Audi e Ferrari avançam com melhorias nos motores apesar de atraso do aduo

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Audi e Ferrari já começaram a implementar melhorias nas suas unidades motrizes de Fórmula 1, mesmo antes de a FIA oficializar os resultados finais do primeiro período ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Melhoria). A inesperada liderança da Red Bull-Ford Powertrains no ranking inicial do ADUO, revelada durante o fim de semana do Grande Prémio do Mónaco, abalou o paddock e desencadeou uma nova vaga de discussões técnicas e políticas sobre o futuro do desenvolvimento dos motores na disciplina.

Segundo os dados recolhidos até ao Grande Prémio do Canadá, a Red Bull-Ford ficou no topo da tabela do ADUO, não tendo, por isso, direito a qualquer token de desenvolvimento para esta época. Mercedes, por sua vez, foi classificada com um défice de 2 a 4% face ao benchmark da FIA, o que lhe permite aceder a um token de melhoria. Ferrari, Audi e Honda apresentaram-se mais de 4% atrás em termos de performance do motor de combustão interna (ICE), garantindo-lhes dois upgrades esta temporada e outros dois em 2025. A verificação adicional dos dados, solicitada pela Red Bull e liderada pela FIA, ainda decorre, mas tudo indica que o cenário inicial não sofrerá alterações significativas.

A importância destes resultados não passa despercebida num campeonato cada vez mais equilibrado a nível técnico. Com a Red Bull-Ford a manter o estatuto de referência, Mercedes tenta colmatar o seu défice para não perder terreno na luta pelos títulos. Ferrari e Audi, protagonistas de uma recuperação notória, contam agora com autorização para implementar melhorias significativas nos seus propulsores, numa altura em que a regularidade e fiabilidade podem ser determinantes para a luta nos lugares cimeiros. A Honda, apesar de apresentar o maior atraso — ainda assim inferior a 10% face ao melhor motor —, também poderá beneficiar de um plano de evolução mais agressivo.

Laurent Mekies, chefe de equipa da Red Bull-Ford, deixou clara a sua posição após o GP de Espanha: “O que gostaríamos de discutir mais profundamente é que não vemos, em nenhuma amostra de dados, qualquer vantagem nossa face aos nossos amigos da Mercedes.” Mekies sublinhou que a Red Bull não se opõe ao sistema ADUO em si, mas exige máxima transparência no processo. Por seu lado, fontes oficiais da Mercedes garantem que a metodologia e os dados da FIA foram exaustivamente verificados, defendendo que a decisão é factual e baseada em critérios objetivos. Já Frédéric Vasseur, chefe de equipa da Ferrari, mostrou-se satisfeito com a oportunidade: “É fundamental que o sistema permita às equipas com défice real aproximarem-se, para mantermos a competitividade no topo da Fórmula 1.”

Apesar de a comunicação pública da FIA ainda não ser oficial, a luz verde foi dada internamente aos construtores desde o Mónaco. Por isso, não surpreende que a Audi já tenha estreado uma evolução do seu motor em Barcelona, e a Ferrari prepare uma actualização para o Grande Prémio da Áustria, com novo turbo previsto para depois da pausa de verão. A Honda também confirmou que planeia introduzir melhorias estratégicas na segunda metade da época. O sistema ADUO, criado para permitir aproximação competitiva, está assim a ser utilizado na máxima extensão possível pelas equipas elegíveis.

A principal polémica gira em torno da Mercedes: a Red Bull questiona a legitimidade do acesso dos alemães aos tokens de desenvolvimento, ironizando que, caso a Mercedes adie melhorias, poderá manter a Red Bull no topo do ranking ICE nos próximos ciclos de avaliação. Esta dinâmica política tornou o ADUO um dos temas mais sensíveis do paddock. Para além disso, várias equipas manifestam desconforto com o facto de apenas a performance do motor de combustão ser tida em conta, deixando de fora variáveis como a eficiência do sistema híbrido e o tamanho do turbo, factores que impactam directamente o rendimento em pista.

O debate sobre a eficácia do ADUO está lançado: será que o sistema, desenhado para nivelar diferenças, não corre o risco de se transformar numa arma política e técnica? Nikolas Tombazis, director da FIA para os monolugares, admitiu que teria preferido parâmetros mais abrangentes, mas a decisão dos construtores foi manter a simplicidade do modelo, pelo menos até 2025. A discussão sobre uma eventual revisão para o futuro é inevitável, sobretudo se as actuais limitações do sistema se traduzirem em novas disparidades ou injustiças competitivas.

O próximo capítulo desta novela será escrito após o Grande Prémio da Grã-Bretanha, onde se espera que a FIA oficialize, finalmente, os resultados do ADUO. Até lá, Audi e Ferrari já testam em pista as suas evoluções, enquanto Mercedes e Red Bull mantêm a pressão fora dos circuitos. O equilíbrio do campeonato pode, assim, sofrer alterações relevantes já nas próximas provas, deixando em aberto quem melhor capitaliza as oportunidades de desenvolvimento e quem corre o risco de perder terreno na corrida pelo título mundial de Fórmula 1.

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