Se o Macan a gasolina continua a vender mais, porque é que a Porsche o vai descontinuar?

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A Porsche prepara-se para colocar um ponto final na produção do Macan com motor de combustão. O último exemplar da atual geração deverá sair da fábrica de Leipzig no final de julho, marcando o fim de um dos modelos mais importantes da marca alemã nos últimos anos.

A decisão surge numa altura curiosa, uma vez que o Macan a gasolina continua a ser mais procurado do que a sua versão totalmente elétrica. Apesar de a Porsche ter lançado o Macan Electric com a intenção de substituir gradualmente o modelo de combustão, a procura pelo SUV tradicional manteve-se elevada, levando ambas as versões a coexistirem no mercado.

No entanto, essa coexistência está prestes a terminar. A partir de agosto, o Macan passará a existir apenas na sua variante elétrica, deixando a Porsche sem uma alternativa equivalente a gasolina no segmento dos SUV médios durante, pelo menos, os próximos dois anos.

A marca de Estugarda já confirmou que está a desenvolver um novo SUV com motores de combustão e variantes híbridas, baseado na plataforma do Audi Q5. Contudo, a sua chegada ao mercado não deverá acontecer antes de 2028. Além disso, o futuro modelo deverá adotar uma designação diferente, deixando o nome Macan exclusivamente associado ao modelo elétrico.

Os números mostram que a aposta na eletrificação continua a enfrentar alguns desafios. Durante o primeiro semestre do ano, a Porsche comercializou 35.315 unidades do Macan em todo o mundo, sendo que 19.695 corresponderam às versões a combustão e 15.620 ao Macan Electric.

Ainda assim, o SUV registou uma quebra global de 22% face ao mesmo período do ano passado. A marca justifica este desempenho com a ausência de incentivos fiscais para veículos elétricos e híbridos em alguns mercados, particularmente nos Estados Unidos, bem como com uma transição para a mobilidade elétrica mais lenta do que inicialmente previsto.

De resto, o cenário não é particularmente animador para a Porsche. As entregas globais da marca recuaram 16% nos primeiros seis meses do ano, com a China a revelar-se um dos mercados mais problemáticos, registando uma quebra de 32%. Também na América do Norte as vendas diminuíram 13%.

Nem mesmo o Cayenne escapou à tendência negativa, registando uma descida de 9%, enquanto o Panamera caiu 38% e o Taycan viu as suas vendas recuarem 25%.

A exceção continua a ser o incontornável 911. O desportivo alemão mantém-se em excelente forma comercial e viu as suas vendas crescerem 19% este ano, com mais de 30 mil unidades entregues em todo o mundo.

Para a Porsche, o adeus ao Macan a gasolina representa não apenas o fim de uma geração, mas também um período de transição delicado. Até à chegada do sucessor, a marca ficará dependente do desempenho do Macan Electric num mercado que continua a demonstrar que a mudança para a mobilidade elétrica poderá demorar mais tempo do que muitos fabricantes antecipavam.

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