Red Bull aposta em melhorias no rb22 para o Grande Prémio da Áustria

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Max Verstappen e a Red Bull chegam ao Red Bull Ring sob enorme pressão, num momento crucial da temporada, depois de um arranque de ano longe do domínio habitual. Com apenas 89 pontos nas sete primeiras provas do novo regulamento, a formação austríaca apresenta o registo mais fraco neste ponto do campeonato desde 2015, ocupando actualmente o quarto lugar no Mundial de Construtores. O Grande Prémio da Áustria, disputado no emblemático circuito de Spielberg, promete assim ser um verdadeiro teste à capacidade de reação da equipa da casa — ainda para mais com a expectativa de importantes evoluções no RB22, o monolugar de Verstappen e Hadjar.

No rescaldo de uma qualificação em Barcelona onde Verstappen ficou a escassos 0,3s da pole position de George Russell (Mercedes), a corrida revelou as limitações do RB22 em ritmo puro. O holandês terminou a 40 segundos do vencedor, Lewis Hamilton (Ferrari), garantindo apenas o quarto lugar, enquanto Isack Hadjar, após um arranque comprometedor, cruzou a meta em sexto, já dobrado. Esta diferença para a frente do pelotão foi sintomática das dificuldades da Red Bull em pistas de elevada exigência aerodinâmica, acentuando a necessidade de encontrar rapidamente soluções para recuperar terreno face à concorrência feroz de Ferrari, Mercedes e McLaren.

A importância desta prova em solo austríaco ganha ainda maior relevância tendo em conta o contexto do campeonato e o futuro imediato da Red Bull. Laurent Mekies, director de equipa, não escondeu a urgência: “A corrida produziu um retrato fiel de onde estamos com o nosso pacote actual neste tipo de pistas”, afirmou no final da última prova. “O que vimos [na corrida] espelhou a situação da qualificação, em que conseguimos lutar com as outras equipas de topo, mas não tivemos andamento para disputar a vitória. Para isso, ainda precisamos de encontrar entre quatro e cinco décimos.” As palavras de Verstappen foram ainda mais directas: “Fomos simplesmente demasiado lentos comparados com as três equipas à nossa frente. Há áreas claras onde precisamos de melhorar. O carro está a falhar nalguns aspectos e, ao mesmo tempo, a gestão de pneus ainda está atrás nos circuitos de maior energia”, referiu o tricampeão mundial.

Por seu lado, Isack Hadjar identificou outro problema crónico: “Temos de trabalhar nos nossos arranques porque não podemos continuar assim todos os fins de semana. Este é verdadeiramente o ponto a corrigir, pois todos evoluíram, mas eu fui para trás. O procedimento é demasiado difícil, a janela é demasiado estreita.” As dificuldades nas partidas já custaram pontos preciosos e, numa grelha tão competitiva, qualquer detalhe faz a diferença.

A Red Bull aposta agora forte no seu maior pacote de evoluções desde o Grande Prémio de Miami, esperando que as alterações aerodinâmicas e a redução de peso aproximem o RB22 do limite mínimo dos 768kg e, sobretudo, da frente da tabela. Mekies, ainda assim, pede cautela: “Sabemos que só estas evoluções não chegam para colmatar todo o nosso défice, mas é importante manter esta trajectória de aproximação desde o pós-Japão. Precisamos de continuar a reduzir a diferença para que deixemos de falar em quatro décimos e passemos a discutir menos.” O Red Bull Ring, menos exigente do ponto de vista aerodinâmico do que Barcelona, mas ainda assim desafiante, poderá ser o palco ideal para avaliar o real impacto das novidades técnicas.

Em pano de fundo, paira a incerteza quanto ao futuro de Verstappen. O contrato do holandês prolonga-se até 2028, mas há cláusulas de saída caso não esteja nos dois primeiros do Mundial aquando da pausa de verão. Actualmente, ocupa o sétimo lugar, a 50 pontos do segundo classificado, Lewis Hamilton, cenário que poderá activar essa cláusula. Questionado em Espanha sobre o seu futuro, Verstappen foi evasivo: “Se houver novidades sobre o que vou fazer, eu próprio darei a conhecer.” Já Raymond Vermeulen, o seu gestor, foi mais explícito, citado recentemente: “Temos contrato até 2028. Claro que há cláusulas de saída, sempre existiram. Mas nunca activámos nenhuma. Sempre fomos leais e queremos continuar este percurso com a Red Bull. O Max deseja terminar a carreira aqui, mas, naturalmente, com possibilidade de ganhar. Queremos que a decisão seja tomada em breve, talvez antes da pausa de verão.”

Com a Fórmula 1 a entrar numa fase decisiva, a resposta da Red Bull no Grande Prémio da Áustria pode ser determinante para o resto da época e para o futuro de Verstappen. Segue-se já na próxima semana o Grande Prémio da Hungria, última prova antes da pausa estival, onde se poderá perceber se a formação austríaca recuperou o seu estatuto de candidata às vitórias ou se, pelo contrário, arrisca a ver a Mercedes, Ferrari e McLaren consolidarem a sua vantagem. Os olhos do mundo estarão postos em Spielberg — para Verstappen e para a Red Bull, é tempo de dar resposta em pista e fora dela.