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Porsche fabrica a primeira bateria feita 100% com materiais reciclados

Publicado a 28 de Setembro de 2026, 10h00  ·  Atualizado a 28 de Setembro de 2026, 11h49  ·  3 min de leitura

O essencial

  • Porsche produziu pela primeira vez uma célula de bateria cujo cátodo é 100% composto por matérias-primas recicladas de baterias usadas.
  • A Porsche prevê começar a produzir novas células com matérias-primas recuperadas a partir de 2028, após validação da tecnologia.
  • A partir de 18 de fevereiro de 2027, será obrigatório um passaporte digital para baterias de automóveis elétricos comercializadas na Europa.

A Porsche deu um passo inédito no processo de reciclagem de baterias: produziu, pela primeira vez, uma célula cujo cátodo é composto inteiramente por matérias-primas recuperadas de baterias usadas. Lítio, níquel, cobalto e manganês são, neste caso, totalmente reciclados, sem qualquer adição de material virgem.

O resultado nasce de uma linha piloto desenvolvida em parceria com a Cylib, empresa alemã especializada em reciclagem de baterias, e representa um avanço relevante rumo a um sistema em que os materiais das baterias em fim de vida possam alimentar diretamente a produção de novas células. As primeiras amostras encontram-se agora numa fase alargada de testes, e a Porsche prevê começar a produzir novas células com estas matérias-primas recuperadas a partir de 2028.

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De baterias usadas a novas células

De baterias usadas a novas células

O projeto entre a Porsche e a Cylib arrancou em 2025 e entrou na sua fase concreta em maio de 2026. As baterias de alta tensão em fim de vida, recolhidas nos Centros Porsche na Alemanha, são enviadas para o processo de reciclagem da Cylib, que recorre a um método à base de água para recuperar as matérias-primas.

O desafio não se resume a extrair lítio, níquel, cobalto e manganês, mas sobretudo a recuperá-los com a pureza necessária para voltarem a ser usados na produção de células. Para garantir esse controlo, a Porsche implementou um sistema de acompanhamento específico, que mantém os materiais recuperados separados e monitorizados ao longo de todo o processo — um cuidado essencial antes de avançar para a produção de novas células com estas matérias-primas até 2028, depois de validada a eficácia da tecnologia em maior escala.

A reciclagem torna-se também uma questão de rastreabilidade

Rastreabilidade e nova regulação europeia

Este trabalho surge num momento em que a União Europeia impõe exigências cada vez mais rigorosas quanto à recuperação de materiais das baterias. O Regulamento Europeu das Baterias já define metas mínimas de recuperação para elementos como o lítio, o níquel, o cobalto e o cobre.

Um novo marco regulatório chega a 18 de fevereiro de 2027, data a partir da qual passará a ser obrigatório um passaporte digital para baterias de automóveis elétricos, veículos ligeiros e baterias industriais com mais de 2 kWh comercializadas no mercado europeu. Trata-se de um documento eletrónico, assente em cerca de 71 dados padronizados, que deverá reunir informação sobre a composição química da bateria, o seu histórico de utilização e a proporção de material reciclado incorporado.

Para a Porsche, a parceria com a Cylib significa antecipar a construção de uma cadeia de abastecimento capaz não só de recuperar matérias-primas, mas também de comprovar a sua origem e seguir o seu percurso até à bateria final — exatamente o tipo de rastreabilidade que a nova legislação europeia vai exigir.

Para quem já conduz um Porsche elétrico ou gere frotas com estes veículos, nada muda, para já, na forma como a bateria é utilizada ou mantida. O que este anúncio revela é que a marca está a preparar o sistema de reciclagem e rastreabilidade com bastante antecedência em relação à entrada em vigor da lei.

Ricardo Carvalho

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Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.

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