus e a estratégia de corrida, pois durante as 24 Horas de Spa, no final de junho, o asfalto atingiu mais de 55 graus Celsius. Condições semelhantes durante o fim de semana do Grande Prémio poderão aumentar a degradação térmica dos pneus, tornando uma estratégia de duas paragens mais provável.
Spa acolhe a penúltima prova antes da pausa de verão da Fórmula 1 e faz parte do Mundial desde a primeira temporada, em 1950. A combinação de exigências técnicas, clima imprevisível e gestão de pneus promete garantir uma corrida intensa e estratégica.
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