A decisão de eliminar o limite de mandatos para a presidência da FIA está a abalar o universo do desporto motorizado internacional, ao abrir caminho para uma liderança praticamente vitalícia de Mohammed Ben Sulayem. O dirigente, que ocupa a presidência desde 2021, viu o Conselho Mundial do Desporto Motorizado aprovar com esmagadora maioria – 90,71% dos votos – a revogação da norma que restringia a três o número máximo de mandatos consecutivos. Este passo, tomado numa reunião decisiva para o futuro da federação, poderá permitir a Ben Sulayem conservar a liderança da FIA para lá de 2033, prazo originalmente definido.
O actual presidente da FIA, com 64 anos, assegurou recentemente o seu segundo mandato, mas até agora encontrava-se limitado não só pelo número de mandatos, mas também pela idade máxima de 70 anos imposta para o cargo. No entanto, tudo indica que essa barreira será a próxima a cair, uma vez que, segundo informações avançadas pela BBC, Ben Sulayem tem intenções claras de eliminar igualmente este limite etário. Além disso, as regras para apresentação de candidaturas alternativas foram endurecidas, já que o prazo para a entrega do elenco completo de vice-presidentes passou de 49 para 100 dias antes das eleições, dificultando ainda mais o surgimento de rivais capazes de se organizar a tempo.
No seio da Assembleia da FIA, a decisão foi justificada como parte de uma estratégia para garantir maior estabilidade e continuidade na liderança da federação. Ben Sulayem, ao comentar a aprovação destas mudanças, afirmou: “As decisões aprovadas pelos nossos membros reflectem os contínuos progressos que estamos a alcançar em conjunto como federação. Graças a uma governação mais robusta, à disciplina financeira e a uma visão clara a longo prazo, estamos a construir uma FIA melhor equipada para apoiar os nossos membros, fortalecer os nossos campeonatos e dar um contributo concreto aos desportos motorizados e à mobilidade em todo o mundo.” Estas palavras foram proferidas após a reunião do Conselho, sublinhando o compromisso do presidente em consolidar uma liderança forte e de longo alcance.
Esta alteração estatutária não é isenta de polémica e pode ter consequências profundas na dinâmica interna e externa da FIA. A possibilidade de uma presidência sem limitação temporal levanta questões sobre a renovação, transparência e pluralidade dentro da federação, especialmente num momento em que o automobilismo enfrenta desafios significativos ao nível da sustentabilidade, segurança e equilíbrio de poder entre construtores, promotores e reguladores. Para muitos observadores, a medida pode ser vista como um movimento de concentração de poder, tornando ainda mais difícil a ascensão de novas figuras ou ideias inovadoras à liderança da FIA.
O impacto imediato destas decisões poderá sentir-se já nas próximas fases do campeonato do mundo de Fórmula 1 e em outras disciplinas sob a égide da FIA, onde a estabilidade directiva poderá traduzir-se, por um lado, em políticas consistentes mas, por outro, numa menor abertura à mudança. A próxima prova do calendário do Mundial de Fórmula 1 terá lugar no circuito de Silverstone, onde a atenção não estará apenas centrada nos pilotos e equipas, mas também nas implicações destas decisões nos bastidores do desporto.
O cenário agora traçado coloca Ben Sulayem numa posição de força rara entre os dirigentes desportivos internacionais, podendo tornar-se num dos líderes com maior longevidade da história da FIA. Para os adversários e potenciais candidatos, as alterações significam obstáculos acrescidos e a necessidade de uma organização antecipada e robusta, caso pretendam desafiar a liderança estabelecida. A evolução das próximas semanas será determinante para perceber se a questão do limite de idade será efectivamente revista e como a comunidade internacional do desporto motorizado irá reagir a esta nova configuração de poder na FIA.
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