Pilotos do WRC criticam jornadas excessivamente longas nos ralis

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O Acropolis Rally da Grécia reacendeu o debate entre os pilotos do Campeonato do Mundo de Ralis sobre a estrutura dos itinerários, com crescentes preocupações relativas ao tempo excessivo passado dentro do carro, muito para além dos troços competitivos. A polémica intensificou-se após o Rally de Portugal de 2025, que apresentou uma jornada de sexta-feira com 15 horas de duração e apenas uma assistência remota, seguida de um sábado igualmente longo, apesar de contar com uma assistência adequada. Para 2026, os organizadores decidiram deslocar algumas especiais de sexta-feira para quinta-feira, reduzindo o tempo em prova nesse dia para 12 horas.

Na Grécia, o Acropolis voltou a impor um verdadeiro teste de resistência, com o primeiro carro a sair do parque fechado às 6h44 e a regressar à assistência final apenas às 21h30. Ao longo do dia, os pilotos percorreram 67,5 milhas em especiais, mas tiveram de cumprir 388,7 milhas em troços de ligação, o que representa apenas 14,7% do percurso total em ritmo competitivo.

Elfyn Evans, líder do campeonato, não escondeu a sua frustração: “Temos tantos dias assim no campeonato. Fazemos menos quilómetros do que num rali nacional e demoramos o dobro do tempo a fazê-lo. São 14 horas ou algo assim dentro do carro para fazer 100km, é uma loucura. Não faz muito sentido.” Evans acrescentou ainda: “Secções de ligação de 600km para 100km de especiais não faz sentido.”

Este ano, o Acropolis mudou a sua base de Lamia para Loutraki, algo inédito desde o regresso do evento ao calendário do WRC em 2021, e implementou alterações ao itinerário para se adaptar. Para minimizar os troços de ligação na manhã de sexta-feira, as equipas foram transportadas de ferry de Korinthos para Itea na noite de quinta-feira. Houve ainda um maior número de especiais em primeira passagem para evitar o desgaste excessivo dos pisos. Os pilotos reconheceram estas melhorias, elogiando os organizadores e a FIA pela decisão de encurtar a SS12 Ghymno 2 e assim evitar uma secção particularmente degradada.

Sébastien Ogier, campeão do mundo, comentou após a prova: “[Houve] um pouco de ligação a mais. Isso é algo que precisamos de… quero dizer, o organizador terá de melhorar, diria. Mas, de um modo geral, há muitos pontos positivos, como estas primeiras passagens que melhoraram claramente o desgaste dos troços. Com mais segundas passagens teria sido ainda mais difícil sobreviver. Acho que o ferry foi uma experiência diferente. Ainda me senti um pouco tonto de manhã quando entrei no carro, talvez não estivesse a 100% para a primeira especial, mas poupou-nos algum troço de ligação e já tínhamos ligação suficiente.”

A principal preocupação mantém-se, contudo, centrada nas longas horas improdutivas dentro do habitáculo, em detrimento de actividades mais produtivas ou envolventes para o público. As actuais exigências televisivas obrigam a que as especiais arranquem com pelo menos 50 minutos de intervalo, para garantir que todos os Rally1 terminam antes do início do troço seguinte.

Takamoto Katsuta alertou para os riscos destas maratonas: “Para mim, estes dias longos fazem parte do espírito do rali, mas a geração mudou. Agora temos de mostrar o rali ao público, comunicar com mais fãs; caso contrário, estamos a perder espectadores. Por exemplo, sábado fizemos 600km de ligação e apenas 100km de especiais. Voltámos ao parque de assistência às 10 da noite. Depois temos de ir logo embora, sem tempo para autógrafos ou fotos. As pessoas esperam por nós até tarde, mas não podemos fazer nada porque temos de preparar o dia seguinte. Isto não está certo. Antes, talvez não fosse um problema, mas agora estamos a perder fãs. Temos de os manter e conquistar novos.” Katsuta acrescentou: “É mais importante fazer mais acções de relações públicas, mostrar o rali e torná-lo mais um espetáculo para o público. Normalmente não gosto muito das superespeciais, mas temos de fazer mais para envolver as pessoas.”

Nem todos manifestaram desagrado com o itinerário do Acropolis. Adrien Fourmaux, da Hyundai, afirmou estar “OK com o itinerário”, embora preferisse não ter especiais em segunda passagem, enquanto o seu colega de equipa Thierry Neuville destacou a dimensão do desafio: “Gosto destes eventos, destes desafios. E mesmo estando muito cansado hoje [domingo], continua a ser bom fazer parte desta experiência e aventura. Quando se está há muito tempo neste trabalho, fazer algo novo como o ferry é emocionante.”

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