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Polestar e Oxford estudam a performance para lá dos CV: o que sente realmente o condutor ao volante?

Publicado a 21 de Outubro de 2026, 14h00  ·  4 min de leitura

O essencial

  • Polestar 4 Dual Motor com Pack Performance apresenta 32% mais aceleração máxima e exige 15% menos esforço de direção
  • Estudo realizado no circuito Gotland Ring envolveu 12 condutores testando duas versões do Polestar 4 com diferentes níveis de performance
  • Versão Dual Motor com Pack Performance alcançou 89,2 pontos e 93 pontos na avaliação de dinâmica e experiência global de condução

Um estudo-piloto realizado no circuito Gotland Ring, na Suécia, analisou a relação entre a performance dos automóveis e as reações humanas. Nos testes, o Polestar 4 Dual Motor com Pack Performance registou 32% mais aceleração máxima e exigiu 15% menos esforço de direção do que a versão de motor traseiro.

Performance medida além dos números

A potência, a aceleração e os tempos por volta são indicadores fundamentais para avaliar a performance de um automóvel. Mas será que os números conseguem explicar tudo aquilo que um condutor sente ao volante? A Polestar e investigadores da Universidade de Oxford procuraram responder a esta questão através de um estudo que cruza dados do veículo com indicadores fisiológicos e psicológicos dos condutores.

O projeto-piloto foi desenvolvido pelo SDG Impact Lab da Universidade de Oxford, em colaboração com a marca sueca, e procurou perceber como as características dinâmicas de um automóvel influenciam a concentração, a confiança e a perceção de controlo de quem o conduz.
Dois Polestar 4, diferentes níveis de performance

Dois Polestar 4 em teste

O estudo envolveu 12 condutores, que testaram duas versões do Polestar 4 no circuito Gotland Ring, na Suécia: a versão Single Motor, com motor traseiro, e a versão Dual Motor equipada com o Pack Performance.

Os testes decorreram em condições de condução calmas e dinâmicas, permitindo comparar não só o comportamento dos dois automóveis, mas também as reações dos participantes perante diferentes níveis de exigência ao volante.

Para além da telemetria dos veículos, os investigadores monitorizaram a frequência cardíaca, os movimentos oculares e a dilatação das pupilas. Foram ainda realizadas avaliações psicológicas e entrevistas para compreender melhor a experiência relatada pelos condutores.

Mais 32% de aceleração máxima e menos esforço ao volante

A comparação entre as duas versões revelou diferenças relevantes na forma como a performance é entregue.

O Polestar 4 Dual Motor com Pack Performance disponibiliza uma potência de 400 kW, equivalente a 544 cv, enquanto a versão Single Motor, com motor traseiro, conta com 200 kW, ou 268 cv.

Em voltas rápidas realizadas em condições equivalentes, a versão Performance registou 32% mais aceleração máxima e exigiu 15% menos esforço de direção, apesar de ambas terem alcançado ritmos muito semelhantes.

O modelo com dois motores também gerou forças laterais mais elevadas em curva e registou mais episódios de aceleração intensa. Os resultados sugerem que a performance não depende apenas da velocidade alcançada, mas também da forma como o automóvel responde às solicitações do condutor.

Nas avaliações dos participantes, a versão Dual Motor com Pack Performance obteve 89,2 pontos em 100 na escala de Desempenho/Dinâmica, contra 67,7 pontos da versão Single Motor. Na avaliação global da experiência de condução, a diferença voltou a favorecer a versão mais potente: 93 pontos contra 77,9.

O que acontece ao corpo quando a condução se torna mais intensa?

Uma das vertentes mais interessantes da investigação foi a análise das reações fisiológicas durante a condução dinâmica.

Os investigadores observaram que, perante condições mais exigentes, os participantes pestanejavam menos, apresentavam maior dilatação das pupilas e mantinham o olhar fixo durante mais tempo. Estes padrões são consistentes com um aumento da concentração e do envolvimento na tarefa.

Ao relacionar estes indicadores com a telemetria dos automóveis, a equipa conseguiu estudar em simultâneo o comportamento do veículo e a resposta humana às suas acelerações e forças em curva.

A intenção não foi apenas perceber se os condutores sentiam mais emoção numa versão mais potente, mas também identificar os fatores que contribuem para uma experiência de condução considerada mais satisfatória.
A performance também se mede pela confiança

Confiança e controlo como fatores críticos

As entrevistas revelaram que a experiência ao volante não se resume à intensidade física das acelerações. Os participantes descreveram uma combinação de emoção, concentração, confiança no automóvel e sensação de controlo.

Vários compararam a condução a uma espécie de «montanha-russa controlada»: uma experiência intensa, mas em que o comportamento previsível do veículo ajuda a manter a confiança.

Um dos participantes resumiu essa sensação com uma frase particularmente expressiva: o automóvel «faz-nos sentir melhores condutores do que realmente somos».

Segundo os investigadores, os participantes associaram de forma mais consistente a versão Performance a esta combinação de emoção, confiança e controlo. Ainda assim, por se tratar de um estudo-piloto com apenas 12 condutores, os resultados devem ser entendidos como uma primeira exploração desta relação, e não como uma conclusão definitiva sobre a experiência de todos os condutores.

A próxima fronteira da performance automóvel

Para Christian Samson, responsável pelos atributos de produto da Polestar, a investigação procura compreender uma dimensão que não aparece numa ficha técnica.

«À medida que os automóveis elétricos redefinem o que pode ser a performance, quisemos compreender algo que não pode ser captado apenas por uma ficha técnica: a experiência humana ao volante», afirmou, destacando a colaboração com a Universidade de Oxford.

Max Klapow, investigador de doutoramento do Oxford SDG Impact Lab, sublinha igualmente que a performance não significa apenas circular mais depressa. Na sua perspetiva, também passa por proporcionar ao condutor confiança e controlo através de respostas previsíveis do automóvel.

O estudo representa, assim, uma tentativa de alargar a forma como a performance é avaliada, combinando os indicadores tradicionais da engenharia com dados sobre a reação humana. Numa altura em que os automóveis elétricos oferecem níveis cada vez mais elevados de potência e aceleração, perceber como essa capacidade é sentida ao volante poderá tornar-se tão relevante como conhecer os números apresentados na ficha técnica.

Ficha técnica

Potencia (Dual Motor)
400 kW / 544 cv
Potencia (Single Motor)
200 kW / 268 cv
Aceleracao maxima (Dual Motor)
32% superior ao Single Motor
Esforço de direcao (Dual Motor)
15% menos que o Single Motor

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  681 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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