Leclerc mantém críticas aos travões após polémica com parceiro da Ferrari

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Charles Leclerc voltou a causar polémica ao reafirmar as críticas contundentes ao fornecedor de travões da Ferrari, Brembo, depois do incidente que marcou o seu abandono no Grande Prémio do Mónaco. O piloto monegasco não recuou nas suas declarações e garantiu que a questão dos travões tem afectado o seu desempenho, classificando o problema como “quase perigoso” e levando a equipa a tomar uma decisão drástica para o Grande Prémio de Espanha, em Barcelona.

Após o desaire no Circuito do Mónaco, onde Leclerc se viu forçado a abandonar a prova numa altura crucial, o piloto da Ferrari fez questão de apontar o dedo à Brembo, afirmando que tem sentido falta de confiança no sistema de travagem ao longo de várias provas. A Ferrari terminou a corrida sem pontos para Leclerc, enquanto Carlos Sainz, seu colega de equipa, cruzou a meta em quinto, a 43,1 segundos do vencedor Max Verstappen. O desastre comprometeu seriamente as aspirações de Leclerc no Campeonato do Mundo de Fórmula 1, mantendo-o afastado do topo da classificação, onde Verstappen continua a liderar com uma vantagem confortável.

A polémica reacendeu-se quando, questionado pelos jornalistas no paddock de Barcelona, Leclerc foi taxativo ao ser confrontado com a sua responsabilidade no acidente do Mónaco: “Não, mas volto a frisar, não quero alongar-me muito sobre o que aconteceu. Raramente falo sem pensar, mas se o faço é porque já verifiquei antes, por isso não tenho muito a acrescentar.” As suas palavras não passaram despercebidas e levaram mesmo a Brembo a emitir um comunicado oficial, criticando as declarações do piloto da Ferrari e defendendo a fiabilidade dos seus componentes.

O ambiente interno na Ferrari tornou-se tenso, com a equipa a optar por experimentar diferentes configurações de travões. Lewis Hamilton, que se juntou à Ferrari esta temporada, revelou que ambos os pilotos testaram a sua afinação de travões no Japão, mas Leclerc preferiu manter-se fiel à configuração anterior. O próprio Leclerc confirmou a decisão: “Foi uma decisão tomada em conjunto, para dividir as abordagens nos carros. As últimas duas corridas foram mais complicadas do que esperava inicialmente. Sim, agora vou seguir a direcção do Lewis”, explicou o monegasco, deixando claro que, a partir de Barcelona, passará a utilizar a configuração do britânico, recorrendo a componentes de outro fornecedor.

Esta mudança poderá marcar um ponto de viragem na época de Leclerc, que até agora tem sentido dificuldades em acompanhar o ritmo dos principais rivais. A Ferrari, que começou o campeonato com ambições renovadas, vê-se agora obrigada a reagrupar e a procurar soluções técnicas que devolvam confiança aos seus pilotos e competitividade ao SF-24. O incidente com Brembo também colocou em evidência as crescentes tensões entre fornecedores e equipas, numa altura em que cada detalhe técnico pode ser decisivo para o desfecho do campeonato.

O próximo desafio está já ao virar da esquina, com o Grande Prémio de Espanha no Circuito de Barcelona-Catalunha, uma pista exigente para os travões devido às travagens fortes nas curvas 1 e 10. O desempenho de Leclerc com a nova configuração será observado com atenção por toda a grelha, podendo influenciar futuras decisões técnicas não só na Ferrari, mas também noutras equipas do pelotão.

Com Verstappen a consolidar a liderança no campeonato e a Red Bull a mostrar consistência, a Ferrari precisa urgentemente de inverter a tendência negativa. Para Leclerc, a aposta na configuração de Hamilton representa uma tentativa de recuperar terreno e reafirmar-se como candidato ao título. Se a alteração surtir efeito, poderá ser o impulso necessário para relançar a luta pelo campeonato e acalmar as águas dentro de Maranello. Caso contrário, a pressão sobre a equipa técnica e sobre o próprio Leclerc deverá intensificar-se nas próximas rondas.

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