Mais de nove décadas depois de ter desaparecido da indústria automóvel, a histórica Itala prepara o seu regresso ao mercado com um novo SUV compacto chamado Itala 35. O modelo assinala o renascimento oficial de uma das marcas mais emblemáticas do automobilismo italiano, agora integrada num ambicioso projeto industrial liderado pelo DR Automobiles.
A apresentação oficial teve lugar no Salão Automóvel de Turim, em Itália, e o lançamento comercial está previsto para setembro de 2026, com preços a começarem em torno dos 35 mil euros.

O regresso da Itala surge integrado no programa “Historic Italian Brands” (HIB), criado pela DR Automobiles com o objetivo de recuperar nomes históricos da indústria italiana. Além da Itala, o grupo está também a revitalizar a marca OSCA.
Fundada em 1903 pela família Ceirano, a Itala tornou-se uma referência no início do século XX, alcançando notoriedade internacional após vencer a lendária corrida Pequim-Paris de 1907 com o modelo Itala 35/45 CV. Contudo, as dificuldades económicas agravadas pela Primeira Guerra Mundial acabariam por levar ao desaparecimento da empresa em 1935.
Agora, 91 anos depois, a marca regressa ao ativo numa fórmula cada vez mais comum na indústria automóvel europeia: identidade e design italianos combinados com tecnologia de origem chinesa.
O novo Itala 35 utiliza como base técnica o Trumpchi GS3 Yingsu, desenvolvido pela fabricante chinesa GAC. Plataforma, motorização e arquitetura mecânica chegam diretamente da China, enquanto o desenvolvimento final, afinação dinâmica e produção serão realizados em Itália.

Segundo a DR Automobiles, os trabalhos de adaptação ao mercado europeu incluem ajustes específicos ao chassis, sistema de travagem, eletrónica e infoentretenimento. O design ficou a cargo da Italdesign, enquanto a direção técnica será liderada por Roberto Fedeli, engenheiro com passagem por marcas como Ferrari, Maserati, Alfa Romeo e Aston Martin.
O Itala 35 apresenta-se como um SUV compacto de 4,41 metros de comprimento, 1,85 metros de largura e 1,60 metros de altura, posicionando-se num dos segmentos mais importantes do mercado europeu.
Debaixo do capot encontra-se um motor 1.5 turbo a gasolina com injeção direta, capaz de desenvolver 170 cv e 270 Nm de binário. O motor está associado a uma caixa automática de dupla embraiagem com sete velocidades e tração dianteira.
Apesar da ausência de qualquer tipo de eletrificação, a marca promete prestações interessantes para o segmento: aceleração dos 0 aos 100 km/h em 7,5 segundos e velocidade máxima de 190 km/h. O consumo médio anunciado é de 6,8 l/100 km.
O interior aposta numa combinação de tecnologia e ambiente premium, com revestimentos em pele e Alcantara, painel de instrumentos digital de 7 polegadas e ecrã central multimédia de 10,25 polegadas.




