Cada vez mais empenhada na eletrificação da sua oferta, a Nissan fez evoluir a tecnologia e-Power, que se estreia em solo nacional no Qashqai e-Power (produzido na fábrica britânica de Sunderland, é disponibilizado em Portugal nos níveis de equipamento Advance, Evolve e Evolve+, com preços a partir de €45 500), e dispensa a necessidade de carregamento externo da bateria, mas aportando consigo muitos dos benefícios inerentes às motorizações 100% elétrica. Pela primeira vez introduzida em novembro de 2016, no Japão, com o Note, foi sendo desenvolvida, e disponibilizada em mais modelos, e em latitudes cada vez mais distintas, tendo chegado à Europa, então já na segunda geração, em 2022, com o Qashqai (está disponível também no X-Trail).
A marca japonesa conta, assim, com uma solução que promete oferecer os principais benefícios das motorizações totalmente elétrica, mas que, ao contar ainda com um motor de combustão como gerador, anula a chamada “ansiedade da autonomia”. O sucesso do sistema é validado pelas vendas globais acumuladas de 1,62 milhões de veículos equipados com motorizações e-Power, em 68 países, com destaque para a China, responsável por 1,23 das mesmas desde 2016.
Paralelamente, o Qashqai, recentemente renovado, continua a ser um dos automóveis mais importantes da Nissan, tendo sido o seu segundo modelo mais vendido em Portugal em 2025 (dados da ACAP – Associação Automóvel de Portugal), e o primeiro entre os C-SUV, classe cada vez mais concorrida, em quantidade e qualidade. Em paralelo com o Juke, permitiu à Nissan regressar ao Top 10 das vendas no mercado português (9.º), o que já não acontecia há cerca de uma década. A ajudar a esse desempenho está a tecnologia e-Power, que, agora, evolui para a terceira geração, prometendo um refinamento melhorado, uma eficiência ambiental reforçadam, e uma autonomia combinada de cerca de 1200 km.

Ao contrário de outros sistemas híbridos, em que propulsão alterna entre os motores de combustão e elétrico, o sistema e-Power atribui a missão de fazer mover as rodas exclusivamente ao motor elétrico, alcançando-se, assim, uma suavidade de funcionamento, e prestações, comparáveis às de um automóvel elétrico – mas, também, a autonomia necessária para viajar com tranquilidade, já que o motor térmico atua como gerador para alimentar a bateria e o motor elétrico. Entre as melhorias alcançadas nesta sua mais recente evolução está a unidade modular motriz de conceito “5-em-1”, que integra o motor elétrico, o gerador, o inversor, o redutor e o aumentador de tensão, para um conjunto mais compacto, e 10% mais leve do que o anterior, beneficiando a eficiência energética geral, assim como a performance. Ao mesmo tempo, a rigidez da unidade foi melhorada em 20%, mantendo-se a bateria de iões de lítio com 2,1 kWh de capacidade.
Atributo fundamental para a melhoria dos consumos e das emissões é o movo motor a gasolina, concebido especificamente para aplicações deste género. Neste sistema apelidado de gerador, adota o conceito “STARC” (essencialmente, o processo que otimiza a ignição e a combustão), que permite aumentar a eficiência térmica de 38% para 42%, bem como um novo turbocompressor. Numa utilização em autoestrada, houve, ainda, a preocupação de reduzir as rotações em 200 rpm, para, assim, reduzir em 5m6 dB o ruído a bordo. Não menos importante, a Nissan alargou o intervalo entre revisões, que passa de 15 000 km para 20 000 km, baixando o Custo Total de Utilização (TCO).
Tal como a vertente elétrica, também o motor a gasolina foi aligeirado (9 kg), sendo este mais um fator que contribui para a eficiência global do sistema: o consumo médio baixou de 5,1 l/100 km para 4,5 l/100 km, enquanto as emissões de CO2 desceram de 116 g/km para 102 g/km (cerca de 12% menos). No total, a marca aponta para autonomia teórica de 1200 km. A Nissan garante, igualmente, uma melhoria da entrega de potência no modo de condução Sport, no qual é oferecido um ligeiro acréscimo (15 cv), para um máximo de 205 cv, sendo o binário máximo de 330 Nm. Para o futuro, o trabalho dos engenheiros estará centrado no desenvolvimento de um motor de combustão, a operar sob o mesmo princípio “STARC”, capaz de chegar aos 50% de eficiência térmica, valor que o tornaria num dos mais eficientes do mundo.









