Ferrari reduz aposta nos elétricos e mantém o motor de combustão vivo até 2030
O essencial
- A Ferrari reduz os elétricos para 20% da gama em 2030, mantendo 40% de combustão e 40% de híbridos.
- A marca está a testar biocombustíveis para prolongar a vida dos motores de combustão sem abdicar da tecnologia.
- O primeiro Ferrari totalmente elétrico será uma adição à gama, não um substituto dos modelos com motores térmicos.
A Ferrari vai reduzir para 20% o peso dos elétricos na sua gama em 2030 e manter os motores de combustão com uma presença de 40%. A marca italiana está também a testar biocombustíveis como alternativa para prolongar a vida dos seus motores.
A Ferrari está a mudar de estratégia na eletrificação. Depois de ter previsto uma presença muito maior dos modelos 100% elétricos, a marca italiana estabeleceu agora uma distribuição mais equilibrada para 2030: 20% de elétricos, 40% de híbridos e 40% de modelos com motor de combustão.
A estratégia oficial confirma que o primeiro Ferrari totalmente elétrico será encarado como uma adição à gama, e não como substituto dos modelos equipados com motores térmicos. A marca mantém, assim, a aposta simultânea nas três tecnologias.
O V12 ainda tem futuro
O V12 ainda tem futuro
A Ferrari está também a explorar soluções para reduzir as emissões dos motores de combustão sem abdicar da tecnologia que continua a ser central na sua identidade.
Entre essas soluções estão os biocombustíveis, que já estão a ser testados pela marca. O objetivo é perceber se os motores Ferrari conseguem manter o mesmo comportamento e desempenho utilizando diferentes combustíveis de origem renovável.
O conceito é particularmente importante para uma marca que continua a apostar em motores de elevada cilindrada. Na prática, um combustível de menor impacto ambiental permitiria prolongar a utilização de motores de combustão sem obrigar a uma transformação completa da gama.
No entanto, existe uma ressalva importante: considerar um combustível “neutro em carbono” depende da forma como é produzido e certificado. Além disso, os combustíveis sintéticos continuam a ser caros e têm uma disponibilidade limitada.

Elétricos passam a ter um papel mais pequeno
Elétricos passam a ter um papel mais pequeno
A alteração é significativa face ao plano anteriormente apresentado pela Ferrari. A marca tinha previsto chegar a 2030 com 40% de modelos elétricos, 40% híbridos e apenas 20% com motor de combustão.
Agora, a proporção é exatamente inversa entre elétricos e combustão: os modelos totalmente elétricos passam para 20%, enquanto os motores térmicos ficam com 40% da gama. Os híbridos mantêm igualmente uma quota de 40%.
A Ferrari justifica esta abordagem com o princípio de neutralidade tecnológica e pretende continuar a desenvolver as três soluções em paralelo. A estratégia inclui investimentos tanto em motores de combustão e sistemas híbridos como em componentes elétricos e tecnologia de baterias.
A experiência dos clientes pesa na decisão
A mudança de estratégia surge numa altura em que a Ferrari procura preservar aquilo que considera ser essencial para a experiência da marca. O plano para 2030 prevê uma média de quatro novos modelos por ano entre 2026 e 2030, mantendo uma oferta diversificada.
A própria empresa salienta que a inovação nos motores de combustão, híbridos e elétricos está ligada à experiência acumulada em competição. Ao mesmo tempo, continua a desenvolver internamente componentes elétricos em Maranello.
O primeiro Ferrari elétrico terá, por isso, de conquistar um espaço próprio na gama, em vez de substituir diretamente uma tecnologia existente.
Combustíveis alternativos podem prolongar a combustão
Combustíveis alternativos podem prolongar a combustão
A aposta nos biocombustíveis e nos combustíveis sintéticos ganha ainda maior relevância quando se olha para a enorme frota automóvel que já circula nas estradas.
Em vez de esperar décadas pela substituição de todos os automóveis com motores de combustão, os combustíveis alternativos podem, em teoria, reduzir as emissões da frota existente sem exigir a troca imediata dos veículos.
O problema está na produção, disponibilidade e custo desses combustíveis. A tecnologia pode manter vivos os motores térmicos, mas terá de conseguir fazê-lo em escala e com uma pegada ambiental efetivamente inferior.
Para a Ferrari, contudo, a mensagem é clara: a era do motor de combustão ainda está longe de terminar. E, pelo menos até 2030, Maranello não pretende escolher apenas uma tecnologia.
AutoGear · 577 artigos
Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.