Tesla queria ter 1 milhão de robotáxis em 2020. Em 2026 só tem 20

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Em 2019, Elon Musk garantiu aos investidores que a Tesla teria mais de um milhão de robotáxis totalmente autónomos nas estradas já em 2020. A promessa tornou-se uma das declarações mais emblemáticas da história recente da indústria automóvel. Seis anos depois, a realidade está muito longe dessa visão futurista: atualmente, a Tesla opera apenas cerca de 20 robotáxis sem supervisão humana nos Estados Unidos.

O tão aguardado serviço Robotaxi começou finalmente a funcionar no Texas durante o último ano, inicialmente numa pequena área limitada de Austin e com operadores de segurança presentes nos veículos. Desde então, a operação expandiu-se para cidades como Dallas e Houston, além da área da Baía de São Francisco, mas os números continuam extremamente reduzidos quando comparados com os rivais do setor.

Segundo dados do serviço Robotaxi Tracker, a Tesla teve apenas 20 veículos autónomos sem supervisão em funcionamento nos últimos sete dias. Destes, 14 circulam em Austin, enquanto Dallas e Houston contam com apenas três unidades cada. Na Califórnia, onde as regras continuam mais restritivas, a Tesla ainda não recebeu autorização para operar robotáxis totalmente autónomos sem supervisão.

E a situação parece estar longe de melhorar. A frota total da Tesla, incluindo veículos supervisionados e não supervisionados, tem vindo a diminuir de forma consistente desde o início de 2026. De acordo com o Electrek, o número total de carros em operação caiu para apenas 34 unidades na última semana. Só na área da Baía, a Tesla chegou a ter mais de 100 veículos ativos em abril, mas atualmente restam apenas nove.

Mesmo esses automóveis não operam de forma verdadeiramente autónoma. Na Califórnia, os veículos continuam dependentes de condutores humanos e funcionam sob licenças semelhantes às utilizadas por serviços de transporte privado tradicionais.

A comparação com a Waymo torna o cenário ainda mais delicado para a Tesla. Enquanto Musk continua a prometer uma revolução iminente na condução autónoma, a Waymo consolidou silenciosamente a sua posição como líder do setor, operando milhares de viagens autónomas reais em várias cidades norte-americanas.

Embora a Tesla não tenha explicado oficialmente a redução da sua frota Robotaxi, vários analistas apontam para preocupações relacionadas com segurança e fiabilidade do sistema Full Self-Driving. Dados divulgados no início do ano indicavam que os veículos da frota Robotaxi da Tesla estavam envolvidos em incidentes aproximadamente a cada 55 mil milhas percorridas — um valor significativamente inferior à média da condução humana.

O contraste entre a promessa de “um milhão de robotáxis” e a realidade atual de apenas 20 veículos sem supervisão tornou-se um dos exemplos mais claros da dificuldade em transformar ambições de condução autónoma total numa operação escalável, segura e legalmente aprovada.

E enquanto a Tesla continua a lutar para cumprir a visão apresentada por Elon Musk há quase uma década, o futuro dos robotáxis permanece tão promissor quanto incerto.