Penalização a Drugovich retira 1-2 histórico à Andretti na Fórmula E

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A Andretti parecia ter garantido um resultado histórico no Grande Prémio de Sanya, com o seu primeiro 1-2 de sempre na Fórmula E, mas a festa durou apenas algumas horas até a penalização a Felipe Drugovich alterar radicalmente a classificação. Jake Dennis manteve a vitória na frente, mas Drugovich, que cruzara a meta em segundo, foi relegado para o quarto posto devido a uma penalização de cinco segundos, atribuída após contacto com Pascal Wehrlein, da Porsche.

Na qualificação, a Andretti já tinha dado o mote ao monopolizar a primeira linha da grelha. Na corrida, Dennis demonstrou o seu domínio ao liderar praticamente do início ao fim, terminando com um tempo de 41m23.947s. Pepe Martí (ERT), que arrancou da terceira linha, aproveitou as incidências e as penalizações para garantir um impressionante segundo lugar, a apenas 2,104 segundos do vencedor, o seu melhor resultado na Fórmula E até à data. Antonio Félix da Costa, agora na Jaguar, beneficiou de reviravoltas administrativas para subir ao pódio, terminando em terceiro, a 5,702 segundos de Dennis, depois de inicialmente ter sido penalizado e caído para fora do top 3.

A penalização de Drugovich surgiu após os comissários considerarem o brasileiro “totalmente responsável” pelo toque que prejudicou as aspirações de Wehrlein ao título. O piloto da Andretti caiu para o quarto posto, a 6,112 segundos do vencedor, numa decisão que causou alguma controvérsia no paddock. O top 5 foi fechado por Max Günther (Maserati), que terminou a 7,116 segundos do primeiro classificado, enquanto Nyck de Vries, regressado à Fórmula E, garantiu o sexto lugar, a 7,855 segundos, também ele penalizado em tempo.

Esta reviravolta tem implicações diretas na luta pelo campeonato. Jake Dennis reforça a sua posição como candidato ao título, enquanto Da Costa recupera pontos importantes depois de um início de temporada irregular. Para Pepe Martí, este segundo lugar representa um salto qualitativo e coloca-o como o rookie em maior destaque. Por outro lado, Drugovich vê esfumar-se um pódio garantido logo na estreia com a Andretti, que poderia ter sido um sólido cartão de visita para a restante temporada.

No rescaldo da prova, Dennis mostrou-se satisfeito com o desfecho, declarando: “Foi uma corrida difícil, com muita pressão do início ao fim, mas a equipa esteve fantástica e o carro esteve irrepreensível.” Drugovich, visivelmente desapontado, comentou após ser notificado da penalização: “Senti que foi um incidente de corrida, mas respeito a decisão dos comissários. Tínhamos ritmo para o pódio e saio frustrado, mas motivado para voltar ainda mais forte.” António Félix da Costa, já depois de ser confirmado no pódio, afirmou: “Foi um fim-de-semana caótico, cheio de incidentes, mas soube manter a calma e aproveitar as oportunidades. Estes pontos são preciosos para o campeonato.”

Com sete penalizações distribuídas entre a corrida e o pós-corrida — cinco delas com impacto direto nos resultados finais —, o Grande Prémio de Sanya ficou marcado pela incerteza até ao cair do pano. Entre os abandonos, destaque para Mitch Evans, Nick Cassidy, Oliver Rowland, Norman Nato e Edoardo Mortara, que viram as suas aspirações caírem por terra em solo chinês.

O campeonato segue agora para o circuito de Portland, onde se espera que as rivalidades se intensifiquem. Dennis parte moralizado e mais líder, enquanto Da Costa ganha novo fôlego na perseguição aos lugares cimeiros. Drugovich terá de responder em pista à adversidade, numa época que promete emoção ao rubro até à última prova. A Andretti, apesar do amargo de boca, sai de Sanya com sinais claros de competitividade, mas também com a certeza de que cada detalhe pode fazer toda a diferença numa Fórmula E cada vez mais imprevisível.

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