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Quando chegam os elétricos com bateria de estado sólido, segundo a Hyundai?

Publicado a 27 de Setembro de 2026, 20h40  ·  5 min de leitura

Na imagem, Manfred Harrer, presidente e responsável pela investigação e desenvolvimento do Hyundai Motor Group, com o IONIQ 6 N em Seul, numa reportagem oficial da Hyundai; a marca ainda não anunciou nenhum modelo com bateria de estado sólido.

O responsável pela investigação e desenvolvimento do Hyundai Motor Group, Manfred Harrer, espera ver automóveis de pequena série com bateria de estado sólido no mercado dentro de cinco anos. Admite, porém, que o custo das matérias-primas vai manter a tecnologia longe do mercado de massas por mais tempo.

O essencial

  • Manfred Harrer, responsável pela investigação e desenvolvimento do Hyundai Motor Group, espera automóveis de pequena série com bateria de estado sólido dentro de cinco anos.
  • Harrer admite que o custo das matérias-primas não fica resolvido nesse prazo, o que afasta a tecnologia do mercado de massas.
  • A Hyundai desenvolve estas baterias dentro de casa e com parceiros como a Solid Power, e não anunciou nenhum modelo que as use.

O que disse Manfred Harrer

Manfred Harrer ao volante do IONIQ 6 N nas estradas à volta de Seul, numa fotografia oficial da Hyundai.
Manfred Harrer ao volante do IONIQ 6 N nas estradas à volta de Seul, numa fotografia oficial da Hyundai.

Manfred Harrer falou aos jornalistas na semana passada, numa conversa relatada pela InsideEVs a 27 de setembro. Sobre a aposta nas baterias de estado sólido, foi direto: “You cannot give up right now on that. That’s clear. You must be in the game.” Na prática, a Hyundai não pode desistir agora e tem de estar na corrida.

Segundo a InsideEVs, Harrer espera ver no mercado, dentro de cinco anos, modelos-montra de pequena série com baterias de estado sólido. São automóveis feitos em poucas unidades, para mostrar a tecnologia. A InsideEVs não diz que modelo será, nem se terá o emblema da Hyundai.

O que é uma bateria de estado sólido

As baterias dos elétricos atuais usam um eletrólito líquido para levar os iões de lítio entre o ânodo e o cátodo. Numa bateria de estado sólido, esse líquido dá lugar a um material sólido, como cerâmicas ou polímeros, explica a InsideEVs.

Harrer apontou as vantagens que levam as marcas a insistir nela: uma bateria mais pequena, melhor capacidade de carregamento rápido e mais autonomia. A InsideEVs não dá números para nenhuma delas.

Porque é que o custo trava a tecnologia

Manfred Harrer, responsável pela investigação e desenvolvimento do Hyundai Motor Group, em Seul.
Manfred Harrer, responsável pela investigação e desenvolvimento do Hyundai Motor Group, em Seul.

O obstáculo, admitiu Harrer, está no preço das matérias-primas. “You can solve, in the end, everything, but it comes with cost, tremendous cost”, disse o responsável. Ou seja, tudo se resolve, mas a um custo enorme.

Harrer não acredita que o problema do custo das matérias-primas fique resolvido em cinco anos. Por isso, a primeira fase fica reservada a séries curtas e caras, e o mercado de massas terá de esperar. Para se ter uma ideia do que é uma série curta noutro patamar, o AutoGear contou como a Rolls-Royce levou o Project Nightingale a 350 semanas de testes para apenas 100 automóveis.

O que a Hyundai já está a fazer

O CEO Investor Day de 2025, em que a Hyundai apresentou o plano de produtos e de eletrificação até 2030.
O CEO Investor Day de 2025, em que a Hyundai apresentou o plano de produtos e de eletrificação até 2030.

A Hyundai desenvolve baterias de estado sólido dentro de casa e com parceiros, como a Solid Power, segundo a InsideEVs. O grupo quer controlar a tecnologia e o fabrico das próprias baterias. O passo mais próximo é outro: células de níquel, manganês e cobalto (NCM) feitas pela própria Hyundai.

A marca prevê usar essas células no Santa Fe com extensor de autonomia (EREV), que chega ao mercado no início de 2027, de acordo com a InsideEVs. A publicação não diz em que mercados.

A aposta no estado sólido vem de trás. Em fevereiro de 2025, a Electrek noticiou que a Hyundai ia inaugurar em março desse ano uma linha-piloto de baterias totalmente de estado sólido no centro de investigação de Uiwang, na Coreia do Sul. Nessa altura, a produção em massa estava apontada para cerca de 2030.

A marca coreana não está sozinha. A InsideEVs lembra que a Toyota, a Volkswagen, a BMW, a General Motors, a Ford, a Honda e a Nissan também trabalham nesta tecnologia, e que a QuantumScape conta ter as suas células em automóveis de alto desempenho até ao fim da década.

Vale a pena esperar pela bateria de estado sólido?

O AutoGear leu o relato da InsideEVs e não há nele um único modelo com data marcada. Harrer fala de pequenas séries dentro de cinco anos e de custos que continuam altos para lá desse prazo. Para quem pensa comprar um elétrico agora, os modelos à venda nos concessionários continuam a usar eletrólito líquido.

A Hyundai não anunciou nenhum modelo com bateria de estado sólido. O próximo passo conhecido na estratégia de baterias da marca é o Santa Fe com extensor de autonomia e células NCM próprias, previsto para o início de 2027.

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Perguntas e respostas

Quando chegam os elétricos com bateria de estado sólido, segundo a Hyundai?

Manfred Harrer, responsável pela investigação e desenvolvimento do Hyundai Motor Group, espera ver no mercado, dentro de cinco anos, automóveis de pequena série com baterias de estado sólido. A InsideEVs, que relatou as declarações, não diz que modelo será nem se terá o emblema da Hyundai.

O que é uma bateria de estado sólido?

É uma bateria em que o eletrólito líquido das baterias atuais, que leva os iões de lítio entre o ânodo e o cátodo, dá lugar a um material sólido, como cerâmicas ou polímeros. Segundo Harrer, as vantagens são uma bateria mais pequena, melhor carregamento rápido e mais autonomia.

Porque é que a bateria de estado sólido não chega já ao mercado de massas?

Por causa do custo das matérias-primas. Harrer disse aos jornalistas que tudo se resolve, mas a um custo enorme, e que não acredita que esse problema fique resolvido em cinco anos.

Redação

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Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.

A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.

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