De 18,2% para 54,3% de colisões numa travagem simulada
Distração ao volante foi um fator em 1 de cada 3 acidentes rodoviários analisados no programa de investigação da Allianz, apresentado a 21 de outubro. Nos testes, o desenho do cockpit alterou até 25% o tempo de olhar para fora da estrada, cerca de 3 segundos em tarefas idênticas.
O essencial
- A Allianz estima que a distração foi causa imediata ou fator contributivo em 1 de cada 3 casos de colisão analisados.
- Tarefas idênticas apresentaram diferenças até 25% no tempo total de olhar desviado da estrada.
- Para funções essenciais à segurança, 65% dos inquiridos preferem comandos físicos.
A mesma tarefa pode exigir mais tempo de olhos fora da estrada, consoante o desenho dos comandos.
No programa de investigação da Allianz, a seguradora estima, segundo o AutoGear apurou, que a distração foi causa imediata ou fator contributivo em 1 de cada 3 acidentes rodoviários analisados.
Nos veículos comparados, tarefas idênticas apresentaram diferenças até 25% no tempo total de olhar desviado da estrada, cerca de 3 segundos. A Allianz explica que funções antes intuitivas, como regular a climatização ou o rádio, exigem agora vários toques em menus.
Distração ao volante

O Centro de Tecnologia da Allianz (AZT) analisou mais de 34.000 casos de colisão no seu programa de investigação sobre distração. Reuniu estudos de acompanhamento do olhar em veículos reais, simulação de condução com a Universidade Técnica de Munique, modelos cognitivos, um inquérito internacional e mais de 80 estudos publicados.
Segundo a Allianz, a revisão mostra que desviar o olhar durante mais de 2 segundos está relacionado com um aumento substancial do risco de acidente. A seguradora atribui o problema à integração das funções essenciais à segurança, não à presença de um ecrã tátil por si só.
O que mostram as simulações
A Allianz e a empresa CogniBIT simularam 4 situações de trânsito através de um modelo cognitivo baseado nos dados reais do olhar dos condutores. Numa travagem de emergência em autoestrada, a proporção de simulações terminadas em colisão subiu de 18,2% com condutores atentos para 54,3% com condutores distraídos.
Quando uma criança surgiu subitamente na estrada, a proporção passou de 3,9% para 11,2%. Em 39% desses casos, o condutor distraído nem sequer reagiu. Nas 4 situações simuladas, os condutores distraídos tiveram resultados piores do que os modelados com uma taxa de álcool no sangue de 0,8 g/l.
Preferência por comandos físicos

O inquérito abrangeu Alemanha, Austrália, Áustria, Brasil, Espanha, França, Itália, Reino Unido e Suíça. Segundo a Allianz, 79% dos participantes consideram que a tecnologia a bordo agravou a distração nos últimos anos, enquanto 53% classificam o risco geral como elevado ou muito elevado.
Entre os responsáveis por um acidente nos últimos 3 anos, 73% admitem que a distração teve, ou pode ter tido, influência. Para funções essenciais à segurança, 65% preferem comandos físicos aos menus dos ecrãs táteis.
Funções sempre à mão
A Allianz pede aos fabricantes acesso rápido e intuitivo aos limpa-para-brisas, piscas, médios, máximos, luzes de emergência e funções de descongelação e desembaciamento. Defende comandos permanentemente acessíveis, físicos ou em zonas fixas e bem definidas do ecrã, para reduzir a procura e facilitar a utilização de veículos desconhecidos. Na Europa, refere a seguradora, o Euro NCAP já valoriza o acesso direto às funções principais.
Christian Sahr, diretor-geral do AZT, defende recomendações claras sobre quais as funções que devem ter interruptores físicos e quais podem ficar no ecrã. Pede também a aplicação consistente do conhecimento científico sobre interação entre pessoas e máquinas. Klaus-Peter Röhler, administrador da Allianz SE, sublinha que a distração depende também do desenho dos comandos e que, quando está em causa a segurança, a função deve prevalecer sobre a estética.
A responsabilidade do condutor
A Allianz pede aos reguladores e às autoridades um registo consistente da distração, regras e fiscalização adaptadas aos telemóveis e interfaces digitais, além de tecnologias de monitorização. Defende campanhas de sensibilização, formação dos condutores e avisos mais claros a bordo.
No inquérito, 86% dos condutores reconhecem que a principal responsabilidade por reduzir a distração lhes pertence. A Allianz salienta que os sistemas de assistência podem apoiar a atenção, mas não a substituem.
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Perguntas e respostas
Distração ao volante contribui para 1 em cada 3 acidentes?
A investigação da Allianz identifica a distração como causa imediata ou fator contributivo em 1 de cada 3 casos de colisão analisados. O programa analisou mais de 34.000 casos.
Os ecrãs táteis são o problema?
A Allianz atribui o problema à integração das funções essenciais à segurança, não à presença de um ecrã tátil por si só. Defende comandos permanentemente acessíveis, físicos ou em zonas fixas e bem definidas do ecrã.
Os condutores preferem comandos físicos?
Para funções essenciais à segurança, 65% preferem comandos físicos aos menus dos ecrãs táteis. O inquérito abrangeu Alemanha, Austrália, Áustria, Brasil, Espanha, França, Itália, Reino Unido e Suíça.
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AutoGear · 52 artigos
Para ele, uma corrida nunca é só uma corrida. Segue as motos e os automóveis a pensar no que um resultado vai querer dizer três provas depois, nas rivalidades que fazem uma época e na história que dá peso a cada vitória. Além disso, gosta de passar tempo na oficina a montar e desmontar motores. É o que se chama um verdadeiro apaixonado.
Colaborador do AutoGear. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o AutoGear, o Motociclismo e o M Sports.