Troçaram do Ferrari Luce nas redes e a Ferrari ficou mais convencida
Ferrari Luce (2026) em verde, visto do lado esquerdo, numa imagem oficial da Ferrari gerada por computador com cenário de Miami. Não mostra o painel de Turim nem Jony Ive ou John Elkann. Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.ferrari.com/en-PT/media-centre/articles/ferrari-luce-a-new-chapter-for-the-maranello-marque
Jony Ive e John Elkann defenderam o design do Ferrari Luce a 7 de outubro, em Turim, e dizem que a opinião muda quando se vê o modelo ao vivo. O presidente da Ferrari afirma que as críticas ao primeiro elétrico da marca reforçaram a convicção da empresa.
O essencial
- Jony Ive e John Elkann falaram do Ferrari Luce a 7 de outubro, na conferência Wave, em Turim.
- A LoveFrom passou a maior parte de um ano a estudar a Ferrari e o desenvolvimento durou cinco anos, segundo a Reuters.
- Elkann diz que a Ferrari não quis fazer um modelo polémico e que as críticas reforçaram a convicção da empresa.
Jony Ive, antigo responsável de design da Apple, e John Elkann, presidente da Ferrari, falaram do Luce num painel da conferência de tecnologia Wave, em Turim, a 7 de outubro. Segundo a Reuters, os dois responderam ali às críticas que o desenho do primeiro Ferrari elétrico tem recebido desde a revelação, em maio.
A Ferrari desenvolveu o modelo com a LoveFrom, o estúdio de Ive. A agência descreve a reação como um debate aceso, com troça nas redes sociais e reparos a um estilo pouco convencional. O Luce voltou às notícias em agosto, quando o AutoGear contou o leilão do primeiro exemplar, em Monterey, nos Estados Unidos.
Um ano a estudar a Ferrari

Ive contou que o trabalho começou longe do desenho. “Passámos realmente a maior parte de um ano a pesquisar e a tentar aprender”, disse, sobre o período em que a LoveFrom se dedicou à história e à cultura da marca. Depois, equipas na Califórnia e em Maranello passaram cinco anos a desenvolver o projeto em conjunto, segundo a Reuters.
O objetivo, nas palavras do designer, era “não apenas reciclar a história, mas criar o futuro”. Esse futuro tem números. Como o AutoGear escreveu esta semana, a Ferrari reduziu a aposta nos elétricos, num plano que a marca apresentou em outubro de 2025 e que prevê que sejam 20% da gama em 2030.
Comandos físicos em vez de ecrãs

O habitáculo foi outro ponto da defesa. “O toque, como interface principal, não devia estar num automóvel”, afirmou Ive, que rejeita o domínio dos ecrãs táteis e dos comandos digitais. Para o designer, essa solução tem um preço, porque quem conduz fica “desligado, enquanto ser físico, do objeto”. Por isso, o Luce assenta em comandos físicos e em resposta tátil, descreve a agência.
Elkann rejeita um Ferrari Luce polémico

“Não tínhamos, de forma nenhuma, a intenção de fazer um Ferrari polémico”, disse John Elkann. O presidente da marca explicou que o que conta é perceber até que ponto as críticas tocam a convicção de quem fez o automóvel. “O que isso fez foi tornar a nossa convicção muito forte”, afirmou.
Ive e Elkann dizem que a perceção muda quando se passa das imagens para o modelo real. “Nunca conheci uma mudança tão grande como a que parece acontecer quando o vemos”, disse o designer. Havia um Luce exposto na conferência e, segundo a Reuters, formaram-se longas filas de visitantes.
São declarações de quem desenhou o modelo e de quem preside à marca. Não medem a forma como o público o recebe.
A conversa com Jeff Bezos
Elkann recordou ainda de onde veio o impulso para um Ferrari elétrico. Numa conversa em julho de 2016, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, ter-lhe-á dito que não percebia nada de automóveis, mas sabia muito de inovação, e que a Ferrari devia pensar a sério em construir um elétrico. Foi essa conversa, contou, que o fez olhar para os elétricos com outra atenção.
A Wave é organizada pela Vento, o braço de capital de risco da Exor, a holding da família Agnelli que controla a Ferrari. Do painel não saíram novidades comerciais. A Reuters não refere preços, prazos de entrega nem mercados, e de Turim não veio nenhuma indicação sobre Portugal.
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Perguntas e respostas
Como respondem Jony Ive e Elkann às críticas ao Ferrari Luce?
Jony Ive diz que o objetivo foi criar o futuro, e não reciclar a história, e que a opinião muda quando se vê o modelo ao vivo. John Elkann afirma que a Ferrari não quis fazer um modelo polémico e que as críticas reforçaram a convicção da empresa. As declarações foram feitas a 7 de outubro, na conferência Wave, em Turim, segundo a Reuters.
Porque é que o Ferrari Luce dá primazia aos comandos físicos e não aos ecrãs táteis?
Jony Ive defende que o toque, como interface principal, não devia estar num automóvel. Segundo o designer, os ecrãs táteis têm um preço, porque quem conduz fica desligado do objeto enquanto ser físico. Por isso, o Luce assenta em comandos físicos e em resposta tátil, descreve a Reuters.
Quanto tempo demorou o desenvolvimento do Ferrari Luce?
A LoveFrom, o estúdio de Jony Ive, passou a maior parte de um ano a estudar a história e a cultura da Ferrari antes de começar. Depois, equipas na Califórnia e em Maranello trabalharam cinco anos no projeto, segundo a Reuters. O modelo foi revelado em maio.
Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.ferrari.com/en-PT/media-centre/articles/ferrari-luce-a-new-chapter-for-the-maranello-marque
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AutoGear · 6 artigos
Recebeu a primeira moto, uma KTM, do avô, quando tinha 19 anos, e ainda a tem. Agora está a descobrir os automóveis. Ainda muito jovem, continua a aperfeiçoar o que sabe sobre este mundo, mas a paixão, essa, já a tem toda. Nos tempos livres gosta de surfar.
Colaborador do AutoGear. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o AutoGear, o Motociclismo e o M Sports.