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Euro NCAP penaliza automóveis sem botões físicos

Publicado a 15 de Outubro de 2026, 12h00  ·  Atualizado a 15 de Outubro de 2026, 14h04  ·  3 min de leitura

O essencial

  • Euro NCAP penaliza automóveis dependentes de ecrãs táteis para funções essenciais de condução.
  • Audi Q7 alcançou 90% na avaliação dos comandos interiores, com 100% nos comandos essenciais.
  • Xpeng X9 obteve apenas 20% na avaliação dos comandos físicos, apesar de cinco estrelas globais.
  • Protocolo 2026 avalia presença de botões físicos para mudança de direção, limpa-para-brisas e eCall.

Os automóveis que dependem excessivamente dos ecrãs táteis para controlar funções essenciais estão a ser penalizados nos mais recentes testes da Euro NCAP. Apesar de o Audi Q7, o Kia EV2 e o Xpeng X9 terem conquistado a classificação máxima de cinco estrelas, os resultados revelam diferenças significativas na facilidade de utilização dos comandos interiores, com o modelo chinês a obter apenas 20% neste critério.

Novo protocolo da Euro NCAP para 2026

O protocolo de avaliação da Euro NCAP para 2026 dá especial atenção à presença de comandos físicos para funções essenciais durante a condução. Indicadores de mudança de direção, limpa-para-brisas, luzes de emergência, buzina e botão de chamada de emergência eCall estão entre os elementos avaliados. O objetivo é perceber se estas funções podem ser ativadas diretamente através de botões ou comandos dedicados, sem obrigar o condutor a navegar pelos menus de um ecrã tátil.

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Audi Q7 lidera em comandos físicos

O Audi Q7 destacou-se neste capítulo, alcançando 90% na avaliação dos comandos interiores. O SUV da marca alemã obteve 100% na categoria dos comandos essenciais e 80% em conforto e infoentretenimento, beneficiando da presença de botões e alavancas bem posicionados e facilmente acessíveis. O resultado representa uma mudança de abordagem para a Audi, que tem sido criticada pela crescente digitalização dos habitáculos e pela eliminação de comandos físicos em modelos anteriores.

Além da avaliação dos comandos, o Q7 apresentou resultados sólidos na proteção dos ocupantes em colisões frontais, laterais e contra postes. O modelo integra também um sistema de manutenção na faixa de rodagem que ajusta a intensidade dos avisos e das intervenções em função do nível de atenção do condutor, procurando reduzir alertas desnecessários quando este está concentrado na estrada.

O Kia EV2 apresentou igualmente resultados positivos na avaliação dos comandos físicos, aproximando-se da abordagem defendida pela Euro NCAP. O SUV elétrico urbano destacou-se ainda pelo sistema de monitorização do estado do condutor, que adapta a intensidade dos avisos de saída da faixa de rodagem em função da atenção detetada. Desta forma, o sistema procura evitar intervenções excessivas quando o condutor se mantém atento.

Xpeng X9 revela limitações do ecrã tátil

Em contraste, o Xpeng X9 evidenciou as limitações de um habitáculo demasiado dependente do ecrã tátil central. O grande monovolume elétrico chinês alcançou apenas 20% na avaliação dos comandos físicos básicos, uma diferença expressiva face aos resultados do Audi Q7 e do Kia EV2. Ainda assim, conseguiu obter cinco estrelas na classificação global, graças aos resultados na prevenção de acidentes e na segurança após uma colisão.

O Xpeng X9 revelou também fragilidades no sistema de assistência à velocidade, que não cumpriu todos os requisitos durante um teste em condições reais ao longo de 2.000 quilómetros em estradas europeias. Entre os problemas identificados estiveram dificuldades na interpretação de limites de velocidade condicionados, nomeadamente os associados à chuva ou específicos para veículos pesados. O sistema também nem sempre conseguiu apresentar o último limite conhecido quando não reconhecia os sinais de trânsito.

Os testes incluíram ainda a pick-up BYD Shark, que recebeu cinco estrelas com base numa avaliação adaptada dos ensaios Australasian NCAP de 2025, embora tenha sido penalizada pela falha na ativação de um airbag de cortina. Já o Mazda2 Hybrid manteve as quatro estrelas atribuídas ao seu modelo equivalente, o Toyota Yaris.

Os resultados demonstram que a classificação global de segurança não reflete necessariamente o desempenho de um automóvel em todos os critérios. No caso dos comandos interiores, a Euro NCAP procura valorizar soluções que permitam ao condutor aceder rapidamente às funções essenciais, reduzindo a necessidade de desviar o olhar da estrada. A diferença entre os 90% do Audi Q7 e os 20% do Xpeng X9 evidencia o desafio que os fabricantes enfrentam para conciliar a digitalização dos habitáculos com a facilidade e a segurança de utilização.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  636 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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