Liam Lawson e Arvid Lindblad incendiaram o paddock do Grande Prémio da Áustria com uma disputa interna que quase comprometeu a estratégia da Racing Bulls, mas o jovem neozelandês já desvaloriza o episódio e garante que a equipa entra para Silverstone com o ambiente estabilizado. Apesar do duelo aceso entre colegas de equipa, ambos terminaram nos pontos e garantiram uma colheita dupla raramente vista na formação.
No Red Bull Ring, Lawson conquistou o nono lugar, à frente de Lindblad, que terminou em décimo, depois de uma série de incidentes e ultrapassagens arriscadas entre os dois pilotos da Racing Bulls. O neozelandês fechou a corrida com um tempo total de 1h24m56s, apenas 0,8 segundos à frente do britânico, numa prova marcada pelo calor intenso e pela gestão crítica dos travões – uma preocupação agravada pelo duplo abandono da Cadillac, precisamente por falhas nos travões. O Grande Prémio da Áustria, oitava ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2026, ficou assim marcado não só pelo duelo entre Lawson e Lindblad, mas também por uma gestão de corrida desafiante para toda a grelha.
A tensão na Racing Bulls ficou evidente a partir do momento em que foi emitida a ordem de equipa para que ambos mantivessem as posições, numa tentativa de poupar os travões através da técnica de “lift-and-coast”. Lindblad, com apenas 18 anos e na sua temporada de estreia, ignorou as instruções e lançou um ataque decisivo na Curva 4, surpreendendo Lawson, que não esperava ser ultrapassado pelo próprio colega. O neozelandês respondeu prontamente, recuperando o lugar com uma manobra arrojada na Curva 3, demonstrando que a hierarquia interna estava longe de ser consensual.
Os incidentes não ficaram por aqui: mais tarde, já na fase final da corrida, as dúvidas de Lawson sobre a segurança da sua posição foram confirmadas quando Lindblad voltou a tentar a ultrapassagem, apesar de nova ordem para abrandar e gerir a mecânica. Frustrado, Lawson desabafou pelo rádio: “É a última vez que obedeço, pá. Levanto o pé 50 metros e sou atacado”, referiu após quase ser empurrado para a gravilha, num momento que fez soar os alarmes dentro do muro da Racing Bulls.
Apesar do clima tenso, a equipa optou por não intervir de forma drástica, permitindo a Lawson recuperar a posição graças a uma estratégia de “undercut” nas boxes. O resultado final garantiu à Racing Bulls o nono e décimo lugares, com ambos os pilotos a trazerem pontos importantes para o campeonato de construtores, mas a sensação era de que o controlo da equipa sobre os seus jovens talentos esteve por um fio em Spielberg.
À entrada para o Grande Prémio da Grã-Bretanha, em Silverstone, Lawson procurou dissipar eventuais rumores de desentendimento prolongado. Em declarações à F1 TV, o neozelandês clarificou: “Da minha parte, nada de especial. Estava a tentar cumprir as ordens naquele momento da corrida.” Lawson acrescentou ainda: “Foi uma situação complicada porque estávamos a gerir os travões e a fazer muito lift-and-coast, especialmente no início do turno. Sinceramente, não acho que seja assim tão grave, e para este fim de semana tudo parece estar completamente ultrapassado.” A Racing Bulls, pela voz dos seus responsáveis, optou por não comentar publicamente, mas fontes no paddock garantem que as conversas internas serviram para repor a confiança e alinhar estratégias para Silverstone.
Em termos de campeonato, estes resultados permitiram à Racing Bulls consolidar o sexto lugar nos construtores, aproximando-se da Haas e distanciando-se da Williams. Lawson mantém-se como o melhor classificado da equipa, agora com 24 pontos, enquanto Lindblad soma 12 na sua temporada de estreia. O foco vira-se agora para o histórico circuito de Silverstone, onde a gestão das emoções e do espírito competitivo entre colegas de equipa será novamente posta à prova.
A próxima ronda em terras britânicas promete ser decisiva para a evolução da Racing Bulls no campeonato, tanto no que diz respeito à performance em pista como à estabilidade interna. Com a McLaren e a Mercedes a ameaçarem posições, a equipa terá obrigatoriamente de transformar o talento dos seus jovens pilotos em resultados consistentes, evitando repetições de conflitos que possam custar pontos vitais. Silverstone será, assim, mais do que um teste de velocidade – será um teste de maturidade para Lawson, Lindblad e para toda a estrutura técnica da Racing Bulls.
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